sábado, 1 de fevereiro de 2014

Uma interessante provocação - que merece reflexão - sobre a frase: "De cada um conforme sua Capacidade - Para cada um conforme sua Necessidade".

Doutrina Espírita: “Ler tudo e reter o que for bom” - Paulo (Tessalonicenses, 5:21) => Tudo pode ser examinado (sem censura). Só o que for bom será incorporado. 
A Verdade está no Ponto Intermediário de todas as suas Versões.
Os Capitalismos de Estado e os Capitalismos de Corporações são CORRUPÇÕES igualmente danosas do Livre Mercado. Adam Smith, em A Riqueza das Nações, falava de algo similar às nossas atuais Feiras Livres (muitos produtores com acesso a muitos consumidores).
Acordos / Zonas de Livre Comércio (ALCA, Comunidade Européia, Mercosul, etc.) são restrições ao Livre Mercado: criam privilégios de venda para alguns produtores, em prejuízo dos consumidores.
A única regulação não corruptível é aquela derivada das ações dos Cidadãos e Consumidores CONSCIENTES DE SEUS VERDADEIROS INTERESSES, na Economia e na Política.
'Vários mundos', criados por bilhões de EMPREENDEDORES, é a máxima realização do potencial da Humanidade, através da realização do potencial único de cada SER HUMANO.

Via GMail em 31 de janeiro de 2014 - Compartilhamento de Projeto de Estudo - Verão/2014

– … John Galt? – acrescentou Dagny.

– É – disse ele e sacudiu a cabeça, como se para afastar alguma visão –, só que eu não gosto de dizer isso.

– Nem eu. Eu queria saber por que as pessoas dizem isso, e quem foi que inventou essa expressão…

– Pois é, madame. É o que me preocupa. Talvez até tenha sido eu que a inventei.

– O quê?

– Eu e mais uns 6 mil. É possível. Acho que fomos nós, sim. Espero que não.

– Como assim?

– Bem, foi uma coisa que aconteceu na fábrica onde trabalhei durante 20 anos. Foi quando o velho morreu e os herdeiros tomaram conta. Eles eram três, dois filhos e uma filha, e inventaram um novo plano para administrar a fábrica. Deixaram a gente votar, também, para aceitar ou não o plano, e todo mundo, quase todo mundo, votou a favor. A gente não sabia, pensava que fosse bom. Não, também não é bem isso, não. A gente pensava que queriam que a gente achasse que era bom. O plano era o seguinte: cada um trabalhava conforme sua capacidade e recebia conforme sua necessidade. Nós… o que foi? A senhora está bem?

– Qual era o nome dessa fábrica? – perguntou ela, com voz quase inaudível.

– A Fábrica de Motores Século XX, em Starnesville, Wisconsin.

– Continue.

– Aprovamos o tal plano numa grande assembleia. Nós éramos 6 mil, todo mundo que trabalhava na fábrica. Os herdeiros do velho Starnes fizeram uns discursos compridos, e ninguém entendeu muito bem, mas ninguém fez nenhuma pergunta. Ninguém sabia como é que o plano ia funcionar, mas cada um achava que o outro sabia. E quem tinha dúvida se sentia culpado e não dizia nada, porque, do jeito que os herdeiros falavam, quem fosse contra era desumano e assassino de criancinhas. Disseram que esse plano ia concretizar um nobre ideal. Como é que a gente podia saber? Não era isso que a gente ouvia a vida toda dos pais, professores e pastores, em todos os jornais, filmes e discursos políticos? Não diziam sempre que isso era o certo e o justo?

Dagny ouvia atentamente o que o homem dizia, e ele prosseguiu:

– Bem, pode ser que a gente tenha alguma desculpa para o que fez naquela assembleia. O fato é que votamos a favor do plano, e o que aconteceu conosco depois foi merecido. A senhora sabe, nós que trabalhamos lá na Século XX, durante aqueles quatro anos, somos homens marcados. O que dizem que o inferno é? O mal, o mal puro, nu, absoluto, não é? Pois foi isso que a gente viu e ajudou a fazer, e acho que todos nós estamos malditos e talvez nunca mais vamos ter perdão… A senhora quer saber como funcionou o tal plano e o que aconteceu com as pessoas? É como derramar água dentro de um tanque em que há um cano no fundo puxando mais água do que entra, e a cada balde que a senhora derrama lá dentro o cano alarga mais um bocado, e quanto mais a senhora trabalha, mais exigem da senhora, e no fim a senhora está despejando baldes 40 horas por semana, depois 48, depois 56, para o jantar do vizinho, para a operação da mulher dele, para o sarampo do filho dele, para a cadeira de rodas da mãe dele, para a camisa do tio dele, para a escola do sobrinho dele, para o bebê do vizinho, para o bebê que ainda vai nascer, para todo mundo à sua volta, tudo é para eles, desde as fraldas até as dentaduras, e só o trabalho é seu, trabalhar da hora em que o sol nasce até escurecer, mês após mês, ano após ano, ganhando só suor, o prazer só deles, durante toda a sua vida, sem descansar, sem esperança, sem fim…

De cada um, conforme sua capacidade, para cada um, conforme sua necessidade…

Enquanto falava, o homem não tirava os olhos de Dagny, para enfatizar cada uma de suas palavras.

– Nós somos uma grande família, todo mundo, é o que nos diziam, estamos todos no mesmo barco.

Mas não é todo mundo que passa 10 horas com um maçarico na mão, nem todo mundo que fica com dor de barriga ao mesmo tempo. Capacidade de quem? Necessidade de quem, quem tem prioridade?

Quando é tudo uma coisa só, ninguém pode dizer quais são as suas necessidades. Não é? Senão qualquer um pode dizer que necessita de um iate, e, se só o que conta são os sentimentos dele, ele acaba até provando que tem razão. Por que não? Se eu só tenho o direito de ter carro depois que trabalhei tanto que fui parar no hospital, depois de garantir um carro para todo vagabundo e todo selvagem nu do mundo, por que ele não pode exigir de mim um iate também, se eu ainda tenho a capacidade de trabalhar? Não pode? Então ele não pode exigir que eu tome meu café sem leite até ele conseguir pintar a sala de visitas dele? Pois é… Mas então decidiram que ninguém tinha o direito de julgar suas próprias capacidades e necessidades. Tudo era resolvido na base da votação. Sim, senhora, tudo era votado em assembleia duas vezes por ano. Não tinha outro jeito, não é? E a senhora imagina o que acontecia nesses eventos? Bastou a primeira para a gente descobrir que todo mundo tinha virado mendigo – mendigos esfarrapados, humilhados, todos nós, porque nenhum homem podia dizer que fazia jus a seu salário, não tinha direitos nem fazia jus a nada, não era dono de seu trabalho, o trabalho pertencia à “família”, e ela não lhe devia nada em troca, a única coisa que cada um tinha era a sua “necessidade”, e aí tinha que pedir em público que atendessem as suas necessidades, como qualquer parasita, enumerando todos os seus problemas, até os remendos na calça e os resfriados da esposa, na esperança de que a “família” lhe jogasse uma esmola. O jeito era chorar miséria, porque era a sua miséria, e não o seu trabalho, que agora era a moeda corrente de lá. Assim, a coisa virou um concurso de misérias disputado por 6 mil pedintes, cada um chorando mais miséria que o outro. Não tinha outro jeito, não é? A senhora imagina o que aconteceu? Que tipo de homem ficava calado, com vergonha, e que tipo de homem levava a melhor?

Ela não fez menção de responder, sem querer interromper o relato que tanto a interessava. O homem prosseguiu:

– Mas tem mais. Mais uma coisa que a gente descobriu na mesma assembleia. A produção da fábrica tinha caído 40 por cento naquele primeiro semestre, e então se concluiu que alguém não tinha usado toda a sua “capacidade”. Quem? Como descobrir? A “família” também decidia isso no voto. Escolhiam no voto quais eram os melhores trabalhadores, e esses eram condenados a trabalhar mais, fazer hora extra todas as noites durante os seis meses seguintes. E sem ganhar nada a mais, porque a gente ganhava não por tempo nem por trabalho, e sim conforme a necessidade. Será que preciso explicar o que aconteceu depois disso? Explicar que tipo de criaturas nós fomos virando, nós que antes éramos seres humanos? Começamos a esconder toda a nossa capacidade, trabalhar mais devagar, ficar de olho para ter certeza de que a gente não trabalhava mais depressa nem melhor do que o colega ao nosso lado.

Tinha que ser assim, pois a gente sabia que quem desse o melhor de si para a “família” não ganhava elogio nem recompensa, mas castigo. Sabíamos que para cada imbecil que estragasse um motor e desse um prejuízo para a fábrica – ou por desleixo, porque não tinha nenhum motivo para caprichar, ou por pura incompetência –, quem ia ter que pagar era a gente, trabalhando de noite e no domingo. Por isso, a gente se esforçava o máximo para ser o pior possível. Tinha um garoto que começou todo empolgado com o nobre ideal, um garoto muito vivo, sem instrução, mas um crânio. No primeiro ano ele inventou um processo que economizava milhares de homens-horas. Deu, de mão beijada, a descoberta dele para a “família”, não pediu nada em troca, nem podia, mas não se incomodava com isso. “Era tudo pelo ideal”, dizia ele. Mas, quando foi eleito um dos mais capazes e condenado a trabalhar de noite, ele fechou a boca e o cérebro. No ano seguinte, é claro, não teve nenhuma ideia brilhante. A vida inteira nos ensinaram que os lucros e a competição tinham um efeito nefasto, que era terrível um competir com o outro para ver quem era melhor, não é?

– É verdade, muitos acham que essa competição é algo nefasto – comentou Dagny.

– Pois deviam ver o que acontecia quando um competia com o outro para ver quem era pior. Não há maneira melhor de destruir um homem do que obrigá-lo a tentar não fazer o melhor de que é capaz, a se esforçar por fazer o pior possível dia após dia. Isso mata mais depressa do que a bebida, a vadiagem, a vida de crime. Mas para nós a única saída era fingir incompetência. A única acusação que temíamos era a de que tínhamos capacidade. A capacidade era como uma hipoteca que nunca se termina de pagar. E trabalhar para quê? A gente sabia que o mínimo para a sobrevivência era dado a todo mundo, quer trabalhasse, quer não, a chamada “ajuda de custo para moradia e alimentação”, e mais do que isso não se tinha como ganhar, por mais que se esforçasse. Não se podia ter certeza de que seria possível comprar uma muda de roupas no ano seguinte – a senhora podia ou não ganhar uma “ajuda de custo para vestimentas”, dependendo de quantas pessoas quebrassem a perna, precisassem ser operadas ou tivessem mais filhos. E, se não havia dinheiro para todo mundo comprar roupas, então a senhora também ficava sem roupa nova. Havia um homem que tinha passado a vida toda trabalhando até não poder mais porque queria que seu filho fizesse faculdade. Pois bem, o garoto terminou o ensino médio no segundo ano de vigência do plano, mas a “família” não quis dar ao homem uma “ajuda de custo” para pagar a faculdade do filho. Disseram que o filho só ia poder entrar para a faculdade quando houvesse dinheiro para os filhos de todos entrarem para a faculdade – e, para isso, era preciso primeiro pagar o ensino médio dos filhos de todos, e não havia dinheiro nem para isso. O homem morreu no ano seguinte, numa briga de faca num bar, uma briga sem motivo. Brigas desse tipo se tornaram cada vez mais comuns entre nós. Havia um sujeito mais velho, um viúvo sem família, que tinha um hobby: colecionar discos. Acho que era a única coisa de que ele gostava na vida. Antes, ele costumava ficar sem almoçar para ter dinheiro para comprar mais um disco clássico. Pois não lhe deram nenhuma “ajuda de custo” para comprar discos – disseram que aquilo era um “luxo pessoal”. Mas, naquela mesma assembleia, votaram a favor de dar para uma tal de Millie Bush, filha de alguém, uma garotinha de 8 anos feia e má, um aparelho de ouro para corrigir seus dentes – isso era uma “necessidade médica”, porque o psicólogo da empresa disse que a coitadinha ia ficar com complexo de inferioridade se seus dentes não fossem endireitados. O velho que gostava de música passou a beber. Chegou a um ponto em que nunca mais era visto sóbrio. Mas parece que uma coisa ele nunca esqueceu. Uma noite, ele vinha cambaleando pela rua quando viu a tal da Millie Bush, então lhe deu um soco que quebrou todos os dentes da menina. Todos. Atônita, Dagny ouvia o homem cuja expulsão do trem ela havia impedido.

– A bebida, naturalmente, era a solução para a qual todos nós apelávamos, uns mais outros menos.

Não me pergunte onde é que achávamos dinheiro para isso. Quando todos os prazeres decentes são proibidos, sempre se dá um jeito de gozar os prazeres que não prestam. Ninguém arromba mercearias à noite nem rouba o colega para comprar discos clássicos nem caniços de pesca, mas, se é para tomar um porre e esquecer, faz-se de tudo. Caniços de pesca? Armas para caçar? Máquinas fotográficas? Hobbies? Não havia “ajuda de custo de entretenimento” para ninguém. O lazer foi a primeira coisa que cortaram.

Pois a gente não deve ter vergonha de reclamar quando alguém pede para abrirmos mão de uma coisa que nos dá prazer? Até mesmo a nossa “ajuda de custo de fumo” foi racionada a ponto de só recebermos dois maços de cigarro por mês – e isso, diziam eles, porque o dinheiro estava indo para o fundo do leite dos bebês. Os bebês eram o único produto que havia em quantidades cada vez maiores – porque as pessoas não tinham outra coisa para fazer, imagino, e porque não tinham que se preocupar com os gastos da criação dos bebês, já que era uma responsabilidade da “família”. Aliás, a melhor maneira de conseguir um aumento e poder ficar mais folgado por uns tempos era ganhar uma “ajuda de custo para bebês” – ou isso ou arranjar uma doença séria.

– E como vocês faziam para sobreviver assim? – quis saber Dagny.

– Bom, não demorou muito para a gente entender como a coisa funcionava. Todo aquele que resolvia agir certinho tinha que se abster de tudo. Tinha que perder toda a vontade de gozar qualquer prazer, não gostar de fumar um cigarro nem mascar um chiclete, porque alguém podia ter uma necessidade maior do dinheiro gasto naquele cigarro ou chiclete. Sentia vergonha cada vez que engolia uma garfada de comida, pensando em quem tinha tido que trabalhar de noite para pagar aquela garfada, sabendo que o alimento que comia não era seu por direito, sentindo a vontade infame de ser trapaceado ao invés de trapacear, de ser um pato [trouxa], não uma sanguessuga. Não podia ajudar os pais, para não colocar um fardo mais pesado sobre os ombros da “família”. Além disso, se ele tivesse um mínimo de senso de responsabilidade, não podia se casar nem ter filhos, pois não podia planejar nada, prometer nada, contar com nada. Mas os indolentes e irresponsáveis se deram bem. Arranjaram filhos, seduziram moças, trouxeram todos os parentes imprestáveis que tinham, todas as irmãs solteiras grávidas. Para receber uma “ajuda de custo de doença”, inventaram todas as doenças possíveis, sem que os médicos pudessem provar a fraude, estragaram suas roupas, seus móveis, suas casas – pois não era a “família” que estava pagando? Descobriram muito mais “necessidades” do que os outros, desenvolvendo um talento especial para isso - a única capacidade que demonstraram. Deus me livre!

O fôlego dele para contar um passado não tão distante parecia não terminar, então ele prosseguiu, sem tirar os olhos de Dagny:

– A senhora entende? Compreendemos que nos tinham dado uma lei, uma lei moral, segundo eles, que punia quem a observava – pelo fato de observá-la. Quanto mais a senhora tentava seguir essa lei, mais sofria; quanto mais a violava, mais lucrava. A sua honestidade era como um instrumento nas mãos da desonestidade do próximo. Os honestos pagavam, e os desonestos lucravam. Os honestos perdiam, os desonestos ganhavam. Com esse tipo de padrão do que é certo ou errado, por quanto tempo os homens poderiam permanecer honestos? No começo, éramos pessoas bem honestas, e só havia uns poucos aproveitadores. Éramos competentes, nos orgulhávamos do nosso trabalho e éramos funcionários da melhor fábrica do país, para a qual o velho Starnes só contratava a nata dos trabalhadores. Um ano depois da implantação do plano, não havia mais nenhum homem honesto entre nós. Era isso o mal, o horror infernal que os pregadores usavam para assustar os fiéis, mas que a gente nunca imaginava ver em vida. A questão não foi que o plano estimulasse uns poucos corruptos, e sim que ele corrompia pessoas honestas, e o efeito não podia ser outro – e era isso que chamavam de ideia moral! Queriam que trabalhássemos em nome de quê? Do amor por nossos irmãos? Que irmãos? Os parasitas, as sanguessugas que víamos ao redor? E se eles eram desonestos ou se eram incompetentes, se não tinham vontade ou não tinham capacidade de trabalhar – que diferença fazia para nós? Se estávamos presos para o restante da vida àquele nível de incompetência, fosse verdadeiro ou fingido, por quanto tempo nos daríamos ao trabalho de seguir em frente?

Dagny o encarava sem dizer uma palavra enquanto ele falava o que lhe vinha à mente.

– Não tínhamos como saber qual era a verdadeira capacidade deles, não tínhamos como controlar suas necessidades, só sabíamos que éramos burros de carga lutando às cegas num lugar que era meio hospital, meio curral - um lugar onde só se incentivavam a incompetência, as catástrofes, as doenças. Burros de carga que só serviam às necessidades que os outros afirmavam ter. Amor fraternal? Foi então que aprendemos, pela primeira vez na vida, a odiar nossos irmãos. Começamos a odiá-los por cada refeição que faziam, cada pequeno prazer que gozavam, a camisa nova de um, o chapéu da esposa de outro, o passeio que um dava com a família, a reforma que o outro fazia na casa – tudo aquilo era tirado de nós, era pago pelas nossas privações, nossas renúncias, nossa fome. Um começou a espionar o outro, cada um tentando flagrar o outro em alguma mentira sobre suas necessidades, com o intuito de cortar sua “ajuda de custo” na assembleia seguinte. Começaram a surgir delatores, que descobriam que alguém tinha comprado às escondidas um peru para a família num domingo qualquer, provavelmente com dinheiro que ganhara no jogo. Começamos a nos meter um na vida do outro. Provocávamos brigas de família, para conseguir que os parentes de alguém saíssem da lista de beneficiados. Toda vez que víamos algum homem começando a namorar uma moça, tornávamos a vida dele um inferno. Fizemos muitos noivados se romperem. Não queríamos que ninguém se casasse, não queríamos mais dependentes para alimentar. Antes, comemorávamos quando alguém tinha filho, todo mundo contribuía para ajudar a pagar a conta do hospital, quando os pais estavam sem dinheiro. Nessa época, quando nascia uma criança, ficávamos semanas sem falar com os pais. Para nós, os bebês eram o que os gafanhotos são para os fazendeiros: uma praga. Antes, ajudávamos quem tinha doente na família. Depois…

Ele notou a curiosidade no rosto de Dagny e prosseguiu antes que ela perguntasse o que tinha acontecido:

– Bom, vou contar apenas um caso para a senhora. Era a mãe de um homem que trabalhava conosco havia 15 anos, uma senhora simpática, alegre e sábia, conhecia todos nós pelo primeiro nome, todos nós gostávamos dela antes. Um dia ela escorregou na escada do porão, caiu e quebrou a bacia. Nós sabíamos o que isso representava para uma pessoa daquela idade. O médico disse que ela teria que ser internada, para fazer um tratamento caro e demorado. A velha morreu na véspera do dia em que ia ser levada para o hospital. Ninguém nunca explicou a causa da morte dela. Não, não sei se foi assassinato. Ninguém disse isso. Não se comentava nada sobre o assunto. A única coisa que sei – e disso nunca vou me esquecer – é que eu também, quando dei por mim, estava rezando para que ela morresse. Que Deus nos perdoe! Eram essas a fraternidade, a segurança, a abundância que nos haviam prometido com a adoção do plano.

– Havia alguma razão para alguém pregar esse horror? Alguém lucrava com isso? – perguntou Dagny.

– Havia, sim: os herdeiros de Starnes. Espero que a senhora não vá me dizer que eles tinham sacrificado uma fortuna para nos dar a fábrica de presente. Nós também caímos nessa. É, é verdade que eles deram a fábrica. Mas lucro, madame, depende do que a pessoa quer. E o que os herdeiros de Starnes queriam, não havia dinheiro neste mundo que pudesse comprar. O dinheiro é uma coisa limpa e inocente demais para isso. Eric Starnes, o mais moço, era um frouxo que não tinha peito para ser nada.

Conseguiu ser eleito diretor do nosso departamento de relações públicas. Não fazia nada e tinha à sua disposição uma equipe que também não fazia nada, por isso ele nem se dava ao trabalho de aparecer no escritório. O salário que ele recebia… não, “salário” não é o nome apropriado, ninguém recebia salário, mas esmolas. As esmolas que lhe cabiam eram bastante modestas, umas 10 vezes o que eu ganhava, mas não chegavam a ser uma fortuna. Eric não ligava para dinheiro, não sabia o que fazer com ele. Vivia andando com a gente, para mostrar como era simpático e democrático. Pelo visto, queria que gostassem dele. Fazia questão de nos lembrar, o tempo todo, que ele nos tinha dado a fábrica. Gerald Starnes era nosso diretor de produção. Nunca descobrimos que fatia ele levava – a esmola dele. Só mesmo uma equipe de contadores para calcular isso, e uma equipe de engenheiros para entender todas as manobras que levavam o dinheiro até sua sala, fosse de maneira direta ou indireta. Supostamente, nem um tostão era para ele – era tudo para despesas da companhia. Gerald tinha três carros, cinco telefones e dava festas regadas a champanhe e caviar, eventos mais extravagantes do que qualquer contribuinte milionário seria capaz de financiar. Gastou mais dinheiro em um ano do que o que seu pai tinha conseguido lucrar nos seus últimos dois anos de vida. Na sala dele vimos uma pilha de revistas de 50 quilos – 50 quilos mesmo, a gente pesou – só com matérias sobre a fábrica e nosso nobre plano, cheias de fotos dele, dizendo que ele era um grande líder social. Gerald gostava de visitar a fábrica à noite, vestindo smoking, com abotoaduras com brilhantes enormes, espalhando cinza de charuto por toda parte. Já é ruim um sujeito cuja única coisa que tem para exibir é seu dinheiro, só que ele assume que o dinheiro é dele, e a senhora pode ou não achar isso bonito – a maioria não acha, aliás. Mas quando um cachorro como Gerald Starnes vive dizendo que não liga para a riqueza material, que está apenas servindo à “família”, que todo aquele luxo não é para ele, mas para o nosso bem e o bem comum, porque é necessário para preservar o prestígio da empresa e do nobre plano perante o público, aí a senhora odeia o sujeito como nunca odiou um ser humano.

Dagny lançou um olhar curioso para ele ao perceber que havia ainda mais coisas por saber.

– No entanto, a irmã dele, Ivy, era ainda pior. Não ligava mesmo para a riqueza material. A esmola que ela recebia não era maior do que a nossa, e ela andava com uns sapatos sem salto surrados e umas blusas simples, só para mostrar como não pensava em si mesma. Era nossa diretora de distribuição. Era ela a encarregada das nossas necessidades, quem nos prendia pela garganta. É claro que a distribuição era oficialmente decidida na base da votação, de acordo com a voz do povo. Mas quando o povo em questão são 6 mil pessoas berrando ao mesmo tempo, sem nenhum princípio, nenhuma lógica, quando o jogo não tem regras e cada um pode pedir qualquer coisa, mas não tem direito a nada, quando todo mundo tem poder sobre a vida de todo mundo, menos sobre a sua própria, então acaba sempre acontecendo que a voz do povo é a voz de um só – no caso, Ivy Starnes. No fim do segundo ano, acabamos com aquele fingimento de “reunião familiar” – em nome da “eficiência de produção” e da “economia de tempo”, já que cada assembleia durava 10 dias e todas as petições de necessidade eram simplesmente enviadas à sala da Srta. Starnes. Não, não eram bem enviadas. Tinham que ser recitadas perante ela pessoalmente por cada um. Então ela elaborava uma lista de distribuição, que lia para nós para depois receber nosso voto de aprovação, numa assembleia que levava 45 minutos. Sempre aprovávamos a lista. Constava da pauta um período de 10 minutos para discussão e objeções. Não fazíamos nenhuma objeção. Àquela altura, já sabíamos que não valia a pena. Ninguém pode dividir a renda de uma fábrica entre milhares de pessoas sem ter algum critério para avaliar o valor individual de cada um. O critério dela era a bajulação. E, apesar de toda a sua imagem de desprendimento, ela falava com nossos colegas mais habilitados e com suas esposas de um jeito que o pai dela, com todo o seu dinheiro, não poderia jamais ter usado para se dirigir ao último dos contínuos impunemente. A Srta. Starnes tinha uns olhos descorados que pareciam olhos de peixe: frios e mortos. E, se a senhora algum dia quiser ver o mal em seu estado mais puro, é só ver o jeito como os olhos dela brilhavam quando olhava para algum homem que uma vez tivesse levantado a voz para ela no momento em que ele ouvia seu nome na lista de quem não ia receber nada além da cota mínima.

– Estou impressionada – comentou Dagny.

– Bem, quando a gente via isso, entendia qual era a motivação verdadeira de todo mundo que já pregou o princípio “de cada um conforme sua capacidade, a cada um conforme sua necessidade”. Era esse o segredo da coisa. De início, eu não entendia como é que os homens instruídos, cultos e famosos do mundo podiam cometer um erro como esse e pregar que esse tipo de abominação era direito quando bastavam cinco minutos de reflexão para verem o que aconteceria quando alguém tentasse pôr em prática essa ideia. Agora sei que eles não defendiam isso por erro. Ninguém comete um erro desse tamanho inocentemente. Quando os homens defendem alguma loucura malévola, quando não têm como fazer essa ideia funcionar na prática e não têm um motivo que possa explicar sua escolha, então é porque não querem revelar o verdadeiro motivo. E nós também não éramos tão inocentes assim, quando votamos a favor daquele plano na primeira assembleia. Não fizemos isso só porque acreditávamos naquelas besteiradas que eles vomitavam. Nós tínhamos outro motivo, mas as besteiradas nos ajudavam a escondê-lo dos outros e de nós mesmos, nos ofereciam uma oportunidade de dar a impressão de que era virtude algo que tínhamos vergonha de assumir. Cada um que aprovou o plano achava que, num sistema assim, conseguiria faturar em cima dos lucros dos homens mais capazes. Cada um, por mais rico e inteligente que fosse, achava que havia alguém mais rico e mais inteligente e que esse plano lhe daria acesso a uma fatia da riqueza e da inteligência dos que eram melhores do que ele. Mas, enquanto ele pensava que ia ganhar aquilo que não merecia e que cabia aos que lhe eram superiores, ele esquecia os homens que lhe eram inferiores e que também iam ganhar aquilo que não mereciam. Ele esquecia os inferiores que iam querer roubá-lo tanto quanto ele queria roubar seus superiores. O trabalhador que gostava de pensar que suas necessidades lhe davam o direito de ter uma limusine igual à do patrão se esquecia de que todo vagabundo e mendigo do mundo viriam gritando que as necessidades deles lhes davam o direito de ter uma geladeira igual à do trabalhador. Era esse o nosso motivo para aprovar o plano, na verdade, mas não gostávamos de pensar nisso. E então, quanto mais a ideia nos desagradava, mais alto gritávamos que éramos a favor do bem comum. Bem, tivemos o que merecíamos. Quando vimos o que tínhamos pedido, era tarde demais. Havíamos caído numa armadilha e não tínhamos para onde ir. Os melhores de nós saíram da fábrica na primeira semana de vigência do plano. Perdemos nossos melhores engenheiros, superintendentes, chefes, os trabalhadores mais qualificados. Quem tem amor-próprio não se deixa transformar em vaca leiteira para ser ordenhada pelos outros. Alguns sujeitos capacitados tentaram seguir em frente, mas não conseguiram aguentar muito tempo. A gente estava sempre perdendo os melhores, que viviam fugindo da fábrica como o diabo da cruz, até que só restavam os homens necessitados, sem mais nenhum dos capacitados. E os poucos que ainda valiam alguma coisa eram aqueles que já estavam lá havia muito tempo.

– Sim, isso faz sentido – concordou Dagny.

– Antigamente, ninguém pedia demissão da Século XX, e a gente não conseguia se convencer de que a companhia não existia mais. Depois de algum tempo, não podíamos mais pedir demissão porque nenhum outro empregador nos aceitaria – aliás, com razão. Ninguém queria ter qualquer tipo de relacionamento conosco, nenhuma pessoa nem firma respeitável. Todas as pequenas lojas com as quais negociávamos começaram a sair de Starnesville depressa, e no fim só restavam bares, cassinos e salafrários que nos vendiam porcarias a preços exorbitantes. As esmolas que recebíamos eram cada vez menores, mas o custo de vida subia. A lista dos necessitados da fábrica não parava de aumentar, mas a quantidade de fregueses diminuía. Havia cada vez menos renda para dividir entre cada vez mais pessoas.

Antes, dizia-se que a marca da Século XX era tão confiável quanto a de quilates num lingote de ouro.

Não sei o que pensavam os herdeiros do velho Starnes, se é que pensavam alguma coisa, mas imagino que, como todos os planejadores sociais e selvagens, eles achavam que essa marca era um selo mágico que tinha um poder sobrenatural que os manteria ricos, tal como enriquecera seu pai. Mas quando nossos fregueses começaram a perceber que nunca conseguíamos entregar uma encomenda dentro do prazo, nem produzir um motor que não tivesse algum defeito, o selo mágico passou a ter o valor oposto: as pessoas não queriam um motor, nem se ele fosse dado, se ostentasse o selo da Século XX. E no fim nossos fregueses eram todos do tipo que nunca pagam o que devem e nunca têm nem mesmo intenção de pagar.

Dagny estava cada vez mais surpresa com tudo o que o vagabundo lhe dizia e não tirava os olhos dele.

– No entanto, Gerald Starnes, dopado por sua própria publicidade, ficava todo empertigado, com ar de superioridade moral, exigindo que os empresários comprassem nossos motores, não porque fossem bons, mas porque tínhamos muita necessidade de encomendas. Àquela altura, qualquer imbecil já podia ver o que gerações de professores não haviam conseguido enxergar. De que adiantaria nossa necessidade, para uma usina, quando os geradores paravam porque nossos motores não funcionavam direito? De que ela adiantaria para um paciente sendo operado, quando faltasse luz no hospital? De que adiantaria para os passageiros de um avião, quando as turbinas pifassem em pleno voo? E se eles comprassem nossos produtos não por causa de seu valor, mas por causa de nossa necessidade, isso seria correto, bom, moralmente certo para o dono daquela usina, o cirurgião daquele hospital, o fabricante daquele avião?

Pois era essa a lei moral que os professores, líderes e pensadores queriam estabelecer no mundo inteiro.

Se era esse o resultado quando ela era aplicada numa única cidadezinha onde todos se conheciam, a senhora pode imaginar o que aconteceria em escala mundial? Pode imaginar o que aconteceria se a senhora tivesse de viver e trabalhar afetada por todos os desastres e toda a malandragem do mundo?

Trabalhar – e, quando alguém cometesse um erro em algum lugar, a senhora é que teria de pagar.

Trabalhar – sem jamais ter perspectivas de melhorar de vida, sendo que suas refeições, suas roupas, sua casa e seu prazer estariam à mercê de qualquer trapaça, de qualquer problema de fome ou de peste em qualquer parte do mundo. Trabalhar, sem nenhuma perspectiva de ganhar uma ração extra enquanto os cambojanos não tivessem sido alimentados e os patagônios não tivessem todos feito faculdade.

Trabalhar, tendo cada criatura no mundo um cheque em branco na mão, gente que a senhora nunca vai conhecer, cujas necessidades a senhora jamais vai saber quais são, cuja capacidade, preguiça, desleixo e desonestidade são coisas de que a senhora jamais vai ter ciência nem terá o direito de questionar – enquanto as Ivys e os Geralds da vida resolvem quem vai consumir o esforço, os sonhos e os dias da sua vida. E é essaa lei moral que se deve aceitar? Isso é um ideal moral?

Diante do semblante atônito de Dagny, ele concluiu:

– Olhe, nós tentamos – e aprendemos. Nossa agonia durou quatro anos, da primeira assembleia à última, e acabou da única maneira que podia acabar: com a falência da companhia. Na nossa última assembleia, foi Ivy Starnes que tentou manter as aparências. Fez um discurso curto, vil e insolente dizendo que o plano havia fracassado porque o restante do país não aceitara que uma única comunidade poderia ter sucesso no meio de um mundo egoísta e ganancioso, e que o plano era um ideal nobre, mas que a natureza humana não era suficientemente boa para que ele desse certo. Um rapaz – o mesmo que fora punido por dar uma boa ideia no primeiro ano – se levantou, enquanto todos os outros permaneciam calados, e se dirigiu até Ivy, que estava no tablado. Sem dizer nada, ele cuspiu na cara dela. Foi assim que acabaram o nobre plano e a Século XX.__

 Trecho extraído das páginas 594 - 602 de A Revolta de Atlas


“A Revolta de Atlas”, de Ayn Rand

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Alguns motivos para você ler “A Revolta de Atlas”, de Ayn Rand

A "Revolta de Atlas", de Ayn Rand, foi considerado o 2º livro mais influente da História. Eis outros motivos para lê-lo

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Para Ayn Rand, criadores e inovadores são heróis. Carregam o mundo nas costas, assim como Atlas da mitologia.
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18/06/2013 -Vídeo enviado por Alberto Nascente
Os homens de razão se rebelaram, e liderados por John Galt, aderiram a uma "greve" e sumiram da ...


Dica da semana: Quem é John Galt?

08 de julho de 2012



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Claudio Estevam Próspero 
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Nossa Espécie (Homo Sapiens Sapiens Demens - Edgar Morin) Agradece!

Durante séculos, a luta da moralidade foi travada entre aqueles que afirmavam que a sua vida pertence a Deus e aqueles que afirmavam que ela pertence ao próximo (Sociedade). Ela pertence a vocês, e que o bem consiste em vivê-la

Doutrina Espírita: “Ler tudo e reter o que for bom” - Paulo (Tessalonicenses, 5:21) => Tudo pode ser examinado (sem censura). Só o que for bom será incorporado. 
A Verdade está no Ponto Intermediário de todas as suas Versões.
Os Capitalismos de Estado e os Capitalismos de Corporações são CORRUPÇÕES igualmente danosas do Livre Mercado. Adam Smith, em A Riqueza das Nações, falava de algo similar às nossas atuais Feiras Livres (muitos produtores com acesso a muitos consumidores).
Acordos / Zonas de Livre Comércio (ALCA, Comunidade Européia, Mercosul, etc.) são restrições ao Livre Mercado: criam privilégios de venda para alguns produtores, em prejuízo dos consumidores.
A única regulação não corruptível é aquela derivada das ações dos Cidadãos e Consumidores CONSCIENTES DE SEUS VERDADEIROS INTERESSES, na Economia e na Política.
'Vários mundos', criados por bilhões de EMPREENDEDORES, é a máxima realização do potencial da Humanidade, através da realização do potencial único de cada SER HUMANO.

Via GMail em 29 de janeiro de 2014 - Compartilhamento de Projeto de Estudo - Verão/2014

Quem é John Galt?
por Ayn Rand
(Copio o post aqui por ter corrigido algumas palavras)
Em 1991 a biblioteca do congresso americano recebeu a missão de descobrir qual havia sido o livro que mais influenciara a vida das pessoas. A "Bíblia" ficou com o primeiro lugar, "Quem é John Galt?" ficou com o segundo lugar. O livro da escritora russa Ayn Rand foi lançado na década de 1950 e até hoje já vendeu milhões de exemplares ganhando dos críticos o título de "Guerra e Paz" do capitalismo.
Abaixo alguns trechos selecionados.
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Há doze anos vocês se perguntam: "Quem é John Galt?" Quem está falando é John Galt.

Eu sou o homem que ama a vida. Eu sou o homem que não sacrifica seu amor nem seus valores. (...) Os únicos conceitos de moralidade que vocês conhecem são o místico e o social. Vocês aprenderam que a moralidade é um código de comportamento imposto pelo capricho de um poder sobrenatural ou pelo capricho da sociedade, para servir os desígnios de Deus ou o bem-estar do próximo, para agradar a uma autoridade do outro mundo ou da casa ao lado - mas não para servir a sua própria vida e o seu próprio prazer. Vocês aprenderam que o seu próprio prazer se encontra na imoralidade, os seus próprios interesses residem no mal, e que todo código moral tem que ser voltado não para vocês, mas contra vocês, não para promover a vida, mas para abatê-la.
Durante séculos, a luta da moralidade foi travada entre aqueles que afirmavam que a sua vida pertence a Deus e aqueles que afirmavam que ela pertence ao próximo - entre aqueles que pregavam que o bem é sacrificar-se em nome de fantasmas no céu e aqueles que pregavam que o bem é sacrificar-se em nome dos incompetentes na terra. E ninguém veio para dizer-lhes que a sua vida pertence a vocês, e que o bem consiste em vivê-la.
Ambas as partes em conflito (místicos e coletivistas) estavam de acordo quanto a uma coisa: a moral exige que se abandone o interesse próprio e a mente, a moral e a vida prática são conflitantes, a moralidade não faz parte do domínio da razão, e sim da fé e da força. Ambas as partes concordavam que não é possível haver uma moralidade racional, que não há certo e errado na razão - que na razão não há razão para se agir conforme a moral.
Ainda que brigassem por vários motivos, todos os moralistas se uniam na luta contra a mente do homem. Era a mente do homem que todos os sistemas e dogmas deles visavam a saquear e a destruir. Agora vocês têm que optar: ou morrer ou aprender que ser contra a mente é ser contra a vida.
A mente do homem é o instrumento básico de sua sobrevivência. A vida lhe é concedida, mas não a sobrevivência. Seu corpo lhe é concedido, mas não o seu sustento. Sua mente lhe é concedida, mas não o seu conteúdo. Para permanecer vivo, ele tem de agir, e para que possa agir, ele tem que conhecer a natureza e o propósito de sua ação. Ele não pode obter seu alimento sem conhecer qual é seu alimento e como tem de agir para obtê-lo. Não pode cavar um buraco, nem construir um cíclotron, sem conhecer seu objetivo e os meios de atingi-lo. Para permanecer vivo, ele tem de pensar.
(...)

A felicidade é o estado de sucesso na vida; a dor é um agente da morte. A felicidade é aquele estado da consciência que decorre da realização dos valores que se têm. Uma moralidade que ousa dizer-lhes que vocês devem procurar a felicidade na renúncia à sua felicidade - valorizar o fracasso de seus valores - é uma insolente negação da moralidade. Uma doutrina que lhes dá como ideal o papel de animal a ser sacrificado em holocausto no altar dos outros lhes dá a morte como padrão. Por obra e graça da realidade e da natureza da vida, o homem - todo homem - é um fim em si, existe por si, e a realização de sua própria felicidade é seu mais elevado objetivo moral.
Mas nem a vida nem a felicidade podem ser alcançadas pela busca de caprichos irracionais. Assim como o homem é livre para tentar sobreviver de qualquer maneira aleatória - mas há de morrer se não viver de acordo com as exigências da natureza - assim também ele é livre para buscar sua felicidade em qualquer fraude irracional; nesse caso, porém, a tortura da frustração é tudo que ele encontrará, a menos que ele busque a felicidade própria do homem. O objetivo da moralidade é ensinar não a sofrer e morrer, e sim a gozar a vida e viver.
(...)

Não, vocês não são obrigados a viver como homens; esse é um ato de escolha moral. Mas vocês não podem viver como nenhuma outra coisa - e a alternativa é esse estado de morto-vivo que vocês agora veem dentro de si próprios e a seu redor, esse estado de coisa incapaz de existir, que não é mais humano e é algo menos que um animal, que só conhece a dor e se arrasta na agonia da autodestruição irracional.
Não, vocês não são obrigados a pensar; esse é um ato de escolha moral. Mas alguém teve de pensar para mantê-los vivos; se vocês optam pela inconsequência, vocês fraudam a existência e repassam esse déficit para algum homem moralmente correto, na esperança de que ele sacrifique seu próprio bem para que vocês possam sobreviver a seu próprio mal.
Não, vocês não são obrigados a ser homens; mas hoje em dia aqueles que o são não estão mais aí. Eu retirei do mundo de vocês seus meios de sobrevivência - suas vítimas.
(...)

Do mesmo modo como sustento minha vida não por meio do roubo nem de esmolas, e sim pelo meu próprio esforço, assim também não tento basear minha felicidade na desgraça dos outros nem nos favores que os outros me concedam, porém a ela faço jus por minhas próprias realizações. Do mesmo modo como não considero o prazer dos outros o objetivo da minha vida, assim também não considero o meu prazer o objetivo das vidas dos outros. Do mesmo modo como não há contradições nos meus valores nem conflitos nos meus desejos - assim também não há vítimas nem conflitos de interesse entre homens racionais, homens que não desejam o imerecido nem se encaram uns aos outros com uma volúpia de canibal, homens que nem fazem sacrifícios nem os aceitam.
(...)

Vocês me perguntam que obrigação moral eu tenho para com os meus semelhantes? Nenhuma - senão aquela que devo a mim mesmo, aos objetivos materiais e a toda a existência: a racionalidade. Trato os homens como requerem minha natureza e as exigências deles: por meio da razão. Não busco nem desejo nada deles senão os relacionamentos nos quais eles escolham entrar por livre e espontânea vontade. Só sei lidar com suas mentes - e assim mesmo quando isso é do meu interesse - quando eles veem que meu interesse coincide com o deles. Quando isto não acontece, não entro em relação alguma; quem discordar de mim que siga o seu caminho, que eu não me desvio do meu. Só venço por meio da lógica, e só a lógica me rendo. Não abro mão de minha razão, nem lido com homens que abrem mão da sua. Nada tenho a ganhar com idiotas e covardes; não tento ganhar nada dos vícios humanos: a estupidez, a desonestidade, o medo. O único valor que os homens podem me oferecer é o produto de sua mente. Quando discordo de um homem racional, deixo que a realidade seja nosso árbitro final; se eu estiver certo, ele aprenderá; se eu estiver errado, aprenderei; um de nós ganhará, porém nós dois lucraremos.
(...)

É apenas como retaliação que a força pode ser usada - e somente contra a pessoa que foi a primeira a usá-la. Não, não compartilho da maldade dela nem me rebaixo ao seu conceito de moralidade: apenas lhe concedo sua escolha, a destruição, a única destruição que ela tinha o direito de escolher: a dela mesma. Ela usa a força para se apossar de um valor; eu a uso apenas para destruir a destruição. O assaltante tenta enriquecer matando-me; eu não me torno mais rico quando mato o assaltante. Não busco valores por meio do mal, nem submeto meus valores ao mal.
(...)

Vocês que cultuam o zero - vocês jamais descobriram que realizar a vida não é equivalente a evitar a morte. O prazer não é 'a ausência da dor', a inteligência não é 'a ausência da estupidez', a luz não é 'a ausência da escuridão', uma entidade não é 'a ausência de uma nulidade'. Construir não é coisa que se realize simplesmente pelo fato de não demolir; não adianta passar séculos parado, sem demolir: nem sequer uma viga se erguerá - e agora vocês não podem mais dizer a mim, o produtor: 'Produza e nos alimente que em troca nós não destruiremos sua produção', pois eu responderei, em nome de todas as vítimas que vocês fizeram: Morram com o seu próprio vazio. A existência não é uma negação de negações. O mal, e não o valor (bem), é que é uma ausência e uma negação; o mal é impotente, e só dispõe do poder que lhe permitimos arrancar de nós. Morram, porque aprendemos que um zero não pode hipotecar a vida.
Vocês querem esquivar-se da dor. Nós queremos atingir a felicidade. Vocês existem para evitar o castigo. Nós existimos para fazer jus às recompensas. As ameaças não nos farão trabalhar; o medo não é nosso incentivo. Não queremos evitar a morte e sim viver.
(...)

O bem, dizem os místicos do espírito, é Deus, um ser cuja única definição é estar além do poder de concepção do homem - definição essa que invalida a consciência do homem e anula seus conceitos de existência. O bem, dizem os místicos dos músculos, é a Sociedade - algo que eles definem como um organismo que não possui forma física, um super-ser que não se concretiza em nenhum indivíduo específico e sim em todos em geral, mas nunca em vocês. A mente do homem, dizem os místicos do espírito, deve subordinar-se à vontade de Deus. O padrão de valor do homem, dizem os místicos do espírito, é o bel-prazer de Deus, cujos padrões estão além do poder de compreensão do homem e têm de ser aceitos pela fé. O padrão de valor do homem, dizem os místicos dos músculos, é o bel-prazer da Sociedade, cujos padrões estão além do direito de julgar do homem e têm que ser obedecidos como um absoluto. O objetivo da vida do homem, dizem ambos, é se tornar um zumbi abjeto que serve um objetivo que ele desconhece, por motivos que ele não pode questionar. Sua recompensa, dizem os místicos do espírito, lhe será dada após a morte. Sua recompensa, dizem os místicos dos músculos, será dada aqui mesmo na terra - a seus bisnetos.
O egoísmo - dizem ambos - é o mal do homem. O bem do homem - dizem ambos - é abrir mão de seus desejos individuais, negar-se a si próprio, renunciar a si próprio, render-se; o bem do homem é negar a vida que ele vive. O sacrifício - exclamam ambos - é a essência da moralidade, a mais elevada virtude ao alcance do homem.
Todo aquele que está agora ao alcance da minha voz, todo aquele que seja vítima e não assassino, que está me ouvindo falar ao pé do leito de morte da sua mente, a um passo daquele abismo negro no qual vocês agora estão se afogando, e se ainda resta em vocês o poder de lutar para não perderem os últimos vestígios daquilo que vocês tinham como seu - usem-no agora. A palavra que o destruiu é sacrifício. Use o que resta da sua força para entenderem o significado dessa palavra. Vocês ainda estão vivos. Vocês ainda têm uma chance.

(...)

Se vocês querem salvar os últimos vestígios de sua dignidade, não chamem as suas melhores ações de 'sacrifícios': esta palavra os rotula de imorais. Se uma mãe compra comida para seu filho que tem fome em vez de um chapéu para si própria, isso não é sacrifício: ela dá mais valor ao filho do que ao chapéu; porém isso é um sacrifício para o tipo de mãe que dá mais valor ao chapéu, que preferia ver o próprio filho morrer de fome, e só lhe dá comida por obrigação. Se um homem morrer lutando por sua própria liberdade, isso não é sacrifício: ele não está disposto a viver como escravo; porém isso é um sacrifício para o tipo de homem que está disposto a viver como escravo. Se um homem se recusa a vender suas convicções, isso não é um sacrifício, a menos que ele seja o tipo de homem que não tem convicções.
(...)

Por que é imoral produzir um valor e ficar com ele, mas não o é dá-lo aos outros? E se é imoral para vocês ficar com esse valor, por que não é imoral para os outros aceitá-lo? Se vocês são altruístas e virtuosos quando o dão, eles não serão egoístas e maus quando o aceitam? Então a virtude consiste em servir o vício? Então o objetivo moral dos bons é imolar-se em benefício dos maus?
A resposta de que vocês se esquivam, a resposta monstruosa é: Não, os que recebem não são maus, desde que eles não mereçam o valor que vocês lhes deram. Não é imoral para eles aceitar a dádiva, desde que eles sejam incapazes de produzi-la, incapazes de merecê-la, incapazes de lhes dar algo em troca. Não é imoral para eles encontrar prazer nela, desde que eles não a obtenham por direito.
(...)

Assim como não pode haver riqueza sem causa, assim também não pode haver amor sem causa, nem nenhuma emoção sem causa. Uma emoção é uma reação a um aspecto da realidade, uma estimativa ditada pelos seus padrões: Amar é *valorizar*. O homem que diz que é possível valorizar sem valores, amar aqueles que vocês consideram desprovidos de valor, é o homem que afirma que é possível enriquecer consumindo sem produzir, e que papel-moeda é tão valioso quanto ouro.
(...)

O amor é a manifestação dos valores que se têm, a maior recompensa a que se pode fazer jus através das qualidades morais que se atingiram no caráter e na própria pessoa, o preço emocional pago por um homem pelo prazer que lhe proporcionam as virtudes de outro. A sua moralidade exige que vocês divorciem o seu amor dos seus valores e o entreguem a qualquer vagabundo, não como uma resposta a seu valor, e sim como um resposta à sua necessidade; não como recompensa, mas como esmola; não como remuneração de virtudes, mas como um cheque em branco concedido aos vícios. A sua moralidade lhes diz que o objetivo do amor é liberá-los das amarras da moralidade, que o amor é superior ao discernimento moral, que o verdadeiro amor transcende, perdoa e sobrevive a toda espécie de erro em seu objeto, e quanto maior o amor, maior a depravação permitida ao amado. Amar um homem por suas virtudes é mesquinho e humano, diz esta moralidade; amá-lo por seus defeitos é divino. Amar aqueles que são merecedores de valor não passa de interesse; amar os que não merecem amor é sacrifício.
(...)

Qual a natureza daquele mundo superior ao qual vocês sacrificam esse mundo que realmente existe? Os místicos do espírito amaldiçoam a matéria, os místicos da Sociedade amaldiçoam o lucro. Aqueles querem que os homens lucrem renunciando ao mundo; estes, que os homens herdem o mundo renunciando ao lucro. Os mundos sem matéria e sem lucros por eles propostos são terras em que nos rios correr café com leite, brota vinho das pedras quando eles assim ordenam, caem pastéis do céu quando abrem a boca. No mundo material em que vivemos, em que as pessoas correm atrás do lucro, é necessário um investimento enorme de virtude - de inteligência, integridade, energia e capacidade - para construir uma ferrovia de um quilômetro de extensão; no mundo sem matéria e sem lucro que os místicos propõem, viaja-se de um planeta a outro graças à formulação de um desejo. Se uma pessoa honesta lhes pergunta 'Como?' - eles respondem, com indignação e escárnio, que 'como' é um conceito de realistas vulgares; o conceito dos espíritos superiores é 'de algum modo'. Neste nosso mundo circunscrito pela matéria e o lucro, as recompensa requerem o pensamento; num mundo libertado de tais restrições, basta desejar.
(...)

Toda vez que vocês se revoltam contra a causalidade, o que os motiva é o desejo fraudulento não de escapar dela, mas, o que é pior, de invertê-la. Vocês querem amor imerecido, como se amor, que é efeito, lhes pudesse atribuir valor pessoal, que é a causa; querem admiração imerecida, como se a admiração, o efeito, pudesse lhes conferir virtude, a causa; querem riquezas imerecidas, como se a riqueza, o efeito, pudesse lhes conferir capacidade, a causa; imploram por piedade, PIEDADE não justiça, como se um perdão imerecido pudesse ter o efeito de apagar a causa do seu pedido de misericórdia. E para permitirem estas suas falsificações mesquinhas, vocês defendem as doutrinas de seus mestres, enquanto eles andam por aí proclamando que os gastos, que são o efeito, é que criam as riquezas, que é a causa; que as máquinas, o efeito, criam a inteligência, a causa; que os seus desejos sexuais, o efeito, criam os seus valores filosóficos, a causa.
(...)

A vida entre vocês é um gigantesco fingimento, uma farsa que um representa para o outro, cada um se achando o único diferente, o único culpado, cada um atribuindo a autoridade moral ao incognoscível que só os outros conhecem, cada um falseando a realidade que acha que os outros querem que ele falseie, nenhum com a coragem de quebrar o círculo vicioso.
(...)

Para vocês, a moralidade é um espantalho constituído de dever, tédio, castigo e dor, um cruzamento da primeira professora que vocês tiveram no primário com o coletor de impostos de agora, um espantalho colocado num campo estéril, sacudindo uma vara para espantar os seus prazeres - e prazer, para vocês é um cérebro empapado de álcool, uma prostituta animalesca, o estupor de um imbecil que aposta dinheiro numa corrida de animais, pois o prazer não pode ser algo moralmente correto.
(...)

Aceitem o fato de que vocês não são oniscientes, mas saibam que bancar o zumbi não vai torná-los oniscientes; aceitem o fato de que a sua mente é falível, mas admitam que livrar-se da mente não vai torná-los infalíveis; aceitem o fato de que um erro que vocês cometeram por iniciativa própria é mais seguro do que dez verdades aceitas por fé, porque a sua iniciativa lhes dá os meios de corrigi-lo, enquanto a mera aceitação destrói a sua capacidade de distinguir a verdade do erro. Substituam o seu sonho de autômatos oniscientes, aceitem o fato de que todo conhecimento que o homem adquire é fruto de sua própria vontade e de seu próprio esforço, e que isto é que o distingue no universo, esta é a sua natureza, sua moralidade, sua glória.
(...)

Aquilo que vocês não sabem não pode representar uma acusação moral contra vocês; mas aquilo que vocês se recusam a saber é marca da infâmia que cresce na sua alma. Tenham toda a tolerância possível com os erros de conhecimento; não perdoem nem aceitem nenhum deslize moral.
(...)

Um passo básico na aprendizagem do amor-próprio é encarar como sinal de canibalismo toda *exigência* de ajuda. O homem que exige ajuda de vocês está afirmando que a sua vida é propriedade dele - e por mais repugnante que isso seja, há algo ainda mais repugnante: concordar e aceitar. Perguntam vocês: é bom ajudar outro homem? Não, se ele afirma que se trata de um direito dele ou de um dever moral seu; sim, se isto é o que vocês desejam, com base no prazer egoísta que lhes proporciona o *valor* da pessoa e da *luta* do outro. O sofrimento, enquanto tal, não é valor. Só a luta do homem contra o sofrimento o é.

(...)

Direitos são um conceito moral - e a moral é uma questão de escolha. Os homens têm a liberdade de não optar pela sobrevivência do homem como padrão de sua moralidade e de suas leis, mas não a de esquivar-se do fato de que a alternativa é uma sociedade de canibais, que existe por algum tempo devorando o que ela tem de melhor e depois cai como um corpo canceroso, quando os saudáveis já foram comidos pelos doentes, quando os racionais já foram consumidos pelos irracionais. Este sempre foi o destino histórico das sociedades, mas vocês se esquivaram do conhecimento da causa.
(...)

Vocês resolveram achar que era injusto que nós, que retiramos vocês das choupanas e lhes demos apartamentos modernos, rádios, cinemas e automóveis, tivéssemos palácios e iates - resolveram que vocês tinham direito a receber seu salário, mas nós não tínhamos direito de receber nossos lucros; que vocês não queriam que lidássemos com as suas mentes e sim com as suas armas, mas nossa resposta foi: 'pois que se danem!' E foi o que de fato aconteceu. Vocês se danaram.

 

 

 

John Galt

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
John Galt
Origem
Americano
Sexo
Masculino
Espécie
Humano
Actividade(s)
Criado por
Época(s)
John Galt é um personagem do romance A Revolta de Atlas (1957) da escritora russo-americana Ayn Rand. Ele não é identificado até o terceiro volume do romance, sendo objeto de uma pergunta feita diversas vezes ao longo do livro "Quem é John Galt?".

Galt é conhecido por ser um filósofo e inventor que acredita no poder e na glória da mente humana e no direito do indivíduo usá-la a seu favor. Ele é mais que um mero personagem: é um ideal. Os valores que permeiam John Galt levam a um incentivo do trabalho que cada indivíduo pode desempenhar, com suas próprias forças, para melhorar tanto a sua vida quanto a do que os rodeiam, ainda que indiretamente. John Galt prega o poder de superação, ante os obstáculos que a vida muitas vezes oferece.

Assim, o ideal John Galt não se identifica com um único indivíduo, mas sim com todos aqueles que trilham o seu caminho na procura da realização de seus mais profundos sonhos, buscando, sempre, ultrapassar as barreiras por ventura surgidas a fim de que não sejam impedidas de continuar sua caminhada.

 

“A Revolta de Atlas”, de Ayn Rand

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