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De Masi: Ócio Criativo = Misto Indivisível de (Diversão + Educação + Trabalho)
Entrevista com Domenico de Masi: o trabalho no Século XXI
BLOG - Branding, Consumo e Negócios - Marcos Bedendo e Fabricio Trevisan desvendam o mundo das grandes marcas
No último dia 18 de agosto tive a oportunidade de ter uma ótima conversa com Domenico de Masi, o sociólogo italiano que tem seu trabalho voltado para as mudanças nas relações sociais de nossa época, a qual ele denomina de “pós-industrialismo”. Domenico de Masi ficou conhecido no Brasil especialmente por seu livro “O ócio criativo”, mas é autor de outros já traduzidos para o português, nos quais retrata a sua perspectiva sobre as mudanças que a sociedade vem passando e as que ainda terá que passar para se adaptar a essa nova era. Alguns deles são: “Desenvolvimento Sem Trabalho”, “A Emoção e a Regra”, “O Futuro do Trabalho” e “O Futuro Chegou”.
O futuro das cafeterias: O Cafe X é um robô que pode fazer 120 xícaras de café por hora, desde os gelados até os expressos. O criador dele o fez após se cansar de esperar em filas. O robô é parte de um crescente boom de automação no setor de bebidas e comidas... #Robotics https://youtu.be/FqOCq-zl3n4
Origem histórica do ócio - ppt
PRINCÍPIO BÁSICOS DO ÓCIO CRIATIVO
Slide 2: Origem histórica do ócio
Para Aristóteles o ócio era "uma condição ou estado - estado de estar livre da necessidade de trabalhar".
O termo definia bem a sociedade grega da época, principalmente os atenienses, que se caracterizavam por dedicar seu tempo às idéias e ao espírito.
Tudo isso tinha uma explicação bem plausível pois o mesmo só erapossível graças a uma sociedade baseada num sistema escravista.
Este conceito passou por mudanças após nova definição dada pelos Romanos que buscavam no ócio não um fim mas sim um meio de descanso entre suas diversas atividades de comércio exército e governo.
http://slideplayer.com.br/amp/3147534/
"Pensões serão pagas pela geração de riqueza"
Para De Masi, até 2030 haverá 60% menos vagas e a Previdência deixará de ser sustentada pela taxação do trabalho
Cristiane Barbieri - Especial para o Estado
12 Dezembro 2017 | 05h00
“Quanto mais se aumentam os ganhos de produtividade com tecnologia, mais cresce a riqueza dos empreendedores. Oito pessoas têm metade da riqueza da humanidade. Isso não pode continuar ao infinito.
“Na sociedade industrial, foi dado ao trabalho uma importância que antes não havia e o ser humano foi tratado como máquina. Agora, O trabalho pode ser relegado a elas.
O trabalho é considerado elemento que liberta, como está escrito no campo de concentração de Dachau. Porém, o que liberta é o trabalho criativo. O do operário, do empregado, é escravo. Agora, esse tipo de trabalho pode ser relegado aos robôs, às máquinas e à inteligência artificial.
Cada grego livre tinha oito escravos. Hoje, uma casa moderna, com suas lavadoras de roupa, de louça e outros equipamentos, tem o equivalente a 33 escravos. Já temos a possibilidade de viver como os gregos livres, se a riqueza fosse distribuída igualmente.
No Brasil, o PIB per capita é de US$ 9 mil. Se cada brasileiro tivesse US$ 9 mil, o país seria feliz. Mas alguns têm riqueza de milhões de dólares e outros não tem nada. O problema moderno, atual, da sociedade ocidental, não é a produção da riqueza, mas sua distribuição. (...)
Como deverá ser o futuro do trabalho?
Minha pesquisa tem uma perspectiva que se reflete até 2030.
Três fatores principais modificarão as condições do mercado de trabalho até lá: a tecnologia, a feminilização e a globalização.
Em 2030, as mulheres continuarão vivendo mais do que os homens e cerca de 60% dos estudantes universitários, dos formados e dos professores de mestrado, serão mulheres. Elas serão muito mais instruídas e se tornarão o centro do sistema social.
A tecnologia também mudará o mundo do trabalho: a engenharia genética curará muitas doenças, a inteligência artificial substituirá parte do trabalho intelectual, a nanotecnologia permitirá que os objetos se relacionem entre si e conosco, as impressoras 3D possibilitarão construirmos em casa multi-objetos.
Já os sistemas produtivos transformarão o mundo numa única ágora. Tele-aprenderemos, tele-trabalharemos, tele-amaremos e nos tele-divertiremos. Não haverá mais privacidade. Será impossível esquecer-se, perder-se, aborrecer-se e isolar-se. (...)
Com menos vagas e pessoas trabalhando, quem pagará pensões e aposentadorias?
Teremos mais riqueza. Hoje, quem trabalha paga pelo que recebem os pensionistas e aposentados. No futuro, como os trabalhadores serão sempre menos e a riqueza produzida será sempre maior, o recolhimento deverá ser feito sobre a base da riqueza e não dos trabalhadores. É uma revolução. Haverá menos trabalhadores, mas produzirão muito mais riqueza.
As empresas vão abrir mão de seus ganhos?
Atualmente, quanto mais se aumentam os ganhos de produtividade com a tecnologia, mais cresce a riqueza dos empreendedores. Isso não pode continuar ao infinito. Neste momento, está se criando uma divisão injusta na riqueza. (...)
O trabalho continuará sendo o sentido da vida?
No plano histórico, isso mudou muito. Na época da Grécia e da Roma antiga, no Renascimento, o trabalho era uma atividade vergonhosa, só feito pelos escravos. As pessoas nobres, aristocráticas, livres, os instruídos, não trabalhavam. Se ocupavam da gestão das cidades, da guerra, da literatura, da filosofia. O trabalho, só faziam os escravos.
Essa atividade se tornou importante na vida do homem, nos últimos 200 anos. Com a chegada da sociedade industrial, foi dado ao trabalho uma importância central, que antes não havia. Nesse período, o ser humano foi tratado como máquina. O trabalho é considerado elemento que liberta, como está escrito no campo de concentração de Dachau. Porém, o que liberta é o trabalho criativo. O do operário, do empregado, é escravo. Agora, esse tipo de trabalho pode ser relegado aos robôs, às máquinas e à inteligência artificial.
Cada grego livre tinha oito escravos. Hoje, uma casa moderna, com suas lavadoras de roupa, de louça e outros equipamentos, tem o equivalente a 33 escravos. Já temos a possibilidade de viver como os gregos livres, se a riqueza fosse distribuída igualmente.
No Brasil, o PIB per capita é de US$ 9 mil. Se cada brasileiro tivesse US$ 9 mil, o país seria feliz. Mas alguns têm riqueza de milhões de dólares e outros não tem nada. O problema moderno, atual, da sociedade ocidental, não é a produção da riqueza, mas sua distribuição. (...)
Desenvolvimento sem trabalho – Domenico de Masi – Editora Esfera / John Maynard Keynes: Perspectivas econômicas para os nossos netos
De Masi é mais do que atual, polêmico ou instigante. É um otimista!
Num momento em que o desemprego ronda a humanidade e todos se acham ameaçados por esse monstro, Domenico De Masi vê, por meio da lente da História, que o desemprego é a face visível de um fenômeno mais profundo : a libertação do trabalho.
“O trabalho é, pela sua natureza, uma maldição bíblica. Desenvolve-se em lugares indecentemente feios, onde uma pessoa deve passar muito tempo, gastando muita energia, com rituais inúteis... Será que a mitologia do horário, do controle e da hierarquia é realmente produtiva?”(Domenico De Masi, em O Estado de S. Paulo, 30 de maio de 1999.)
“Em 1857, isto é, há quase um século e meio, Marx tinha escrito : ‘É chegado o tempo em que os homens não mais farão o que as máquinas podem fazer’ e tinha concluído que o capitalismo, tendendo de forma inexorável para a abolição do trabalho, teria dessa forma provocado sua própria morte.” (Domenico De Masi)
“Quando na fábrica totalmente robotizada da Benetton for possível produzir roupa sem que nenhuma hora de trabalho humano tenha participado no ciclo produtivo, então o sonho ancestral terá sido realizado, mesmo que, por ironia do destino, os homens experimentem-no não como a libertação do trabalho, mas como o pesadelo do desemprego.”(Domenico De Masi)
Professor titular de Sociologia da Universidade la Sapienza de Roma, Domenico De Masi é presidente da Societá Italiana per il Telelavoro (SIT) e do Istituto Nazionale Architettura (IN/ARCH). É membro do comitê científico de diversas revistas italianas e diretor responsável da revista Next-Strumenti per l’innovazione. Atua como consultor organizacional, com serviços prestados à Fiat, IBM, Pirelli e Glaxo, entre outras empresas.
Seu livro A Emoção e a Regra (Os Grupos Criativos na Europa de 1850 a 1950), onde o autor demonstra conclusões de estudo patrocinado pela IBM, sobre modelos de equipes criativas, encontra-se na 4a edição, no Brasil.
Sua participação no programa Roda Viva (TV Cultura) em Janeiro/99, provocou tamanha repercussão, que foi novamente entrevistado em Junho/99. A fita do primeiro programa teve uma venda de 5.000 cópias, mantendo índices de venda regulares após 6 meses da apresentação. A do segundo programa já possuía fila de espera antes das cópias estarem disponíveis.
Também no programa Milênio da Globonews, sua participação teve grande impacto, levando a sua reapresentação três semanas após a primeira exibição.
Desenvolvimento Sem Trabalho (Português) Capa Comum – 1 jan 1999
Sumário
Dez teses ...................................................................................... 07
Livres e escravos na Grécia antiga ........................................... 13
Livres e escravos em Roma e na Itália ...................................... 19
Do baixo império à Idade Média: declina a
escravidão, nascem os servos da gleba ................................... 22
O papel da motivação ............................................................... 25
O progresso tecnológico na Idade Média e a
“síndrome de Vespasiano” ........................................................ 30
A parasceve de Bacon ............................................................... 34
Da proto-industrialização à industrialização .............................. 36
Taylor e a eliminação do trabalho .............................................. 39
Trabalho pós-industrial e obstinação empresarial ..................... 45
Keynes: trabalhar tres horas por dia ......................................... 48
Adret: trabalhar duas horas por dia .......................................... 56
Desempregado será uma boa ................................................... 60
“Prosuming” e padronização ..................................................... 64
A “síndrome japonesa” ...............................................................66
“Workers of the word, be warned!” ............................................ 68
“Jobless prosperity” ....................................................................72
O masoquismo dos indefesos ....................................................75
O sadismo dos machistas ......................................................... 78
O americano, o japonês e o leão ...............................................84
Apêndice ................................................................................... 89
“Se cada instrumento pudesse, a uma ordem
dada, trabalhar por si, se as lançadeiras tecessem
sozinhas, se o arco tocasse sozinho a cítara, os
empreendedores não iriam precisar de operários
e os patrões dispensariam os escravos
Aristóteles
“Acreditar que os trabalhadores substituídos pelas
máquinas encontrarão inevitavelmente trabalho
na construção dessas mesmas máquinas equivale
a acreditar que os cavalos substituídos pelos
veículos mecânicos poderiam ser utilizados nos
diferentes setores da indústria automobilística.”
Wassily Leontief
“A sociedade do desenvolvimento foi também
uma sociedade do trabalho. A vida dos homens
era construída em torno do trabalho[...]. Pode-se
até mesmo dizer que a figura do homem
trabalhador representou o ideal desta sociedade.
Resta-nos perguntar: o que irá acontecer quando
- para citar Hannan Arendt -, à sociedade do
trabalho, o próprio trabalho vir a faltar?”
Ralf Dahrendorf
Como trabalhadores, como desempregados, ou como pais de desempregados, de uma maneira ou de outra, estamos “dentro” do problema da falta de trabalho. Que Deus tenha Max Weber na santa paz! Assim, não adianta pretendermos a capacidade de encarar o assunto de forma objetiva. Incapazes, então, de examiná-lo “do lado de fora”, nos resta apenas olhá-lo “demoradamente e de longe”, isto é, numa perspectiva histórica indispensável para entender as razões latentes do fenômeno e, ao mesmo tempo, propiciar ao raciocínio o impulso necessário para refletir sobre o futuro próximo. O máximo que podemos arriscar ao encarar o desemprego “demoradamente e de longe” é perceber fatos nada assustadores, ou melhor, experiências bem-sucedidas e, assim, nos tornarmos otimistas – pouco confiáveis, portanto, do ponto de vista científico – aos olhos de quem considera sérios somente os diagnósticos desoladores e eficazes apenas as terapias dolorosas. Contudo o único risco que se pode correr é o de caminhar do lado ensolarado da rua.
Domenico De Masi.
Apêndice (Trechos)
Perspectivas econômicas para os nossos netos
Por John Maynard Keynes
(Conferência proferida em Madri, em junho de 1930)
Principais trechos disponíveis aqui:
Desenvolvimento sem trabalho – Domenico de Masi – Editora Esfera / John Maynard Keynes: Perspectivas econômicas para os nossos netos
PARA SABER MAIS:
Produtividade- Para o Que ou Quem?
domingo, 18 de janeiro de 2015
DE MASI, Domenico. Desenvolvimento sem trabalho - Resumo
--- "Se cada instrumento pudesse, a uma ordem dada, trabalhar por si, se as lançadeiras tecessem sozinhas, se o arco tocasse sozinho a cítara, os empreendedores não iriam precisar de operários e os patrões dispensariam os escravos." - Aristóteles
--- "Acreditar que os trabalhadores substituídos pelas máquinas encontrarão inevitavelmente trabalho na construção dessas mesmas máquinas equivale a acreditar que os cavalos substituídos pelos veículos mecânicos poderiam ser utilizados nos diferentes setores da indústria automobilística." - Wassily Leontief.
--- "A sociedade do desenvolvimento foi também uma sociedade do trabalho. A vida dos homens era construída em torno do trabalho(...). Pode-se até mesmo dizer que a figura do homem trabalhador representou o ideal desta sociedade. Resta-nos perguntar: o que irá acontecer quando - para citar Hannah Arendt -, à sociedade do trabalho, o próprio trabalho vir a faltar?" - Ralf Dahrendorf.
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
[SINAPSES] Mudaremos forma de DISTRIBUIR RIQUEZA QUE NOSSA INTELIGÊNCIA GEROU << ou >> REPRISAREMOS (CRISES CAPITALISMO=EXCESSO PRODUÇÃO) velha fórmula: “DESTRUIR EXCESSO CAPACIDADE PRODUTIVA” para manter OS MERCADOS FUNCIONANDO ??
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
3/12/1998 Sociológico italiano, Domenico De Masi defende uma nova sociologia do trabalho, baseada na criatividade e no que ele classificou como ócio criativo
Domenico de Mais no Roda Viva – TV Cultura - 3/12/1998
Sociológico italiano, Domenico De Masi defende uma nova sociologia do trabalho, baseada na criatividade e no que ele classificou como ócio criativo
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
4/1/1999 - Roda Viva - Domenico De Masi fala de suas pesquisas, da realização trazida pelo trabalho e da necessidade do tempo livre, que traz benefícios para a saúde física e mental
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