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sábado, 4 de abril de 2020

Economia Saudável em Sociedade Doente = IMPOSSÍVEL

Financial Times- Editorial: 
Vírus revela a fragilidade do contrato social. 
São necessárias reformas radicais para forjar 
uma sociedade que funcione para todos 
- O conselho editorial 
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(...)
Ele faz uma distinção clara entre Empresas e Indústria e refere-se à primeira como funcionando como um veículo de "sabotagem" para a indústria. Ele viu uma completa contradição entre a intenção ética da comunidade em geral em produzir eficientemente e com bons serviços, e as leis de propriedade privada, que tinham o poder de dirigir a indústria para a causa apenas do lucro, reduzindo sua eficiência e intenção. O termo "sabotagem", nesse contexto, foi definido por Veblen como a "retirada consciente de eficiência". [266]
"A planta industrial está cada vez mais operando de forma ociosa ou parcialmente ociosa, operando com sua capacidade produtiva de maneira cada vez mais reduzida. Trabalhadores estão sendo demitidos... E enquanto essas pessoas estão em grande necessidade de todos os tipos de bens e serviços que essas plantas ociosas e operários ociosos estão aptos a produzir. Mas, por razões de conveniência empresarial é impossível deixar essas plantas ociosas e operários ociosos trabalharem - ou seja, por não haver lucro suficiente para os homens de negócios, ou em outras palavras, por não haver renda suficiente para os interesses escusos". [267]
[266] [267] The Engineers and the Price System, Thorstein Veblen, New York, Augustus M. Kelley, 1965 _{Os Engenheiros e o Sistema de Preços}_
Além disso, Veblen, ao contrário da grande maioria das pessoas nos dias atuais que condenam os atos de "corrupção" por razões éticas, não viu nenhum dos problemas de abuso e exploração como uma questão de "moralidade" ou "ética". Viu os problemas como inerentes - construídos sobre a natureza do próprio Capitalismo. Ele afirma: "Não é que esses capitães dos Grandes Negócios cujo dever é administrar esta sabotagem mínima salutar na produção sejam maus. Não é que eles pretendam encurtar a vida humana ou aumentar o desconforto humano, maquinando um aumento de privação entre seus semelhantes... A questão não é saber se esse tráfego com privações é humano, mas se é uma boa gestão empresarial". [268]

No que diz respeito à natureza do governo, a visão de Veblen foi muito clara: o governo, pela sua própria construção política, existia para proteger as estruturas de ordem social e de classes existentes, reforçando as leis de propriedade privada e, por extensão, reforçando a desproporcional classe dominante (no poder). "A legislação, vigilância policial, a administração da justiça, os militares e o serviço diplomático, todos estão principalmente preocupados com as relações de negócios, interesses pecuniários, e eles têm uma preocupação pouco mais que casual com outros interesses humanos", [269], afirmou.

A ideia de democracia também estava profundamente violada pelo poder Capitalista, em sua opinião, quando afirmou que "o governo constitucional é um governo de negócios". [270] Veblen, enquanto consciente do fenômeno do "lobbying" e da "compra" de políticos, comumente visto hoje como uma forma de "corrupção", não via isso como a verdadeira natureza do problema. Em vez disso, o controle do governo por negócios não era uma anomalia - era simplesmente o que o governo tinha manifestado ser desde seu design. [271] Por sua própria natureza, como um meio institucionalizado de controle social, o Governo sempre protegeria os "ricos" contra os "pobres". Uma vez que os "pobres" sempre ultrapassam enormemente em quantidade ​​os "ricos", uma estrutura legal rígida favorecendo os ricos (interesses dos proprietários) teve que existir para manter a separação de classes e intactos os benefício dos interesses capitalistas. [272]
(...)
Hoje em dia, não é o que dá corpo à ideologia capitalista em seus detalhes o mais problemático, mas sim, o que ela omite, por extensão. Assim como religiões primitivas viram o mundo como sendo plano e tiveram que ajustar sua retórica, uma vez que foi comprovado ser redondo, pela ciência, a tradição da economia de mercado é confrontada com desafios similares. Considerando a simplicidade das abordagens agrárias e, por fim, primitivas para a produção industrial, houve pouca conscientização ou uma necessária preocupação com as possíveis consequências negativas ao longo do tempo, não só em nível do habitat (ecológico), mas também em nível humano (saúde pública).
Da mesma forma, o sistema de mercado, com suas suposições muito antigas acerca das possibilidades, também ignora (ou até mesmo confronta) os avanços poderosos na ciência e tecnologia, que expressam capacidade para resolver problemas e criar uma elevada prosperidade. De fato, como será explorado no ensaio "Eficiência de Mercado vs. Eficiência Técnica", tais ações progressistas e de um reconhecimento da harmonia em relação ao habitat e ao bem-estar humano revelam que Capitalismo de "Livre Mercado", literalmente, não faculta essas soluções, já que em sua própria mecânica padrão dispensa ou funciona contra tais possibilidades.
*De um modo geral, a resolução de problemas e, consequentemente, o aumento da eficiência é, em muitos aspectos, um anátema para a operação do mercado. A solução dos problemas em geral significa o fim da capacidade de obter renda a partir da "manutenção" desses problemas. Melhor eficiência quase sempre significa uma redução na necessidade de trabalho e de energia e, ao mesmo tempo em que isso possa parecer positivo em relação à verdadeira eficiência do planeta, também, muitas vezes, significa uma perda em postos de trabalho e redução da circulação monetária devido a sua aplicação.* [274]

É aqui onde o modelo capitalista começa a tomar o papel de um agente social patogênico, e não apenas no que diz respeito ao que ignora, inviabiliza ou evita devido a sua própria estrutura, mas também em relação ao que reforça e perpetua. Se voltarmos à declaração de Locke sobre como a natureza do dinheiro, com o consentimento tácito da comunidade, era essencialmente a de servir a comunidade em si mesma, é fácil notar como esse simples "meio de troca" evoluiu até sua forma sociológica atual, em que toda a base do mercado funciona, na verdade, não com a intenção de criar e ajudar a sobrevivência, saúde e prosperidade humanas, mas, agora, apenas para facilitar o ato de lucrar e o lucro, somente. Adam Smith nunca teria previsto que, nos dias de hoje, os campos mais lucrativos e compensatórios não seriam a produção de bens para a melhoria ou suporte da vida, mas sim, o ato de movimentar o dinheiro - daí o "trabalho" das instituições financeiras como os bancos, "Wall Street" e as empresas de investimento - empresas que literalmente criam nada, no entanto, possuem imensa riqueza e influência.

Hoje, a única real Teoria de Valor vigente é a que poderia ser chamada de "Sequência Monetária de Valor". [275] O dinheiro tem assumido vida própria no que diz respeito à reforçada psicologia de sua circulação. Não possui nenhum propósito definido diretamente, apenas o de gerar mais dinheiro a partir de menos dinheiro (investimento). Esse fenômeno de "dinheiro gerando dinheiro" não só criou um distúrbio no sistema de valor, em que esse interesse em ganho monetário supera tudo o mais, tornando secundárias e "externas" ao foco da economia as questões ambientais e de saúde pública verdadeiramente relevantes, mas sua propensão constante em "multiplicar" e "expandir" possui, realmente, um aspecto canceroso - essa ideia de "crescimento" necessário, ao invés de um estado de equilíbrio estacionário - e continua o seu efeito patológico em diferentes níveis.
(...)
Muitos dos libertários, Laissez-faire, da Escola Austríaca, de Chicago e outras ramificações neoclássicas, constantemente tendem a falar sobre como "a Interferência do Estado" é o problema hoje, como ter políticas de importação / exportação protecionistas ou o favorecimento de certas indústrias pelo Estado. Supõe-se que de alguma forma o mercado pode ser "livre" para operar sem a manifestação de monopólio ou das "corrupções" inerentes ao que hoje consideramos "capitalismo de compadrio", apesar de toda a base da estratégia ser competitiva ou, em termos mais diretos, "em guerra". *Mais uma vez, assumir que o Estado não seria usado como uma ferramenta para a vantagem diferencial - uma ferramenta para o negócio - é um absurdo*.[277]

(...)

No modelo social existente, extraído de uma referência orientada inerentemente pela escassez, xenofobia e racismo, não há tal coisa como a paz ou equilíbrio. Simplesmente não é possível no modelo Capitalista. Da mesma forma, a ilusão de igualdade entre as pessoas, nas sociedades ditas "democráticas", também persiste, assumindo que de alguma forma a igualdade política pode se manifestar fora da explícita desigualdade econômica inerente a este modo de produção e de relações humanas.

*Capítulo 8 - HISTÓRIA DA ECONOMIA:*

_"Acredito que ganância e competição não são resultado de um temperamento humano imutável; cheguei à conclusão de que a ganância e o medo da escassez estão, de fato, sendo continuamente criados e amplificados como resultado direto do tipo de dinheiro que estamos usando...A consequência direta é que temos de lutar uns com os outros para sobreviver." [326]_
- Bernard Lietaer -

Dado o ritmo relativamente lento de mudança do ser humano com relação à evolução biológica, as vastas mudanças sociais que ocorreram ao longo dos últimos 4000 anos de história registrada aconteceram devido à evolução do conhecimento - daí a "evolução cultural". Se desejamos buscar um mecanismo para a evolução cultural, é útil considerar a noção de "meme". [327] Definidos como "uma ideia, comportamento, estilo, ou o uso que se espalha de pessoa para pessoa dentro de uma cultura", memes são considerados análogos sociológicos ou culturais a genes, [328] que são "unidades funcionais (biológicas) que controlam a transmissão e expressão de uma ou mais características".

GENES DO PENSAMENTO

Enquanto os genes basicamente transmitem dados biológicos de pessoa para pessoa através da hereditariedade, memes transmitem dados culturais - ideias - de pessoa para pessoa através da comunicação humana em todas as suas formas.[329] Quando reconhecemos, por exemplo, o poder do avanço tecnológico ao longo do tempo, e como isso mudou drasticamente nosso estilo de vida e valores e continuará a fazê-lo, pode-se visualizar este fenômeno emergente global como uma evolução das ideias, com informações replicantes e mutantes, alterando a cultura conforme o tempo avança.

*Diante disso, poderíamos gestualmente ver o estado mental humano e suas propensões para a ação como um tipo de programa.* Da mesma forma que os genes codificam um conjunto de instruções que, em conjunto com outros genes e o ambiente produzem resultados sequenciais, o processamento de memes pela capacidade intelectual dos seres humanos, em comum acordo, criam padrões de comportamento de uma forma semelhante. Enquanto o "livre arbítrio" é certamente um debate complexo para se ter com relação ao que realmente desencadeia e manifesta as decisões humanas, é fundamentalmente claro que as ideias das pessoas são limitadas pela sua absorção (educação). Se é dado pouco conhecimento sobre o mundo a uma pessoa, seu processo de decisão será igualmente limitado. [330]

Da mesma maneira que os genes podem sofrer mutações de formas que são prejudiciais ao seu hospedeiro, como o fenômeno do câncer [331], *os memes também podem gerar estruturas mentais que servem de malefícios para o hospedeiro (ou sociedade) no que diz respeito às transmissões ideológicas / sociológicas. É aqui que o termo "distúrbio" é introduzido. O distúrbio é definido como "um transtorno ou anormalidade da função"* [332]. Portanto, quando se trata de operação social, um distúrbio implicaria em enquadramentos ideológicos institucionalizados que estão desalinhados com o sistema governante maior. Em outras palavras, eles são imprecisos no que diz respeito ao contexto em que eles tentam existir, muitas vezes criando desequilíbrio e desestabilização prejudicial.

*Capítulo 10. DISTÚRBIO DO SISTEMA DE VALORES*


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Teremos a Sabedoria de Ócio Criativo (De Masi = Misto Indivisível de (Diversão +Educação +Trabalho) para Toda a Humanidade? Ou, presos ao "Algoritmo Adão" ("Do suor do rosto o direito de viver"), continuaremos sacrificando boa parte do Potencial Afetivo e Criativo da Humanidade?

(Clique na imagem: ampliar)

De Masi: Ócio Criativo = Misto Indivisível de (Diversão + Educação + Trabalho) 

Entrevista com Domenico de Masi: o trabalho no Século XXI

BLOG - Branding, Consumo e Negócios - Marcos Bedendo e Fabricio Trevisan desvendam o mundo das grandes marcas

No último dia 18 de agosto tive a oportunidade de ter uma ótima conversa com Domenico de Masi, o sociólogo italiano que tem seu trabalho voltado para as mudanças nas relações sociais de nossa época, a qual ele denomina de “pós-industrialismo”. Domenico de Masi ficou conhecido no Brasil especialmente por seu livro “O ócio criativo”, mas é autor de outros já traduzidos para o português, nos quais retrata a sua perspectiva sobre as mudanças que a sociedade vem passando e as que ainda terá que passar para se adaptar a essa nova era. Alguns deles são: “Desenvolvimento Sem Trabalho”, “A Emoção e a Regra”, “O Futuro do Trabalho” e “O Futuro Chegou”.


O futuro das cafeterias: O Cafe X é um robô que pode fazer 120 xícaras de café por hora, desde os gelados até os expressos. O criador dele o fez após se cansar de esperar em filas. O robô é parte de um crescente boom de automação no setor de bebidas e comidas... #Robotics  https://youtu.be/FqOCq-zl3n4
  



Origem histórica do ócio - ppt
PRINCÍPIO BÁSICOS DO ÓCIO CRIATIVO

Slide 2: Origem histórica do ócio
Para Aristóteles o ócio era "uma condição ou estado - estado de estar livre da necessidade de trabalhar". 

O termo definia bem a sociedade grega da época, principalmente os atenienses, que se caracterizavam por dedicar seu tempo às idéias e ao espírito. 

Tudo isso tinha uma explicação bem plausível pois o mesmo só erapossível graças a uma sociedade baseada num sistema escravista.

Este conceito passou por mudanças após nova definição dada pelos Romanos que buscavam no ócio não um fim mas sim um meio de descanso entre suas diversas atividades de comércio exército e governo. 

http://slideplayer.com.br/amp/3147534/

"Pensões serão pagas pela geração de riqueza"

Para De Masi, até 2030 haverá 60% menos vagas e a Previdência deixará de ser sustentada pela taxação do trabalho

Cristiane Barbieri - Especial para o Estado
12 Dezembro 2017 | 05h00

“Quanto mais se aumentam os ganhos de produtividade com tecnologia, mais cresce a riqueza dos empreendedores. Oito pessoas têm metade da riqueza da humanidade. Isso não pode continuar ao infinito.
“Na sociedade industrial, foi dado ao trabalho uma importância que antes não havia e o ser humano foi tratado como máquina. Agora, O trabalho pode ser relegado a elas.
O trabalho é considerado elemento que liberta, como está escrito no campo de concentração de Dachau. Porém, o que liberta é o trabalho criativo. O do operário, do empregado, é escravo. Agora, esse tipo de trabalho pode ser relegado aos robôs, às máquinas e à inteligência artificial. 

Cada grego livre tinha oito escravos. Hoje, uma casa moderna, com suas lavadoras de roupa, de louça e outros equipamentos, tem o equivalente a 33 escravos. Já temos a possibilidade de viver como os gregos livres, se a riqueza fosse distribuída igualmente. 

No Brasil, o PIB per capita é de US$ 9 mil. Se cada brasileiro tivesse US$ 9 mil, o país seria feliz. Mas alguns têm riqueza de milhões de dólares e outros não tem nada. O problema moderno, atual, da sociedade ocidental, não é a produção da riqueza, mas sua distribuição. (...)

Como deverá ser o futuro do trabalho?
Minha pesquisa tem uma perspectiva que se reflete até 2030. 

Três fatores principais modificarão as condições do mercado de trabalho até lá: a tecnologia, a feminilização e a globalização.

Em 2030, as mulheres continuarão vivendo mais do que os homens e cerca de 60% dos estudantes universitários, dos formados e dos professores de mestrado, serão mulheres. Elas serão muito mais instruídas e se tornarão o centro do sistema social. 

A tecnologia também mudará o mundo do trabalho: a engenharia genética curará muitas doenças, a inteligência artificial substituirá parte do trabalho intelectual, a nanotecnologia permitirá que os objetos se relacionem entre si e conosco, as impressoras 3D possibilitarão construirmos em casa multi-objetos. 

Já os sistemas produtivos transformarão o mundo numa única ágora. Tele-aprenderemos, tele-trabalharemos, tele-amaremos e nos tele-divertiremos. Não haverá mais privacidade. Será impossível esquecer-se, perder-se, aborrecer-se e isolar-se. (...)

Com menos vagas e pessoas trabalhando, quem pagará pensões e aposentadorias?

Teremos mais riqueza. Hoje, quem trabalha paga pelo que recebem os pensionistas e aposentados. No futuro, como os trabalhadores serão sempre menos e a riqueza produzida será sempre maior, o recolhimento deverá ser feito sobre a base da riqueza e não dos trabalhadores. É uma revolução. Haverá menos trabalhadores, mas produzirão muito mais riqueza.

As empresas vão abrir mão de seus ganhos?

Atualmente, quanto mais se aumentam os ganhos de produtividade com a tecnologia, mais cresce a riqueza dos empreendedores. Isso não pode continuar ao infinito. Neste momento, está se criando uma divisão injusta na riqueza.  (...)

O trabalho continuará sendo o sentido da vida?

No plano histórico, isso mudou muito. Na época da Grécia e da Roma antiga, no Renascimento, o trabalho era uma atividade vergonhosa, só feito pelos escravos. As pessoas nobres, aristocráticas, livres, os instruídos, não trabalhavam. Se ocupavam da gestão das cidades, da guerra, da literatura, da filosofia. O trabalho, só faziam os escravos. 

Essa atividade se tornou importante na vida do homem, nos últimos 200 anos. Com a chegada da sociedade industrial, foi dado ao trabalho uma importância central, que antes não havia. Nesse período, o ser humano foi tratado como máquina. O trabalho é considerado elemento que liberta, como está escrito no campo de concentração de Dachau. Porém, o que liberta é o trabalho criativo. O do operário, do empregado, é escravo. Agora, esse tipo de trabalho pode ser relegado aos robôs, às máquinas e à inteligência artificial. 

Cada grego livre tinha oito escravos. Hoje, uma casa moderna, com suas lavadoras de roupa, de louça e outros equipamentos, tem o equivalente a 33 escravos. Já temos a possibilidade de viver como os gregos livres, se a riqueza fosse distribuída igualmente. 
No Brasil, o PIB per capita é de US$ 9 mil. Se cada brasileiro tivesse US$ 9 mil, o país seria feliz. Mas alguns têm riqueza de milhões de dólares e outros não tem nada. O problema moderno, atual, da sociedade ocidental, não é a produção da riqueza, mas sua distribuição. (...)



Desenvolvimento sem trabalho – Domenico de Masi – Editora Esfera / John Maynard Keynes: Perspectivas econômicas para os nossos netos


            De Masi é mais do que atual, polêmico ou instigante. É um otimista!

            Num momento em que o desemprego ronda a humanidade e todos se acham ameaçados por esse monstro, Domenico De Masi vê, por meio da lente da História, que o desemprego é a face visível de um fenômeno mais profundo : a libertação do trabalho.

            “O trabalho é, pela sua natureza, uma maldição bíblica. Desenvolve-se em lugares indecentemente feios, onde uma pessoa deve passar muito tempo, gastando muita energia, com rituais inúteis... Será que a mitologia do horário, do controle e da hierarquia é realmente produtiva?”(Domenico De Masi, em O Estado de S. Paulo, 30 de maio de 1999.)

            “Em 1857, isto é, há quase um século e meio, Marx tinha escrito : ‘É chegado o tempo em que os homens não mais farão o que as máquinas podem fazer’ e tinha concluído que o capitalismo, tendendo de forma inexorável para a abolição do trabalho, teria dessa forma provocado sua própria morte.” (Domenico De Masi)

            “Quando na fábrica totalmente robotizada da Benetton for possível produzir roupa sem que nenhuma hora de trabalho humano tenha participado no ciclo produtivo, então o sonho ancestral terá sido realizado, mesmo que, por ironia do destino, os homens experimentem-no não como a libertação do trabalho, mas como o pesadelo do desemprego.”(Domenico De Masi)

            Professor titular de Sociologia da Universidade la Sapienza de Roma, Domenico De Masi é presidente da Societá Italiana per il Telelavoro (SIT) e do Istituto Nazionale Architettura (IN/ARCH). É membro do comitê científico de diversas revistas italianas e diretor responsável da revista Next-Strumenti per l’innovazione. Atua como consultor organizacional, com serviços prestados à Fiat, IBM, Pirelli e Glaxo, entre outras empresas.

            Seu livro A Emoção e a Regra (Os Grupos Criativos na Europa de 1850 a 1950), onde o autor demonstra conclusões de estudo patrocinado pela IBM, sobre modelos de equipes criativas, encontra-se na 4 edição, no Brasil.

Sua participação no programa Roda Viva (TV Cultura) em Janeiro/99, provocou tamanha repercussão, que foi novamente entrevistado em Junho/99. A fita do primeiro programa teve uma venda de 5.000 cópias, mantendo índices de venda regulares após 6 meses da apresentação. A do segundo programa já possuía fila de espera antes das cópias estarem disponíveis.

Também no programa Milênio da Globonews, sua participação teve grande impacto, levando a sua reapresentação três semanas após a primeira exibição.

Desenvolvimento Sem Trabalho (Português) Capa Comum – 1 jan 1999


Sumário

            Dez teses ......................................................................................   07

Livres e escravos na Grécia antiga ...........................................  13
Livres e escravos em Roma e na Itália ...................................... 19
Do baixo império à Idade Média: declina a
escravidão, nascem os servos da gleba ...................................  22
O papel da motivação ...............................................................  25
O progresso tecnológico na Idade Média e a
“síndrome de Vespasiano” ........................................................  30
A parasceve de Bacon ............................................................... 34
Da proto-industrialização à industrialização .............................. 36
Taylor e a eliminação do trabalho .............................................. 39
Trabalho pós-industrial e obstinação empresarial ..................... 45
Keynes: trabalhar tres horas por dia ......................................... 48
Adret: trabalhar duas horas por dia ..........................................  56
Desempregado será uma boa ................................................... 60
“Prosuming” e padronização ..................................................... 64
A “síndrome japonesa” ...............................................................66
“Workers of the word, be warned!” ............................................ 68
“Jobless prosperity” ....................................................................72
O masoquismo dos indefesos ....................................................75
O sadismo dos machistas ......................................................... 78
O americano, o japonês e o leão ...............................................84
Apêndice ................................................................................... 89

 

  “Se cada instrumento pudesse, a uma ordem

dada, trabalhar por si, se as lançadeiras tecessem
sozinhas, se o arco tocasse sozinho a cítara, os
empreendedores não iriam precisar de operários
e os patrões dispensariam os escravos
Aristóteles
“Acreditar que os trabalhadores substituídos pelas
máquinas encontrarão inevitavelmente trabalho
na construção dessas mesmas máquinas equivale
a acreditar que os cavalos substituídos pelos
veículos mecânicos poderiam ser utilizados nos
diferentes setores da indústria automobilística.”
Wassily Leontief
“A sociedade do desenvolvimento foi também
uma sociedade do trabalho. A vida dos homens
era construída em torno do trabalho[...]. Pode-se
até mesmo dizer que a figura do homem
trabalhador representou o ideal desta sociedade.
Resta-nos perguntar: o que irá acontecer quando
-          para citar Hannan Arendt -, à sociedade do
trabalho, o próprio trabalho vir a faltar?”

Ralf Dahrendorf

Como trabalhadores, como desempregados, ou como pais de desempregados, de uma maneira ou de outra, estamos “dentro” do problema da falta de trabalho. Que Deus tenha Max Weber na santa paz! Assim, não adianta pretendermos a capacidade de encarar o assunto de forma objetiva. Incapazes, então, de examiná-lo “do lado de fora”, nos resta apenas olhá-lo “demoradamente e de longe”, isto é, numa perspectiva histórica indispensável para entender as razões latentes do fenômeno e, ao mesmo tempo, propiciar ao raciocínio o impulso necessário para refletir sobre o futuro próximo. O máximo que podemos arriscar ao encarar o desemprego “demoradamente e de longe” é perceber fatos nada assustadores, ou melhor, experiências bem-sucedidas e, assim, nos tornarmos otimistas – pouco confiáveis, portanto, do ponto de vista científico – aos olhos de quem considera sérios somente os diagnósticos desoladores e eficazes apenas as terapias dolorosas. Contudo o único risco que se pode correr é o de caminhar do lado ensolarado da rua.
                                              
                                                                       Domenico De Masi.

Apêndice (Trechos)

Perspectivas econômicas para os nossos netos

Por John Maynard Keynes
(Conferência proferida em Madri, em junho de 1930)

Principais trechos disponíveis aqui:

Desenvolvimento sem trabalho – Domenico de Masi – Editora Esfera / John Maynard Keynes: Perspectivas econômicas para os nossos netos




PARA SABER MAIS:

Produtividade- Para o Que ou Quem?




domingo, 18 de janeiro de 2015
DE MASI, Domenico. Desenvolvimento sem trabalho - Resumo
--- "Se cada instrumento pudesse, a uma ordem dada, trabalhar por si, se as lançadeiras tecessem sozinhas, se o arco tocasse sozinho a cítara, os empreendedores não iriam precisar de operários e os patrões dispensariam os escravos." - Aristóteles
--- "Acreditar que os trabalhadores substituídos pelas máquinas encontrarão inevitavelmente trabalho na construção dessas mesmas máquinas equivale a acreditar que os cavalos substituídos pelos veículos mecânicos poderiam ser utilizados nos diferentes setores da indústria automobilística." - Wassily Leontief.
--- "A sociedade do desenvolvimento foi também uma sociedade do trabalho. A vida dos homens era construída em torno do trabalho(...). Pode-se até mesmo dizer que a figura do homem trabalhador representou o ideal desta sociedade. Resta-nos perguntar: o que irá acontecer quando - para citar Hannah Arendt -, à sociedade do trabalho, o próprio trabalho vir a faltar?" - Ralf Dahrendorf.

LEIA AQUI:



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
[SINAPSES] Mudaremos forma de DISTRIBUIR RIQUEZA QUE NOSSA INTELIGÊNCIA GEROU << ou >> REPRISAREMOS (CRISES CAPITALISMO=EXCESSO PRODUÇÃO) velha fórmula: “DESTRUIR EXCESSO CAPACIDADE PRODUTIVA” para manter OS MERCADOS FUNCIONANDO ??




quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
3/12/1998 Sociológico italiano, Domenico De Masi defende uma nova sociologia do trabalho, baseada na criatividade e no que ele classificou como ócio criativo
Domenico de Mais no Roda Viva – TV Cultura - 3/12/1998 
Sociológico italiano, Domenico De Masi defende uma nova sociologia do trabalho, baseada na criatividade e no que ele classificou como ócio criativo



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
4/1/1999 - Roda Viva - Domenico De Masi fala de suas pesquisas, da realização trazida pelo trabalho e da necessidade do tempo livre, que traz benefícios para a saúde física e mental



VER TAMBÉM:

sábado, 19 de maio de 2018

DENÚNCIAS e PROPOSTAS - Congregações do Vaticano (Doutrina para a Fé e do Desenvolvimento Humano Integral) denunciam financismo da 'clepto-pluto-corporato-cracia' internacional (Capitalismo Parasitário (Bauman) / Minotauro Global (Varoufakis))


sábado, 19 de janeiro de 2013

Japão, a Grécia da Ásia - ANNE SEITH - Der Spiegel


sábado, janeiro 12, 2013
Japão, a Grécia da Ásia - ANNE SEITH - Der Spiegel
O Estado de S.Paulo - 12/01

Durante anos, a terceira maior economia do mundo se manteve, sem o menor remorso, tomando dinheiro emprestado mais do que qualquer outro país. Nas últimas décadas, os governos japoneses foram acumulando dívidas de cerca de US$ 14,6 trilhões, o que corresponde a 230% do Produto Interno Bruto, nível de endividamento muito superior aos 165% da Grécia.

Esses gastos desenfreados transformaram o Japão numa bomba relógio - e num exemplo que pode servir de lição para a Europa. O Japão, o país do milagre econômico do pós-guerra, nunca conseguiu se recuperar do colapso da bolsa e da crise imobiliária que convulsionou o país nos anos 90. O governo foi obrigado a ajudar os bancos; as seguradoras faliram. Desde então, as taxas de crescimento anuais têm sido frequentemente insignificantes e a receita com impostos não chega a cobrir a metade dos gastos governamentais. Na realidade, o país se encontra numa espiral inexorável de gastos deficitários.


pjvalente.blogspot.com
O sociocapitalismo, pós-crise global, pós-capitalismo, pós-socialismo, Nova ONU, cenários do século 21 The sociocapitalism, post-crisis global, post-capitalism, post-socialism, New UN scenarios of the 21st century

Então pergunto. Qual a mágica que tais “governos” japoneses fizeram para seduzir os compradores de seus títulos. Já que eles recebem juros baixos por tão elevados riscos.

Segundo Seith, a resposta é a seguinte. “O fato de essa tragédia desenrolar-se em relativo segredo pode ser atribuído a um fenômeno bizarro: contrariamente às economias carregadas de dívidas da zona do euro, o Japão continua não pagando juros sobre o que toma emprestado. Por exemplo, enquanto a Grécia teve de encarar juros de dois dígitos. Já os juros do Japão chegaram a apenas 0,75%. A própria Alemanha, a economia mais saudável da zona do euro, paga mais.”
 http://pjvalente.blogspot.com.br/2013/01/japao-beira-do-abismo-da-divida.html

Para saber mais:

Bancos contra povos: os bastidores de um jogo manipulado


O instinto assassino do capitalismo

Dois textos publicados recentemente página da Carta Maior mostram como o capitalismo pode ser cruel. "Bancos contra povos: os bastidores de um jogo manipulado!", de Eric Toussaint, desmente a ideia de que as dívidas que vêm quebrando países da Europa são públicas:

A dívida bruta dos Estados da zona do euro representava 86% do PIB dos 17 países em 2011. A dívida pública grega representava 162% do PIB grego em 2011. Por seu turno, as dívidas do setor financeiro representam 311% do PIB, ou seja, o dobro. A dívida pública espanhola atingiu 62% do PIB em 2011. No entanto, as dívidas do setor financeiro atingiram 203%, ou seja, o triplo da dívida pública.

Mesmo assim, todos os pacotes de ajuda usando dinheiro público beneficiaram bancos privados endividados.

Enquanto isso, o título da reportagem de Naira Hofmeister fala por si só: “Bancos desalojam 500 famílias espanholas por dia”. Segundo Naira, a “previsão das associações de consumidores é de que até o final de 2012 o número total de desalojamentos forçados ultrapasse os 100 mil”.

É pior do que parece. Por causa da crise, os imóveis ficam vazios, mas os despejados continuam endividados. “Os débitos variam entre 150 e 300 mil euros”, diz a reportagem. O resultado foi um aumento nos suicídios: “Em 40 dias, quatro pessoas”.

Na grande crise de 1929, ficaram famosos os suicídios de empresários e banqueiros falidos. Hoje, ganharam uma bilionária rede de proteção dos governos. Tal como eles, o capitalismo não cometerá suicídio. Cabe aos explorados e oprimidos voltar contra o sistema seu próprio instinto assassino. Manifestações e Greve Geral neles!

Bancos contra povos: os bastidores de um jogo manipulado

O Banco Central Europeu e a Reserva Federal norte-americana se puseram ao serviço dos grandes bancos privados e não do interesse da população dos países. Quando os bancos foram confrontados com a ameaça de não conseguirem pagar as dívidas, o BCE recomeçou a comprar, em grandes quantidades, títulos de dívida pública grega, portuguesa, irlandesa, italiana e espanhola, para dar liquidez aos bancos. 

Por Eric Toussaint

Carta Maior - Economia - Bancos contra povos: os bastidores de um jogo manipulado
www.cartamaior.com.br
Este segundo artigo desta série mostra como o Banco Central Europeu e a Reserva Federal norte-americana se puseram ao serviço dos grandes bancos privados e não do interesse da população dos países. Os bancos foram confrontados com a ameaça de não conseguirem pagar as dívidas. Foi então que o BCE rec...

2007-2012: seis anos que abalaram os bancos
O cenário repetiu-se pelo menos trinta vezes na Europa e nos EUA desde 2008: os poderes públicos estiveram sempre (e sistematicamente) ao serviço dos bancos privados, financiando o seu resgate através do endividamento público. Contrariamente ao discurso dominante, a principal ameaça para os bancos não é a suspensão do pagamento da dívida de Estados. Desde 2007, nenhuma das falências bancárias foi causada por essa falta de pagamento. Primeira parte do artigo "Bancos contra povos: os bastidores de um jogo manipulado!", de Eric Toussaint.
Eric Toussaint - CADTM

Para saber mais:

DOMINGO, 17 DE ABRIL DE 2011
Capitalismo Parasitário - Definição e Estratégias

DOMINGO, 17 DE ABRIL DE 2011
Capitalismo Parasitário - transformar uma enorme maioria de homens, mulheres, velhos e jovens numa RAÇA DEVEDORES

QUINTA-FEIRA, 3 DE NOVEMBRO DE 2011
[SINAPSES] A Jogada do Século - The Big Short - Michael Lewis - descreve a combinação de ganância, falta de ética e incompetência que esteve na origem da maior crise económica e financeira desde a Grande Depressão dos anos 30

QUINTA-FEIRA, 3 DE NOVEMBRO DE 2011
Crash - Uma Breve História da Economia - Da Grécia Antiga ao Século XXI - Como o dinheiro, a falta de dinheiro, a insanidade e a safadeza construíram o mundo mais próspero de todos os tempos. E muito mais, como você nunca leu.

DOMINGO, 4 DE DEZEMBRO DE 2011
[SINAPSES] Bumerangue: aventuras no novo terceiro mundo - Islândia, Grécia, Irlanda, Alemanha e Estados Unidos: Como cada país enlouqueceu, de uma forma diferente, ao ficar em uma sala escura com uma montanha de dinheiro....

DOMINGO, 22 DE JANEIRO DE 2012
[SINAPSES] Como a Economia Cresce e Por Que Ela Quebra - 2011: uma parábola (ilha com 3 pescadores) que explica, em linguagem simples, a ilusão que acometeu sociedades humanas sobre demanda, produção, poupança, juros e preços




quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

IBOVESPA_Mensal_2008-2011 => Vejam abaixo a DESTRUIÇÃO DE RIQUEZA também no "cassino" de nossa "Wall Street"

Vejam abaixo a DESTRUIÇÃO DE RIQUEZA também no "cassino" de nossa "Wall Street"
(Parece-me que aqui, como lá, quase só ganham os intermediários, com suas gordas comissões e preços de consultorias financeiras...) 


 Alguns pontos que ressalto das séries abaixo, do IBOVESPA:

Pico de valor => Mai-2008 = 71.075,03

Jan-2008 = 59.518,38   =>  Dez-2008 = 37.614,14

Jan-2009 =  39.438,15  =>  Dez-2009 = 68.213,50

Jan-2010 =   68.567,61 =>  Dez-2010 = 68.570,41

Jan-2011 =   69.855,74 =>  Dez-2011 = 57.158,33



FONTE:


Como enfrentar o ESGOTAMENTO DE UM MODELO ECONÔMICO EM ESCALA GLOBAL (Luís Stuhlberger da Hedging-Griffo (desde 2006, Credit Suisse Hedging-Griffo) está preocupado com o desfecho da crise global. É considerado um dos melhores gestores de recursos [financeiros] do Brasil)


[SINAPSES] Mudaremos forma de DISTRIBUIR RIQUEZA QUE NOSSA INTELIGÊNCIA GEROU << ou >> REPRISAREMOS (CRISES CAPITALISMO=EXCESSO PRODUÇÃO) velha fórmula: “DESTRUIR EXCESSO CAPACIDADE PRODUTIVA” para manter OS MERCADOS FUNCIONANDO ??

Falar em “EXCESSO DE CAPACIDADE PRODUTIVA” é UM CRIME em um mundo onde 5 bilhões de pessoas tem carências básicas para sobrevivência !!
Ler em:
http://reflexeseconmicas.blogspot.com/2011/12/sinapses-mudaremos-forma-de-distribuir.html