Mostrando postagens com marcador Socialismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Socialismo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de março de 2025

Proudhon: Manifesto Eleitoral do Povo [Novembro de 1848]

 

Manifesto Eleitoral do Povo [Novembro de 1848]


Trecho do capítulo em que Proudhon discute:

  • As Causas da Desigualdade 

  • Como o Povo CONSTRUIRÁ o Socialismo (via Associações Livres [Cooperativas] de Trabalhadores que Contratam Entre Si a Comercialização, o Crédito e a Produção de Bens e Serviços). O Socialismo não pode ser outorgado pelo Estado ou Partidos [as Revoluções Comunistas, do Século 20, apenas trocaram as Castas Dominantes]



 Livro: 

A Propriedade É um Roubo e Outros Escritos Anarquistas 

- Pierre Joseph Proudhon  (1809-1865)




Ora, qual é a causa da desigualdade?

Esta causa, segundo nós, foi tornada pública por todas as críticas socialistas que se sucederam, notadamente depois de Jean Jacques (Rousseau); esta causa é a realização na sociedade desta tripla abstração: capital, trabalho, talento.

É porque a sociedade se dividiu em três categorias de cidadãos correspondentes aos três termos desta fórmula; quer dizer, porque se fez nela uma classe de capitalistas ou proprietários, uma outra classe de trabalhadores e uma terceira classe de capacidades, é que constantemente se chegou nela à distinção de castas e que a metade do gênero humano foi escrava da outra metade.

Por toda a parte em que se pretendeu de fato, organicamente, estas três coisas, o capital, o trabalho e o talento, o trabalhador foi escravizado: ele se chamou alternativamente escravo, servo, pária, plebeu, proletário; o capitalista foi explorador: nomeia-se ora patrício ou nobre, ora proprietário ou burguês; o homem de talento foi um parasita, um agente de corrupção e servidão: este foi primeiro o sacerdote, mais tarde o clérigo, hoje o funcionário público, qualquer gênero de capacidade e de monopólio.

O dogma fundamental do socialista consiste então em transformar a fórmula aristocrática: capital-trabalho-talento nesta simples: trabalho! Em fazer, por conseguinte, que todo cidadão seja ao mesmo tempo, com idêntico valor e num mesmo grau, capitalista, trabalhador e sábio ou artista.

O produtor e o consumidor, na realidade das coisas, como na ciência econômica, é sempre o mesmo personagem, considerado somente de dois pontos de vista diferentes.

Por que este não seria da mesma maneira capitalista e trabalhador? Trabalhador e artista? Separai estas qualidades na organização social e vós criais fatalmente castas, a desigualdade, a miséria; uni-as, ao contrário, em cada indivíduo, e vós tendes a igualdade, tendes a República. É assim ainda que na ordem política devem se apagar um dia todas estas distinções de governantes e governados, administradores e administrados, funcionários públicos e contribuintes etc. É necessário, para o desenvolvimento da ideia social, que cada cidadão seja tudo; porque, se não é tudo, ele não é livre; sofre opressão e exploração em algum aspecto.

Qual é então o meio de operar esta grande fusão?

O meio é indicado pelo próprio mal. E, em primeiro lugar, esforcemo-nos para ainda melhor definir, se é possível, o mal.

Visto que o proletariado e a miséria têm por causa orgânica a divisão da sociedade em duas classes: uma que trabalha e não possui; a outra que possui e não trabalha, que, por conseguinte, consome sem produzir; segue-se que o mal de que sofre a sociedade consiste nesta ficção singular de que o capital é, por ele mesmo, produtivo; enquanto o trabalho, por ele mesmo, não o é.

Com efeito, para que as condições fossem iguais, nesta hipótese da separação do trabalho e do capital, seria preciso que, como o capitalista se desenvolve através de seu capital, sem trabalhar, também o trabalhador pudesse se desenvolver através de seu trabalho, sem capital. Ora, não é o que acontece.

Portanto, a igualdade, a liberdade, a fraternidade são impossíveis no regime atual; portanto a miséria e o proletariado são a consequência fatal da presente organização da propriedade.


Todo aquele que o sabe, e não o confessa, mente igualmente à burguesia e ao proletariado.

Todo aquele que solicita os sufrágios do povo e o dissimula não é nem socialista nem democrata.

Nós o repetimos:

A produtividade do capital [Capital Financeiro], aquela que o Cristianismo condenou sob o nome de usura, tal é a verdadeira causa da miséria, a verdadeira origem do proletariado, o eterno obstáculo ao estabelecimento da República.

Nada de equívoco, nada de confusão, nada de subterfúgio! Que aqueles que se dizem democrata socialistas assinem conosco esta profissão de fé; com este sinal, mas somente com este sinal, nós reconhecemos neles irmãos, verdadeiros amigos do povo, nós subscreveremos todos os seus atos.

E agora, o meio de extirpar o mal, de fazer cessar a usura, qual é? Será atacar o lucro francamente, apoderarmo-nos da renda? Será, ao professar o maior respeito pela propriedade, roubá-la através do imposto, na medida em que ela é adquirida pelo trabalho e consagrada pela lei?

É aqui sobretudo que os verdadeiros amigos do povo se distinguem daqueles que não querem senão comandar o povo; é aqui que se separam de seus pérfidos imitadores.

O meio de destruir a usura não é, mais uma vez, confiscar a usura; é opor princípio a princípio, isto é, numa palavra, organizar o crédito.

Organizar o crédito, para o socialismo, não é emprestar a juros, visto que isto sempre seria reconhecer a soberania do capital; é organizar a solidariedade dos trabalhadores entre eles, é criar sua garantia mútua, segundo este princípio de economia vulgar de que tudo que tem um valor de troca pode ser um objeto de troca, pode, por conseguinte, dar matéria a crédito.

Do mesmo modo que o banqueiro empresta seu dinheiro ao negociante que lhe paga isso em juros:

O proprietário fundiário empresta sua terra ao camponês que lhe paga um arrendamento;

O proprietário de imóvel empresta um alojamento ao locatário que lhe paga isso em aluguel;

O comerciante empresta sua mercadoria à freguesia que compra à prestação;

Da mesma maneira o trabalhador empresta seu trabalho ao patrão que lhe paga no fim do mês ou no fim da semana. Todos quantos somos, nós emprestamos reciprocamente alguma coisa: não se diz vender a crédito, trabalhar a crédito, beber a crédito?

Portanto, o trabalho pode dar crédito dele mesmo, ele pode ser credor como o capital.

Portanto, ainda, dois ou mais trabalhadores podem emprestar entre si seus produtos e, se eles se combinam por operações contínuas deste gênero, organizarão entre eles o crédito.

Eis o que compreenderam admiravelmente as associações operárias que, espontaneamente, sem comandita, sem capitais, se formam em Paris e Lyon, e somente por isto elas se colocam em relação umas com as outras, elas se emprestam, organizam, como se diz, o trabalho.

De modo que, organização do crédito, organização do trabalho, associação, é uma única e mesma coisa. Não é uma escola, não é um teórico que diz isto; é o fato atual, o fato revolucionário que o demonstra.

Desta maneira a aplicação de um princípio conduz o povo à descoberta de um outro, uma solução obtida conduz sempre a uma outra solução. Se portanto acontecesse que os trabalhadores se combinassem em todas as partes da República e se organizassem da mesma maneira, é evidente que, senhores do trabalho e produzindo incessantemente, pelo trabalho, novos capitais, logo teriam reconquistado, por sua organização e sua concorrência, o capital alienado; atrairiam a eles, principalmente, a pequena propriedade, o pequeno comércio e a pequena indústria; depois a grande propriedade e as grandes empresas; depois as explorações mais vastas, as minas, os canais, as estradas de ferro; eles se tornariam os senhores de tudo pela adesão sucessiva dos produtores e a liquidação das propriedades, sem espoliação nem saque dos proprietários.

(...) Tal é a obra começada espontaneamente sob nossos olhos pelo povo, obra que ele continua com energia admirável, através de todas as dificuldades da questão e das mais horríveis privações. E, não convém se cansar de dizê-lo, não são os fundadores de escola que começaram este movimento, não é o Estado que deu o primeiro impulso, é o povo. Nós não somos aqui senão seus intérpretes. Nossa fé, a fé democrática e social, já não é mais uma utopia, é uma realidade. Não é de modo nenhum nossa doutrina que pregamos; são as ideias populares que tomamos por tema de nossos desenvolvimentos.

Aquelas não são os nossos que desconhecem, que nos falam de associação e de República e que não ousam confessar para seus irmãos os verdadeiros socialistas, os verdadeiros republicanos.

Devotados há dez anos a esta ideia, nós não esperamos o triunfo do povo para nos alinharmos com ele.

(...) Que o governo, que a Assembleia Nacional, que a própria burguesia nos protejam e nos ajudem no cumprimento de nossa obra, seremos gratos por isso. Mas que não se procure mais nos distrair daquilo que vemos como os verdadeiros interesses do povo; que não se tente nos iludir com inúteis aparências de reforma. Estamos bastante esclarecidos para sermos novamente ingênuos, sabemos melhor como vai o mundo do que os políticos que nos honram com suas advertências.

Nós estimaríamos muito que o Estado, através de contribuições tomadas sobre o orçamento, contribuísse para a emancipação dos trabalhadores; não veríamos senão com desconfiança o que se chama organização do crédito pelo Estado, e que não é, segundo nós, senão a última forma de exploração do homem pelo homem. Nós rejeitamos o crédito do Estado porque o Estado, endividado em oito bilhões, não possui um centavo do qual possa dar crédito; porque sua procuração repousa somente sobre um papel de valor fixo; porque o valor fixo leva fatalmente à depreciação e porque a depreciação sempre atinge o trabalhador de preferência ao proprietário; porque nós, produtores associados ou em via de associação, nós não temos necessidade nem do Estado nem de valor fixo para organizar nossas trocas; porque, enfim, o crédito pelo Estado é sempre o crédito pelo capital, não o crédito pelo trabalho, sempre a monarquia, não a democracia.

No sistema que nos é proposto [2] e que nós rejeitamos com toda a energia de nossas convicções, o Estado, para dar crédito, deve antes de tudo se prover de capitais. Estes capitais, é preciso que ele os exija à propriedade, pela via do imposto. É portanto voltar sempre ao princípio, enquanto se trata de destruí-lo; é transferir a riqueza, enquanto seria preciso criá-la; é afastar a propriedade após tê-la proclamado, pela Constituição, inviolável.

Que outros, com ideias menos avançadas e menos suspeitas, de moral meticulosa, apoiem tais ideias, não acusaremos de modo algum sua tática. Quanto a nós, que não fazemos de maneira alguma guerra aos ricos mas aos princípios; nós, que a contrarrevolução não cessa de caluniar, nós devemos ser mais rigorosos. Nós somos socialistas, nós não somos espoliadores.

Não queremos imposto progressivo porque o imposto progressivo é a consagração do produto líquido, e nós queremos abolir, pela associação, o produto líquido; porque, se o imposto progressivo não retira ao rico a totalidade de sua renda, não é senão uma concessão feita ao proletariado, uma espécie de resgate do direito de usura, numa palavra, uma decepção, e porque, se retira toda a renda, é o confisco da propriedade, a expropriação sem indenização prévia e sem utilidade pública.

Que aqueles, portanto, que se dizem antes de tudo homens políticos invoquem o imposto progressivo como uma represália em relação à propriedade, como um castigo ao egoísmo burguês; nós respeitamos suas intenções e, se jamais lhes for dado aplicar seus princípios, deixaremos livre trânsito à justiça de Deus. Para nós, representantes daqueles que tudo perderam no regime do capital, o imposto progressivo, precisamente porque é uma restituição forçada, nos é interdito; nós jamais proporemos isso ao povo. Nós somos socialistas, homens de reconciliação e de progresso; nós não exigimos nem reação nem lei agrária.

Nós não queremos o imposto sobre as rendas do Estado porque este imposto é, como o imposto progressivo, em relação aos capitalistas, somente um confisco e, em relação ao povo, somente uma transação, um logro. Nós acreditamos que o Estado tem o direito de resgatar suas dívidas, por conseguinte, de emprestar a juros mais baixos; não pensamos que lhe seja permitido, sob pretexto de imposto, faltar a seus compromissos. Nós somos socialistas, nós não somos bancarroteiros.

Nós não queremos o imposto sobre as heranças porque este imposto não é também senão uma retirada da propriedade, e que, sendo a propriedade um direito constitucional reconhecido por toda a gente, é preciso nela respeitar o voto da maioria; porque isto seria um ataque à família; porque não temos que produzir, para emancipar o proletariado, esta nova hipocrisia. A transmissão de bens, sob a lei da associação, não se aplicando de modo algum aos instrumentos de trabalho, não pode tornar-se uma causa de desigualdade. Deixai portanto a fortuna ir do proprietário morto ao seu parente mais distante, frequentemente o mais pobre. Nós somos socialistas, nós não somos captores de heranças.

Nós não queremos o imposto sobre os objetos de luxo porque isto seria aniquilar as indústrias de luxo; porque os produtos de luxo são a própria expressão do progresso; porque, sob o império do trabalho e com a subordinação do capital, o luxo deve ser acessível a todos os cidadãos, sem exceção. Por que, após haver encorajado a propriedade, nós puniríamos de seu gozo os proprietários? Nós somos socialistas, nós não somos invejosos.

(...) Nós não queremos a expropriação pelo Estado das minas, canais e estradas de ferro: sempre é a monarquia, sempre o salariado. Nós queremos que as minas, os canais e as estradas de ferro sejam entregues às associações operárias, organizadas democraticamente, trabalhando sob a fiscalização do Estado, nas condições estabelecidas pelo Estado, e sob sua própria responsabilidade.

Nós queremos que estas associações sejam modelos propostos à agricultura, à indústria e ao comércio, o primeiro núcleo desta vasta federação de companhias e sociedades, reunidas pelo laço comum da República democrática e social.

Nós não queremos tanto o governo do homem pelo homem como a exploração do homem pelo homem; aqueles que pegam tão depressa a fórmula socialista refletiram sobre isso?

Nós queremos a economia nos gastos do Estado, assim como queremos a fusão completa, no trabalhador, dos direitos do homem e do cidadão, dos atributos do capital e do talento. É por isso que nós exigimos certas coisas que o socialismo indica, e que os homens que se pretendem mais especialmente políticos não compreendem.

A política tende a especializar e multiplicar indefinidamente os empregos; o socialismo tende a fundi-los uns nos outros.

Assim, nós acreditamos que a quase totalidade de obras públicas pode e deve ser executada pelo exército; que esta participação nas obras públicas é o primeiro tributo que a juventude republicana deve pagar à pátria; que em consequência o orçamento da guerra e o das obras públicas é um gasto inútil. É uma economia de mais de cem milhões; a política não se preocupa com isso.

Fala-se de ensino profissional. Nós acreditamos que a escola da agricultura é a agricultura; a escola das artes, profissões e manufaturas é a oficina; a escola do comércio é o balcão; a escola das minas é a mina; a escola da navegação é o navio; a escola da administração é a administração etc.

O aprendiz é tão necessário ao trabalho quanto o operário: por que colocá-lo à parte numa escola? Nós queremos a mesma educação para todos: de que servem estas escolas que, para o povo, não são senão escolas de aristocratas e para nossas finanças um gasto inútil? Organizai a associação e, imediatamente, toda oficina tornando-se escola, todo trabalhador é mestre, todo estudante aprendiz. Homens de elite se produzem tão bem ou melhor na obra como na sala de estudo.

A mesma coisa no governo.

Não é suficiente dizer que se é contra a presidência se não se abolem os ministérios, eterno objeto da ambição política. Cabe à Assembleia Nacional exercer, pela organização de seus comitês, o poder executivo, como ela exerce por suas deliberações em comum e seus votos o poder legislativo. Os ministros, subsecretários de Estado, chefes de divisão etc., são uma repetição inútil dos representantes, cuja vida desocupada, dissipada, entregue à intriga e à ambição, é uma causa incessante de embaraço para a administração, de más leis para a sociedade, de despesas estéreis para o Estado.

Que nossos jovens sócios o metam na cabeça: o socialismo é o contrário do governamentalismo. Isto é tão velho para nós quanto o preceito: Entre senhor e escravo nada de sociedade.

Nós queremos, ao lado do sufrágio universal, e como consequência deste sufrágio, a aplicação do mandato imperativo. Os políticos se revoltam com isso! O que quer dizer que a seus olhos o povo, elegendo representantes, não se dá de modo algum mandatários, ele aliena sua soberania! Com certeza isto não é socialismo, isto não é nem mesmo a democracia.

Nós queremos a liberdade ilimitada do homem e do cidadão, salvo o respeito à liberdade do outro:

  • Liberdade de associação;

  • Liberdade de reunião;

  • Liberdade de culto;

  • Liberdade de imprensa;

  • Liberdade de pensamento e de palavra;

  • Liberdade de trabalho, de comércio e de indústria;

  • Liberdade de ensino.

Numa palavra, liberdade absoluta.

Ora, entre estas liberdades há sempre alguma que a velha política não admite, o que acarreta a ruína de todas! Nos dirão um momento: mas quer-se a liberdade com exceção ou sem exceção?

Nós queremos a família: onde estão aqueles que a respeitam mais que nós? Mas nós não tomamos a família como modelo da sociedade. Os defensores da monarquia nos ensinaram que era à imagem da família que as monarquias eram constituídas. A família é o elemento patriarcal ou dinástico, o rudimento da realeza; o modelo da sociedade civil é a sociedade fraternal.

Nós queremos a propriedade, mas colocada em seus justos limites, quer dizer, à livre disposição dos frutos do trabalho, a propriedade menos a usura! Nós não temos necessidade de dizer isso mais. Aqueles que nos conhecem nos entendem.

Tal é, em substância, nossa profissão de fé.

Era importante, sem dúvida, saber, de um lado, se o povo devia se abster ou votar; em segundo lugar, sob que bandeira se faria a eleição, sob que profissão de fé.






domingo, 20 de janeiro de 2013

Nosso grande desafio: como criar uma Governança Democrática que realmente propicie decisões que atendam aos Interesses da Humanidade e não aos de um pequeno conjunto de Grupos de Interesses?


Os Capitalismos de Estado (Ditaduras pró-Ocidente e 'Socialismos Reais' (China, Cuba, URSS, etc.)) padecem do mesmo mal: enquanto se dizem atuando no interesse do Bem Comum, na verdade são instrumentos para gerar benefícios para suas próprias NOMENKLATURAS: os membros / pessoas confiáveis dos Partidos Comunistas ou, geralmente, os militares / pessoas confiáveis das Ditaduras pró-Ocidentais.

Mesmo as Democracias Ocidentais padecem do conflito entre as aspirações do Povo (Demo) e as suas NOMENKLATURAS, principalmente as financeiras, que controlam as decisões estratégicas, ultimamente no nível internacional, buscando maximizar seus interesses (ex.: bonus para dirigentes financeiros), sem levar em conta o Bem Comum (Crise 2008-?).

Este é o nosso grande desafio: como criar uma Governança Democrática que realmente propicie decisões que atendam aos Interesses da Humanidade e não aos de um pequeno conjunto de Grupos de Interesses?

Galbraith – Dinheiro e capital ainda conferem certa autoridade a quem os possui, mas o poder verdadeiro reside hoje em dia nas grandes corporações. Por isso, tenho relutado em usar a palavra capitalismo. E o mesmo acontece com outros economistas e administradores – ainda que por razões diferentes. Como digo em meu livro, empreendeu-se nas últimas décadas um esforço de troca de nomenclatura. Em vez do capitalista, temos o executivo, personagem que conquistou melhor aceitação pública do que seu antecessor. A um termo cheio de conotações históricas como capitalismo, prefere-se a expressão anódina "sistema de mercado". Freqüentemente, ela esconde o fato de que esse sistema supostamente impessoal está sujeito a manipulações abrangentes. Veja - Edição 1884 . 15 de dezembro de 2004

Estas reflexões decorrem da leitura do livro  www.slideshare.net/pjvalente/o-sociocapitalismo

Referem-se ao trecho abaixo:
(Páginas 8-9) A queda do império soviético e a supremacia incontestável americana causaram uma euforia no mundo capitalista. Foi naquela época então que o mago da administração moderna Peter Drucker lançou o livro – “A Sociedade Pós-Capitalista”; onde mencionava como os fundos de Pensão estavam revolucionando a América. Drucker escrevera com muita propriedade que o capitalismo estava em processo de “metamorfose”; e que o capitalismo de poucos”  transformava-se no “capitalismo para todos”.

No outro lado do planeta, a China comunista que sabiamente fizera algumas reformas econômicas importantes em 1978; transformando a sua rígida “economia de planejamento central”, em uma “economia aberta e orientada para o mercado”; com objetivo de alavancar a sua então estagnada economia. Naquela altura começava a colher os frutos do sucesso; desenvolvendo-se com impressionantes taxas de crescimento anuais em torno de 10% ao ano, causando inveja em muitos países.

Na realidade, a ousada transfusão do “sangue capitalista”  para dentro do sistema socialista possibilitou que a China voltasse a ser um gigante da economia mundial, que todos respeitam e admiram.

Ironicamente, quando a China comunista turbinava a sua economia, convergindo para o “receituário capitalista”, implantando o “socialismo de mercado”; os Estados Unidos convergiam para a chamada “socialização de mercado”  mencionada por Drucker; indicando assim que haveria uma convergência entre estes sistemas econômicos. O quê me deixava perplexo e com novos questionamentos em mente, imaginado como seria o futuro da sociedade pós-capitalista”  mencionada por ele; onde dividir o capital entre os trabalhadores seria corriqueiro e muito lucrativo.

Paralelamente imaginava também o perfil do “pós-socialismo” da Rússia, China e outros “países comunistas”, onde enriquecer tornara-se glorioso. Neste contexto procurei estudar as transformações que ocorrem no mundo após as grandes crises financeiras cíclicas, por conta do mundo globalizado; imaginando os reflexos que teriam na convergência dos sistemas econômicos.

Entretanto faltava um modelo teórico que servisse de referência para analisar essas transformações e explicar onde a convergência iria chegar. E o pior, eu não conseguia encontrar nas livrarias algum livro que tratasse do assunto. De modo que isso me instigava a desenvolvê-lo.

Então, a partir das questões mencionadas acima, passei a trabalhar intensamente na elaboração do modelo que, a partir da convergência final entre o socialismo e capitalismo, fundamentasse o “pós-socialismo” e o pós-capitalismo”; como um sistema político-econômico único deste século 21.

Para denominar o novo sistema político-econômico que desponta abracei o termo “sociocapitalismo”. Não aquele pobre “socialismo de fundo de pensão”, mencionado falaciosamente por Peter Drucker. Mas o sociocapitalismo verdadeiro”, que mistura acertadamente as boas práticas do capitalismo e do socialismo.

_______________________________
Edição 1884 . 15 de dezembro de 2004
Entrevista: John Kenneth Galbraith
Ainda no ataque
Na ativa aos 96 anos, o lendário economista americano agora atira contra as fraudes corporativas
(...)
Veja – John Maynard Keynes, uma de suas principais influências como economista, anda um pouco fora de moda atualmente. Qual o legado keynesiano que se deveria guardar?

Galbraith – Não concordo com esse comentário sobre Keynes. A tese central que ele defendeu – a de que a economia requer a influência estabilizadora do Estado – continua intacta. Os governantes que desprezarem essa idéia serão inexoravelmente punidos. Ainda vivemos na Era de Keynes, tanto quanto na Era de Adam Smith.
(...)
Veja – "O negócio deste país são os negócios." Como o senhor se sente a respeito dessa célebre frase do presidente Calvin Coolidge (1872-1933)?

Galbraith – Discordo dela, é claro. A vida americana tem um sentido bem mais amplo do que "o negócio de fazer negócios". Gosto de pensar que nossa força científica e nossa cultura são as fontes reais de orgulho.
(...)
Veja – Pode-se dizer que o capitalismo, como a democracia, "é o pior sistema com a exceção de todos os outros", ou ainda existe algum sentido em buscar alternativas radicais a ele?

Galbraith – Dinheiro e capital ainda conferem certa autoridade a quem os possui, mas o poder verdadeiro reside hoje em dia nas grandes corporações. Por isso, tenho relutado em usar a palavra capitalismo. E o mesmo acontece com outros economistas e administradores – ainda que por razões diferentes. Como digo em meu livro, empreendeu-se nas últimas décadas um esforço de troca de nomenclatura. Em vez do capitalista, temos o executivo, personagem que conquistou melhor aceitação pública do que seu antecessor. A um termo cheio de conotações históricas como capitalismo, prefere-se a expressão anódina "sistema de mercado". Freqüentemente, ela esconde o fato de que esse sistema supostamente impessoal está sujeito a manipulações abrangentes.

Veja – O senhor chama de fraude a idéia de que o setor público e o privado são independentes. Por quê?

Galbraith – A economia moderna, representada em sua forma exemplar pelos Estados Unidos, é produto do surgimento de corporações poderosas e de novos métodos de administração empresarial, com sua casta de executivos. O ponto forte dessa economia é a capacidade de mobilizar recursos científicos, organizacionais, culturais e políticos muito variados. O maior de seus efeitos negativos, particularmente visível no presente, é a habilidade das corporações de imiscuir-se à força nas políticas governamentais e direcioná-las. É o que vemos ocorrer agora na malfadada aventura americana no Iraque. Dito de outra maneira, o desserviço da economia moderna está na sua tendência de favorecer concentrações de poder e solapar a lógica da distribuição da autoridade política por meios democráticos. A intromissão do setor privado no chamado setor público é ostensiva e crescente, e negá-la é uma fraude – nada inocente. Essa é a contribuição ainda não devidamente "celebrada" de nossa época à história econômica.

Veja – O senhor considera inexata a idéia de que os acionistas – ou os donos – são os detentores do poder nas grandes corporações. Por quê?

Galbraith – A crença de que os acionistas e os conselhos de administração detêm a autoridade final nas grandes empresas de capital aberto de hoje em dia persiste, mas é uma fuga da realidade. É um mito. O poder na empresa pertence à administração – à burocracia empresarial, ainda que burocracia seja uma palavra fortemente condenada. O grave é que os executivos ganharam pleno controle sobre sua atuação – e sobre sua própria remuneração.

Veja – O que há de errado com o conceito de soberania do consumidor – a idéia de que, no capitalismo, o indivíduo escolhe com independência os bens que vai adquirir?

Galbraith – Essa é uma fraude muito propagada, inclusive no ambiente universitário. Ela nasce da tendência a silenciar sobre o poder de controle do marketing. O "consumidor soberano" na verdade é tutelado sem cessar pelos altamente qualificados mandarins da propaganda. Que ninguém se engane: não importa o número de gráficos sobre o poder de escolha do público que os economistas produzam, o fato é que atribuímos ao consumidor uma autoridade maior do que a que ele realmente possui.

Veja – O senhor critica os gastos americanos com armamentos. Os Estados Unidos poderiam gastar menos nesse campo?

Galbraith – Poderiam e deveriam. A força motriz desses gastos encontra-se na autoridade conferida nos Estados Unidos às Forças Armadas e suas lideranças, e também nos interesses do complexo industrial-militar. Empresas nominalmente privadas têm hoje um pé firmemente plantado no establishment militar americano e influenciam de maneira decisiva no orçamento de defesa. Essas empresas conquistaram uma fatia de poder sobre o setor público, sobre nossa política externa e sobre nossos acordos militares.

Veja – O Fed, o banco central americano, e seu presidente, Alan Greenspan, desfrutam de grande respeito. Por que o senhor discorda?

Galbraith – Alan Greenspan é uma figura pública muito hábil. Quanto a isso, não há dúvida. Ele é o beneficiário e, em certa medida, também o arquiteto da crença de que as políticas do Fed têm um efeito determinante sobre a economia. Exceto no campo da habitação, isso é um exagero. Há algo de muito reconfortante na crença de que o Fed tem essa autoridade serena e luminosa. Olhemos a história. Quase um século de experiência mostra que essa autoridade é frágil, quase negligenciável. Empresas investem para lucrar, e suas decisões são afetadas apenas marginalmente pela taxa de juros – quando são. Um período de euforia econômica se estenderá, a despeito da modificação das taxas, assim como uma fase de declínio também não será revertida. Para todos os que se preocupam com moeda e crédito, a afirmação de que o Fed tem poderes especiais supostamente denota uma inteligência econômica do tipo mais refinado. É o oposto disso.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Livro : O Novo Estado Industrial, John Kenneth Galbraith.
Excelente livro de Economia, do renomado economista canadense, naturalizado americano, de origem escocesa, John Kenneth Galbraith.

Conceitos principais:

   tecnoestrutura: é o grupo de especialistas, engenheiros, matemáticos, estatísticos, contabilistas, administradores,dentre outros, dentro de uma empresa que fazem-na funcionar, em todas as suas principais funções, planejamento de produção, pesquisa e desenvolvimento, marketing, vendas, investimentos, setor jurídico, etc. Wiki entrada por mim na Wikipedia.

    sistema de planejamento: é a parte da economia dominada pelas grandes empresas. Wiki entrada por mim na Wikipedia.

Idéias principais. Resumo:
    As grandes empresas ou companhias, a partir das primeiras décadas do século XX, deixaram de ser comandadas por empresários para serem comandadas pelas chamadas tecnoestruturas. Exemplos dados: Ford, General Motors,  General Electric, Lockheed, Boeing.  A tecnoestrutura normalmente não possui quantidades significativas de ações. São assalariados. Os controladores da grande empresa,  grupo de acionistas majoritários ou que conseguem  o percentual suficiente para o controle, normalmente não tem poder decisório administrativo, o qual pertence à tecnoestrutura, que trabalha para produzir lucros para os controladores.

    O sistema de planejamento domina o mercado. Impõe o que deve ser produzido, a quantidade a ser produzida, e a que preço deve ser vendida. Para criar o mercado utilizam intensamente de meios de persuasão pelas mídia, as campanhas publicitárias.

    O sistema de planejamento atua junto com o governo, ora fornecendo produtos e serviços, ora recebendo investimentos para pesquisa e desenvolvimento, ora recebendo especialistas egressos das instituições de ensino públicas.

    O sistema de planejamento, o Estado e as instituições de ensino e pesquisa compartilham objetivos e valores comuns. Todos acabam por se beneficiar da interação recíproca.

    Necessidade e importância das artes e ciências humanas para a sociedade, em contraposição às ciências voltadas somene para a produção de bens e serviços.
    Sistemas de planejamento existem tanto em sociedades capitalistas como socialistas.

____________________________
SÁBADO, 3 DE MARÇO DE 2007
Livros:"A Fraude Inocente – O Crescimento das Grandes Empresas e o Futuro da Democracia"
A Fraude Inocente – O Crescimento das Grandes Empresas e o Futuro da Democracia”, John Kenneth Galbraith, Gestão Plus, 95 páginas, 10 euros

Uma comunidade funcional, liberal nos Estados Unidos, social-democrata ou socialista na Europa e no Japão, sujeita a economia e outros sectores à perspectiva do bem comum. Reside aqui um grande erro. Aquilo que se apresenta como um bem comum pode reflectir apenas uma tendência normal para uma expressão e acção em benefício próprio.”

Esta é uma das muitas frases perspicazes desta curta obra de Galbraith, um dos mais respeitados economistas do século XX, que neste livro apresenta a diferença que existe entre percepção e realidade do sistema económico (sobretudo norte-americano). “ O que prevalece na vida real não é a realidade, mas a tendência do momento e o interesse financeiro”, diz. 

Conhecido por “não ter papas na língua”, este economista, que tem o poder de nos envolver nas suas palavras, apresenta a aparente contradição (“ Como pode a fraude ser inocente?”) do actual sistema económico afirmando que “o papel da empresa na sociedade é um exemplo gritante da fraude inocente.” 

De leitura agradável esta obra, que foi a última das 40 obras de Galbraith (1908-2006), destaca-se por ser fluida, muito afirmativa e por colocar em cima da mesa um tema quente: o papel das empresas e dos gestores na economia moderna. De destacar que ao lermos este livro sentimos que o pensamento que deu origem a estas palavras é um produto de muita pesquisa, estudos e vivência. 

Para terminar, “Deixo ao leitor um último e tristemente relevante facto: a civilização tem dado grandes passos ao longo dos séculos na ciência, na medicina, nas artes e na maior parte dos aspectos, se não em todos, relacionados com o bem-estar económico. Mas também tem oferecido oportunidades privilegiadas para a criação de armas e a ameaça e realidade da guerra. O extermínio em massa tem sido o mais bem conseguido de todos os feitos humanos.”

_____________________
John Kenneth Galbraith

John Kenneth Galbraith (Iona Station, Ontário, 15 de outubro de 1908 — Cambridge, 29 de abril de 2006) foi um economista, filósofo e escritor estado-unidense, conhecido por suas posições Keynesianas.

Galbraith foi cético perante as extravagâncias da "teoria econômica quando não justificadas pelos dados empíricos". Por exemplo, no seu livro intitulado "In The New Industrial State" (1967), ele afirma que muito poucas indústrias nos Estados Unidos enquadram-se no modelo da concorrência perfeita.

Conhecido por suas posições liberais, foi assessor econômico do presidente John Kennedy e publicou diversos livros, entre os quais The Affluent Society (A sociedade opulenta), no ano de 1958, em que critica a política econômica dos Estados Unidos. Aposentado como professor universitário em 1957, publicou em 1981 a autobiografia A Life in Our Times: Memoirs (Uma vida de nosso tempo).[1]

Índice  
1 Biografia
2 Livros
3 Referências
4 Ligação externa
(…)


_____________
Nomenklatura
Nomenklatura (palavra russa derivada do latim) era como se designava a "burocracia", ou "casta dirigente" da União Soviética. Ela incluía altos funcionários do Partido Comunista da União Soviética e trabalhadores com cargos técnicos, artistas e outras pessoas que gozavam da simpatia do Partido Comunista. Na verdade, os membros da "nomenklatura" eram, em sua esmagadora maioria, filiados ao Partido Comunista da União Soviética e gozavam de inúmeros privilégios e vantagens inacessíveis para o restante da população do país.

Origens
O termo nomenklatura deriva do latim nomenclatura que, assim como em português, significa uma lista de nomes. Originalmente, era uma lista de postos ou cargos com altas responsabilidades, cujos ocupantes deviam ser previamente aprovados pelo Partido Comunista da União Soviética. Por extensão, o nome passou a ser usado também para as pessoas que ocupavam tais cargos.

O número de membros da Nomenklatura chegou a ser de 750.000 pessoas. No início, este grupo cresceu como o encarregado por administrar um país de proporções continentais, abrigando mais de 300 milhões de habitantes. Seus militantes exerciam diversos trabalhos, desde técnicos a artísticos. Ainda que nem todos os membros pertencessem ao Partido Comunista, deviam ser vistos com bons olhos por ele.
(...)



-- 
 -- 
 
Atenciosamente.
Claudio Estevam Próspero 
http://mitologiasdegaia.blogspot.com/ (Blog: Mitologias de Gaia)
http://criatividadeinovao.blogspot.com/ (Blog: Criatividade e Inovação)
http://redessociaisgovernanaliderana.blogspot.com/ (Blog:Governança e Liderança em Redes Sociais)
http://reflexeseconmicas.blogspot.com/ (Blog: Reflexões Econômicas)
http://poltica20-yeswikican.blogspot.com/ (Blog: Política 2.0 - Yes, WIKI CAN)
http://mobilidadeurbana-prosperoclaudio.blogspot.com/  (Blog: Mobilidade Urbana)
**  http://automacao-inteligencia-organizacional.blogspot.com.br/ (Blog: Automação e Inteligência Organizacional)
http://www.portalsbgc.org.br/sbgc/portal/ (Comunidade Gestão Conhecimento)

terça-feira, 1 de maio de 2012

EXPLICAÇÃO PERFEITA - PORQUE SOU DE DIREITA!


Abaixo meus comentários, em meio ao próprio texto, sobre uma série de falácias do texto. Que, em letras tão grandes, para textos, equivalente a gritar, o que é tipíco de quem sabe não ter razão e tenta abafar argumentos alheios elevando o tom de voz = “ganhar no grito”, muito comum em acidentes de trânsito, onde mais grita quem menos tem razão....

De:
Enviada em: sábado, 28 de abril de 2012 18:54
Assunto: EXPLICAÇÃO PERFEITA


ESSA EU NÃO CONSEGUI DEIXAR DE REENVIAR !!!
Uma universitária cursava o sexto semestre da Faculdade. Como é comum no meio universitário, pensava que era de esquerda e estava a favor da distribuição da riqueza..

Tinha vergonha do fato de seu pai ser de direita e, portanto, contrário aos programas e projetos socialistas que previam dar benefícios aos que não mereciam e impostos mais altos aos que tinham mais dinheiro.
A maioria dos seus professores tinha afirmado que a filosofia de seu pai era equivocada.

Por tudo isso, um dia, decidiu enfrentar o pai. 

Falou com ele sobre o materialismo histórico e a dialética de Marx, procurando mostrar-lhe que estava errado ao defender um sistema tão injusto como o da direita.

No meio da conversa o pai perguntou:
- Como vão as aulas?
- Vão bem, respondeu ela. A média das minhas notas é 9, mas me dá muito trabalho consegui-las. Não tenho vida social, durmo pouco, mas vou em frente.

O pai prosseguiu:
- E a tua amiga Sônia, como vai?
Ela respondeu com muita segurança:
- Muito mal. A sua média é 3, principalmente, porque passa os dias em shoppings e em festas. Pouco estuda e algumas vezes nem sequer vai às aulas. Com certeza, repetirá o semestre.

O pai, olhando nos olhos da filha, aconselhou:
- Que tal se você sugerisse aos professores ou ao coordenador do curso para que sejam transferidos 3 pontos das suas notas para as da Sônia. Com isso, vocês duas teriam a mesma média. Não seria um bom resultado para você, mas convenhamos, seria uma boa e democrática distribuição de notas para permitir a futura aprovação de vocês duas.

Ela indignada retrucou:
- Por quê?! Eu estudei muito para conseguir as notas que tive, enquanto a Sônia buscava o lado fácil da vida. Não acho justo que todo o trabalho que tive seja, simplesmente, dado a outra pessoa.

Seu pai, então, a abraçou carinhosamente, dizendo:
- Bem-vinda à Direita!

' O PT é o partido que tira de quem trabalha para distribuir para quem não trabalha'

Entendeu, ou quer que desenhe?


A falácia aqui é que o Socialismo não pretende distribuir a riqueza sem a produzir, busca, isso sim melhores condições de funcionamento da Economia de Mercado, em benefício de toda a população. Seus melhores exemplos são as sociedades do Norte da Europa (as verdadeiras Sociais Democracias (o social condicionando a Democracia)).  O que o texto critica é o Capitalismo de Estado,  implantado na URSS Stalinista, na China de Mao, nas Ditaduras do Cone Sul das Américas (aliás muitos dos defensores de tais textos, no Brasil, tem saudade da Ditadura Militar – típico Capitalismo de Estado, que concentrou renda e endividou a Nação, beneficiando os “amigos do rei de plantão”, que não tinha que se aborrecer com eleições periódicas que os obrigassem a prestar contas) e América Central, dentre muitos outros. E que só beneficiaram  os “distribuidores da riqueza não produzida” pois desorganizam a economia, ao desestimular a competência e o desempenho.

Marx previa uma Evolução de Consciência, uma Evolução Natural do Capitalismo, tornando a Economia de Mercado mais próxima dos ideais da Revolução Francesa – Fraternidade, Igualdade e Liberdade:

Lembremos do coração do Manifesto comunista: “A cada um conforme sua necessidade. De cada um conforme sua capacidade” O que demanda um alto nível de consciência para que uns não exagerem suas necessidades e outros não escondam suas capacidades.

Os três valores - Fraternidade, Igualdade e Liberdade - só são úteis ao Progresso Humano se em um Equilíbrio Dinâmico, pois:

 A Liberdade sem Fraternidade (ênfase Ocidental) leva ao abuso dos mais fracos, pois não há limites para a atuação no mercado.

Já a Igualdade sem Liberdade, leva ao famoso: “eles fingem que nos pagam e nós fingimos que trabalhamos” que quebrou os “Socialismos Reais” (em minha opinião melhor seria chamá-los de Capitalismos de Estado, onde os Membros do Partido substituiram os Capitalistas Clássicos (a burguesia – revolucionários na Idade Média, por expropriar os poderes dos Nobres, e parte da classe de exploração, ao se tornarem dominantes (os burgueses mais ricos) deixando de ser motores da meritocracia, ao criar as Corporações, que bloquearam a LEGITIMA CONCORRÊNCIA NO MERCADO – Corporações = a versão moderna da preservação do Status Quo – em associação com a Antiga Nobreza)


Relembrando a célebre frase:
E...
O norte e nordeste elegem...O sul e o sudeste sustentam...
Grande parte da riqueza do sul e sudeste (outra falácia, pois na verdade, mesmo no sul e sudeste a riqueza está muito concentrada, havendo muita pobreza também) foi construída à partir de grilagem de terras públicas (roubo descarado), trabalho escravo (os famosos armazéns das fazendas, onde os trabalhadores só aumentam suas dividas), a escravidão das dividas (onde as pessoas não são remuneradas adequadamente para atender necessidades(?) de consumo cada vez mais altas (que nada tem a ver com sobrevivência digna, mas com necessidades de status, nunca possíveis de satisfazer))
                        
Uma imagem para reflexão: sem os nordestinos falta mão de obra para a construção civil, para o setor canavieiro, etc. Pois os “sulinos e sudestinos” não querem se submeter às condições desumanas que os miseráveis das migrações internas ACEITAVAM (os Programas de Renda Mínima tem, entre seus objetivos, após garantir que ninguém morra de fome por não conseguir trabalho, desobrigar as PESSOAS  de aceitar trabalho indigno). Aliás este é um dos motivos da “grita da Direita”: sem miseráveis não há como ter serviços a preços vis.  

Aliás é o que ocorria, antes do golpe neoliberal que criou a crise, nas economias do G7, com pouca diferença de remuneração entre executivos e faxineiras, por exemplo – lá poucos tinham condições de manter um “batalhão de servos” como copeiros, motorista, etc. – em relações de trabalho típicas da Idade Média (ex.: empregados que dormem no emprego para estar sempre a disposição dos patrões – jornadas de trabalho, em alguns casos, de 16 horas /dia!!!). Lá se tem muitas máquinas e se divide o trabalho em casa, pois somente os muito ricos tem condição de ter empregados – bem pagos, tanto que muitos imigrantes ilegais preferiam se arriscar lá do que ser explorados aqui: universitários que iam ser garçons, faxineiros – pois lá sim se valoriza o trabalho, remunerando-o de forma digna (a essência do Sonho Americano – antes de ser desmoralizado pelo Pesadelo de Wall Street)


O Paraguai não tem Petrobrás e nem pré-sal e o preço da gasolina deles  é menos da metade da metade do preço que nós pagamos aqui no Brasil!

Esta eu me abstenho de comentar: se acha o Paraguai tão bom, vai morar lá....

Um tipico panfleto dos 1% para justificar o injustificável: a gritante disparidade de oportunidades e rendas que o Capitalismo Financeiro (a Economia de Mercado, de Adam Smith, e dos economistas clássicos, que o texto aparenta defender, é muito diferente do mecanismo de “aspiração de riqueza de quem trabalha” para os rentistas, que apenas vivem de patrimônio acumulado, muitas vezes de forma desonesta [1])

[1] Formas desonestas (não produtivas, sem trabalhar, ou roubando o resultado do trabalho alheio)  como gostam de dizer os típicos distribuidores de textos como o acima:

·         Bolsa FEBRABAN = juros da divida pública (contraída de formas que nem sempre atendem ao melhor interesse da maioria da população) = 50% das despesas do Tesouro Nacional (NOSSOS IMPOSTOS). Uma forma perversa de redistribuição de renda: da classe média, que é quem paga impostos, em qualquer país, e das pessoas mais pobres que ficam sem serviços públicos (educação, saúde, segurança, transporte, etc. -) pois é necessário reduzir estas despesas para gerar Superávit Primário = economia para pagar juros da Divida Pública (que só aumenta: superávit não passa de R$ 100 bi/ano enquanto juros da divida é de R$200 bi/ano – caso clásico de “enforcado no Cheque especial”. E todo o rendimento da Divida Pública vai para quem tem aplicações em Títulos do Tesouro Nacional = o topo da pirâmide de rendas, muitas vezes por herança ou fruto de “amizades com governos” (empreiteiras, concessionárias de pedágio, telefonia, etc.) ou puro desvio de dinheiro público (escândalos políticos: pesca, transportes, INSS, Lalau, Maluf, Cachoeira, ,,,,,)

·         Bolsa BNDES = empréstimos com juros subsidiados, muitas vezes ZERO, se levarmos em conta a inflação. Subsídio que tem um custo, outra vez, para o Tesouro Nacional (aumento de Divida Pública – que tem custo de mais de 16% ao ano). Só no ano passado, o Tesouro transferiu ao BNDES R$ 45 bilhões [2]   aumentando a Divida Pública. E tais financiamentos subsidiados são concedidos, na imensa maioria, outra vez, para a “corte”, para os “amigos do rei”, os que tem acesso aos políticos que escolhem os “campeões nacionais”, que serão apoiados pelo BNDES. E, é voz corrente entre os beneficiários de tais benesses – na casa dos bilhões de reais (o Bolsa Família custa R$17 bi / ano, para comparação) – que divida com bancos públicos, BNDES entre eles, nunca se paga = perdão ou falência fraudulenta dos devedores....

[2] TESOURO NACIONAL JÁ ESTUDA NOVO APORTE AO BNDES  Terça, 17 Janeiro 2012 10:04
Em entrevista à imprensa, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse que o governo estuda um novo repasse ao Banco. O valor seria menor do que os 55 bilhões de reais definidos para 2011.


·         Bolsas “Investimento Público”: aquisição de produtos e serviços, nem sempre de boa qualidade, à preços exorbitantes, para aeroportos, escolas, estádios de futebol (!!!), hospitais, instalações de bombeiros e segurança, dentre outras, que depois de estourarem todos os prazos e orçamentos para execução, com os famosos aditivos, que aumentam ainda mais os preços iniciais, já escorchantes, não operam por falta de recursos e pessoal (as famosas despesas de custeios = funcionários que realmente atendam à população que paga impostos. Despesas de Custeio que nunca são cortadas nos níveis de acessoria dos políticos, onde estão os grandes salários, mas sim nos “barnabés”, que por ganhar mal e estarem sobrecarregados – quadros de funcionários subdimensionados – atendem mal a população, dando mais munição aos detratores do Serviço Público – em maíusculo sim, pois poderiam ser bem organizados e executados)

Paro com estes exemplos citados, vocês certamente, se refletirem um pouco, poderiam estender, em muito a lista acima.


 Só tenho a agradecer a quem distribuí tais textos por me propiciar a oportunidade de refletir e debater idéias. Que muitos deles não se preocuparão em entender, pois vivem de dogmas da Ideologia de Wall Street, muitas vezes sendo servos prestativos de seus algozes, vitimas que também são das conseqüências do que nunca funcionou e nunca funcionará (nem mesmo para os 1% - que perdem segurança física e psicológica para usufruir seus $ Bilhões): o Sistema Corporativo de Concentração de Riqueza.

Para os demais, que não desistiram de pensar, convido a visitar este meu blog;

Reflexões Econômicas => http://reflexeseconmicas.blogspot.com/ 



--

Atenciosamente.
Claudio Estevam Próspero 
http://mitologiasdegaia.blogspot.com/ (Blog: Mitologias de Gaia)
http://criatividadeinovao.blogspot.com/ (Blog: Criatividade e Inovação)
http://redessociaisgovernanaliderana.blogspot.com/ (Blog:Governança e Liderança em Redes Sociais)
http://reflexeseconmicas.blogspot.com/ (Blog: Reflexões Econômicas)
http://poltica20-yeswikican.blogspot.com/ (Blog: Política 2.0 - Yes, WIKI CAN)
http://www.portalsbgc.org.br/sbgc/portal/ (Comunidade Gestão Conhecimento)