sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Irá o Estado punir as empreiteiras? O Brasil vive um embate inédito e definidor entre cidadania e patrimonialismo, lutando uma para desabrochar o outro para permanecer. Em tese, o Estado tem duas alternativas: ou declara as empreiteiras inidôneas ou as livra e as obriga a agir doravante de acordo com a idoneidade ratificada


Fonte da imagem: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/12/acoes-da-petrobras-caem-e-economista-da-dicas-sobre-o-mercado.html

Uma vez que no Brasil essas empresas respondem pela quase totalidade das obras públicas de vulto, declará-las inidôneas significa desorganizar, em alguma medida e por algum tempo, a economia do país, acarretando preços a serem pagos tanto a curto (desemprego) quanto a médio prazo (crescimento).

Ninguém, em sã consciência, deseja algo assim. Mas, e quanto ao preço do descrédito nas instituições (sim, ainda não chegamos ao fundo do poço) como consequência das ações e pressões dos agentes do Estado para salvar as empreiteiras?

Ruben Bauer Naveira
20/01/2015 23:46 
Irá o Estado punir as empreiteiras?


O Brasil vive um embate inédito e definidor entre cidadania e patrimonialismo, lutando uma para desabrochar o outro para permanecer. Em tese, o Estado tem duas alternativas: ou declara as empreiteiras inidôneas ou as livra e as obriga a agir doravante de acordo com a idoneidade ratificada


Diga-se, em primeiro lugar, que o Estado brasileiro é fruto histórico de um matrimônio indissolúvel entre o poder político-administrativo e o poder econômico, e sua razão de existir é atender antes de tudo a tais interesses particulares, não aos interesses maiores da sociedade.

Tal condição não é exclusiva do Brasil, afinal não existe no mundo nenhum Estado que não esteja sob crítica da sua respectiva sociedade. Mas o Estado brasileiro é sui generis, um tipo singular, segundo a tese que Raymundo Faoro nos legou em seu clássico Os Donos do Poder.

Vale uma digressão para apresentar o argumento de Faoro: no feudalismo, a classe dominante é tipicamente composta pelo rei, pelos senhores feudais e pelo clero, com tensões entre si na partilha do poder. Com o mercantilismo adveio também a burguesia, acumuladora de riqueza, contudo ainda excluída desse condomínio.

O Estado moderno surge então, especialmente após a Revolução Francesa, como uma reordenação dessas forças, sob predomínio da burguesia e declínio das demais. Portugal, porém, ao contrário dos demais países europeus, não teve feudalismo (porque já no século XIV o rei esmagara militarmente os senhores feudais e domesticara o clero).

Para dar conta de administrar o reino sem os senhores feudais, o rei contratou um aparato burocrático de funcionários convidados por afinidade, que logo adquiriu vida própria e se pôs a controlar (e parasitar) toda a atividade econômica do reino, com base em um sem número de normas escritas (códigos, proclames do rei etc.) numa hiper-regulação.

A partir das grandes navegações, com os descobrimentos e a colonização, esse aparato burocrático expandiu-se e, quanto maior, mais benfeitor de si próprio, mais apropriador da vida econômica e mais opressor da vida em geral.

A burguesia nascente, para conseguir prosperar, aprendeu a com ele se consorciar pela via da troca de favores e privilégios e da corrupção, compondo uma sociedade em que quem tinha posses era gente, quem não tinha era ralé e abaixo desses os escravos. Faoro denominou esse sistema “patrimonialismo” (o público como patrimônio de particulares), sistema que, por ser entrópico (necessita sempre sugar mais e mais recursos para se manter), somente pôde perdurar graças aos sucessivos booms econômicos de que Portugal se locupletou (as especiarias da Ásia, o açúcar do Nordeste, o ouro das Gerais).

À época da independência do Brasil, consolidava-se o Estado moderno em países como França, Inglaterra e Estados Unidos e assim se quis de algum modo copiá-los. Contudo, o tipo de Estado que aqui se formou não foi, como naqueles países, uma afirmação da burguesia mercantil (e já também industrial) em superação ao absolutismo do rei e à aristocracia, mas antes uma reafirmação do velho consórcio entre os agentes político-administrativos e os agentes econômicos, para continuidade da espoliação das riquezas do País (adveio em seguida o ciclo do café).

Da tese de Faoro se apreende o porquê de o Brasil, apesar de imensamente rico, não ter até hoje conseguido deslanchar.

O que não quer dizer que o Estado brasileiro não venha, aos poucos, se voltando em direção à sociedade. A partir de 1930 houve progressos alternados com retrocessos até que, como fruto das lutas pelo fim da ditadura e pela redemocratização do País, a Constituição de 88 veio instituir um modelo híbrido: se por um lado conserva o caráter do Estado como instrumento dos poderosos, por outro vem abrir brechas de cidadania.

Como exemplo do conservadorismo, a CF88 tem como cláusula pétrea (ou seja, algo que jamais poderá ser revogado, nem mesmo pelo mecanismo de emenda constitucional de três quintos da Câmara e do Senado, duas vezes cada um) os chamados direitos adquiridos, e assim eterniza inumeráveis privilégios.

Como apenas um exemplo, a Previdência Social são na verdade dois planos de benefícios completamente distintos (que em comum têm apenas a fonte dos recursos, o tesouro) conforme o quilate do aposentado: o regime próprio para os servidores públicos e o regime geral para o restante da população (denominações que são sintomáticas).

Como exemplo dos avanços, a obrigatoriedade do ingresso no serviço público por meio de concurso (ainda que no judiciário de vários estados os concursos sejam aproveitados para lavagem do nepotismo). Ainda mais significativo, as tão combatidas políticas de redução das desigualdades dos governos do PT nada mais são que o cumprimento de obrigações impostas pela Constituição:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; (…)

III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

Mas foi graças à criação de um ministério público com liberdade para atuar em defesa da sociedade que as maiores empreiteiras do País estão hoje a caminho do banco dos réus. Trava-se nesse exato momento um embate inédito e definidor entre cidadania e patrimonialismo, lutando uma para desabrochar o outro para permanecer. De um lado, personagens como Sergio Moro, Rodrigo Janot e Teori Zavascki têm sobre seus ombros infinitamente mais do que suas atribuições institucionais: cerram fileiras, do outro, cinco séculos de anticidadania.

A sociedade brasileira bem sabe que a montanha de dinheiro desviada da Petrobras (foi até aqui contabilizada a propina, não o sobrepreço) é apenas a ponta de um novelo que, quanto mais for desenrolado, mais irá mostrar.

E se trata apenas da corrupção em curso, não da pregressa. Em entrevista à Folha de São Paulo, em 01/12/2014 (“Empreiteira que soube usar a corrupção cresceu mais, diz historiador”), Pedro Henrique Pedreira Campos, autor do livro Estranhas Catedrais sobre a corrupção durante a ditadura militar, relata que naquele período as empreiteiras tiveram acesso ao Estado sem intermediários, dado que o Congresso era meramente figurativo.

Tampouco havia instâncias de fiscalização como as atuais, pelo que os casos de corrupção simplesmente não vinham à tona. A roubalheira era então muito maior do que hoje.

Um exemplo? O embaixador José Jobim, sem nenhuma ligação com organizações de esquerda, foi sequestrado, torturado e morto em 1979 porque havia levantado provas de que o superfaturamento na construção de Itaipu levou a um custo final dez vezes superior ao orçado. Atualizada a valores de hoje, a roubalheira de Itaipu supera muito provavelmente esta de agora.

Estaria o Estado brasileiro, em tese, frente a duas alternativas: ou declara as empreiteiras inidôneas e procura mitigar os efeitos adversos sobre a economia do País, ou livra as empreiteiras e procura obrigá-las a doravante agir de acordo com a idoneidade ratificada.

“Estaria em tese”, porque o DNA do Estado, sua índole natural o levará a poupar as empreiteiras. Pode ficar complicado, porém, convencer a sociedade de que ainda mais investimento no vício da hiper-regulação (agora na forma de governança e compliance) herdado de nossos antepassados lusos fará idôneas empreiteiras acostumadas há décadas a não apenas subornar senadores, governadores e juízes, mas a fazê-los.

Se a sociedade fosse ouvida, que vontade manifestaria? Seria de fato ela pela punição das empreiteiras, ainda que ao custo de uma retração da economia?

O Estado não irá ouvir a sociedade, não é da natureza dele. Será a sociedade que terá que se fazer ouvir. Para tanto, falta o debate. O artigo a seguir é uma contribuição a esse necessário e urgente debate.

*Esse artigo é uma adaptação para o Brasil Debate do texto: 

Estará o destino do Brasil por uma canetada?

TRECHO:
A canetada em questão é declarar inidôneas as empreiteiras corruptoras da Petrobras, e assim suspender todos os seus demais contratos pagos com dinheiro público.

Uma vez que no Brasil essas empresas respondem pela quase totalidade das obras públicas de vulto, declará-las inidôneas significa desorganizar, em alguma medida e por algum tempo, a economia do país, acarretando preços a serem pagos tanto a curto (desemprego) quanto a médio prazo (crescimento).

Ninguém, em sã consciência, deseja algo assim. Mas, e quanto ao preço do descrédito nas instituições (sim, ainda não chegamos ao fundo do poço) como consequência das ações e pressões dos agentes do Estado para salvar as empreiteiras?

E se de todo modo elas forem declaradas inidôneas? Pode-se adotar medidas que atenuem o impacto? Pode-se procurar chegar a algum benefício em meio aos prejuízos?

Procurar responder tais perguntas de forma intelectualmente honesta (o propósito deste artigo é contribuir para isso) seria do mais alto interesse nacional. Não é o que vem ocorrendo, infelizmente.

Tem-se abusado da expressão “parar o país”, não apenas simplista mas de óbvio impacto psicológico. Com que intuitos? Alertar a opinião pública, ou amedrontá-la? 

ARTIGO COMPLETO:

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Como poderia ser Um Dia na Vida de uma Sociedade que evoluiu para além da Economia de Mercado Capitalista (Eficiência de Mercado - Lógica do Dinheiro - Modelo Financista)

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Fonte da imagem: Vênus Project Califórnia  [https://www.thevenusproject.com/br/]


(16) Estilo de Vida, Liberdade e o Fator Humanidade

A liberdade é algo mais do que o direito de viver como nós desejamos? Nada mais. [807] - Epíteto

(...)

Estilo de vida

Conforme a tecnologia se desenvolve e o conhecimento científico evolui, a cultura muda. Esta tem sido a tendência da história. Com o desenvolvimento exponencial das tecnologias baseadas na informação e, consequentemente, a tecnologia aplicada que então emerge, cada geração desenvolve novos valores, associações, modos e expressões. Vamos imaginar despertar uma manhã em uma EBRLN [a] - um dia na vida:

[a] EBRLN - Economia Baseada em Recursos e Lei Natural

Você acorda para um zumbido geralmente tranquilo de tráfego leve, com os trens maglev movendo-se rapidamente através da cidade. Sendo um amante de vistas altas, você sai da cama, no 20º andar de um simples ainda que elegante complexo de apartamentos extrudados via molde, que convertem toda a luz solar em energia através de tintas fotovoltaicas em suas camadas mais externas. Você tem um fugaz momento de encantamento com esta realidade enquanto o sol irrompe através das janelas, forçando o aumento da atenção para fora de seu estupor do inicio da manhã. 

Enquanto emerge do sono, você também é lembrado de seu primo ter participado daquela iniciativa global, impulsionada pela universidade, de cerca de duas décadas atrás, que procurou aperfeiçoar esta tecnologia de pintura a um grau de eficiência nunca antes visto. Em poucos anos de colaboração, esta tinta PV atingiu 90% de eficiência energética, o que a torna viável em praticamente qualquer estrutura. Você se lembra da alegria e satisfação que o seu primo sentiu quando sua equipe estava na linha de frente quando este avanço para a humanidade foi alcançado. Era como a euforia sentida entre os companheiros de equipe de futebol depois de um gol ter sido marcado.

Lentamente ganhando foco conforme suas pupilas encontram o equilíbrio com a luz invasora, você olha para fora da janela e nota uma enorme máquina, suspensa por um tipo de guindaste, lentamente adicionando uma nova seção na estrutura do edifício do qual você é uma parte. Quase como mágica, a máquina é capaz de formar, a partir do que parece, a primeira vista, uma espécie de plástico líquido, uma nova configuração de apartamento e acrescenta a forma na estrutura existente. Silenciosamente, com segurança e, estranhamente, com muito poucas peças, não há técnico à vista, mesmo que provavelmente alguém esteja acompanhando o processo de algum lugar. Sensores de luz piscando e escaneando, sobre a enorme máquina, parecem sugerir que ela entende tudo sobre a área circundante e o que precisa fazer.

Olhando mais longe. no horizonte da cidade, há uma sensação imediata de sinergia com a natureza. A cidade não tem concentrações inadequadas ou em desequilíbrio. Os habilidosos sistemas de transportes que zunem pela cidade, que são de alta tecnologia, de fato parecem unir-se perfeitamente com a vegetação, lagos e canais. De repente, um quadro na parede, ao lado da janela, chama a sua atenção. Ele é um antigo retrato de arquivo, de quase o mesmo ponto de vista, mas fotografado muitas, muitas décadas antes, durante o que, no folclore popular moderno, hoje chamamos de "última idade das trevas".

Neste retrato uma sensação de tensão, congestionamento e conflito é sentida. Uma longa corrente de automóveis é vista, em uma faixa de estrada de concreto bruto, cobrindo todo o caminho para fora da moldura. Você se lembra de seu ensino de história, anos atrás, que naquela época a prática monetária, criando grande pressão e discórdia, com as pessoas se acumulando nas cidades para obter um emprego e, consequentemente, ganhar dinheiro, a fim de comprar coisas e sobreviver. Você, então, pensa em como as coisas mudaram de fato, se sentindo um pouco triste por aquela cultura primitiva e feliz por ter nascido quando nasceu. É claro que, percebendo que você também vive em uma era fugaz, conforme o tempo passa, você tenta imaginar quais aspectos de sua vida hoje um dia serão considerados ultrapassados, no futuro.

Com fome, você entra na cozinha do apartamento. É um projeto relativamente novo que você não tinha visto ainda. Embora o conceito de sistemas e o interesse em combinar e unificar o design industrial tenham sido mencionados fartamente em seus materiais educativos, como um estudante de engenharia, você percebe o grau avançado de eficiência já alcançado. A cozinha é uma unidade. Os pratos e utensílios são concebidas para o processo de lavagem e de armazenamento, que são diretamente incorporados. Uma vez que um prato está sujo, ele é colocado em um compartimento que já compreende a natureza pré-concebida do prato e processa o prato com uma espécie de limpeza a vapor e uma configuração de UV que também o esteriliza. Automaticamente,o prato é, então, retornado ao local apropriado no dispensador de prateleira, para a próxima utilização. É como se a cozinha fosse uma grande máquina, unificada.

No entanto, verificando a geladeira, você percebe que se esqueceu de pegar provisões para a sua curta estadia. Você pondera se descerá ao nível mais baixo para pegar essas provisões e voltar, mas você decide que é hora de seguir em frente e que você vai comer alguma coisa em um café, no caminho. Assim que sai do apartamento, você passe a chave de acesso no painel de controle, para confirmar a sua saída final e, em seguida, olha para o painel de controle para encontrar o botão "limpar". Depois de um pouco de frustração, você finalmente percebe que o apartamento foi projetado com um sistema de sensor de movimento, com base no tempo, para limpar-se automaticamente quando nenhum movimento for detectado.

Você, então, perceber o robô CF6 no canto e faz uma pausa para se maravilhar com a proeza técnica incrível que é ter este robô que entende a natureza exata do espaço, quais coisas pertencem a ele e quais não, tudo programado com percepção espacial 3D absoluta do apartamento, para limpar e organizar. É difícil para você imaginar como deve ter sido penoso esse trabalho diário de manutenção, em gerações anteriores.

Saindo do apartamento, que na verdade é um local de acesso temporário que você "alugou" por meio de um serviço online, você entra nos corredores e quase colide com um homem mais velho se movendo rápido, que deixa cair um pequeno laptop. Você percebe que ele é um dos gerentes do complexo de apartamentos. Você o ajuda a pegar o objeto e ele pede desculpas profusamente. "Sinto muito!" ele exclama. "Nós temos um problema com o CF6 no nível 12 e eu preciso reiniciá-lo!" "Que bom que nós sempre temos alguns backups para cada quarto!"

Você agradece a ele gentilmente pelo seu lugar bem cuidado e continua em seu caminho, com uma breve reflexão de volta para aquela foto histórica, no quarto de que você acabou de sair. Há muito tempo, no passado, o sentido de contribuição das pessoas sempre era associado a dinheiro. Eles tinham empregos, como eram chamados. Hoje, a vocação das pessoas é uma questão de escolha, facilitada também por um senso básico de responsabilidade social. Nossa sociedade é projetada para cuidar de nós como um só, então por que não devemos cuidar da própria sociedade em troca? O homem por quem você passou mantém aquele edifício, porque ele gosta de ajudar os outros e uma vez que ele próprio só precisa trabalhar algumas horas por semana nesse cargo, ele vê seu tempo voluntário como valioso e sem ônus, ajudando, feliz, outras pessoas que muito apreciam a contribuição. Isso faz com que ele se sinta mais como parte da comunidade.

Saindo do prédio, a rua está animada, com movimento. Você percebe um café francês retro, com aspecto artístico, na esquina e ri para si mesmo da nostalgia sem sentido, mas ainda assim bonita. Você entra e senta numa mesa de canto pequena, sorrindo educadamente para a família do outro lado da rua. Percebendo que você está ficando sem tempo, pois você tem que pegar um trem para assistir a uma conferência a umas duas centenas de quilômetros de distância, você tecla um pedido simples no menu do quiosque no centro da mesa. Chá e waffles. Uma vez encaminhado você não pode deixar de notar uma vibração leve que ocorre atrás de sua cabeça.

Já que seu avô era um engenheiro que ajudou a projetar o sistema automatizado de cozinha original, isso é curioso para você já que a tradição de costume era colocar a unidade de processamento acima e ao centro no espaço. Parece que havia alguma restrição nesta área estreita então eles a esconderam para o lado. Cerca de dois minutos depois, uma luz vermelha aparece na mesa para alertá-lo de que o seu pedido está pronto. Uma porta de vidro se abre, que é perpendicular à parte de cima da mesa e um transportador se estende para revelar o seu chá e waffles. Você pega a bandeja e se apressa para terminar, na esperança de não perder seu trem. Uma vez feito isso, você desliza a bandeja de volta para a abertura e ela se fecha para limpeza.

Quando sai do café, você não pode deixar de notar um decalque com a silhueta de uma forma feminina com uma bandeja, curvando-se sobre o que parece ser uma mesa. No início, a imagem confunde você e então você se lembra que houve um tempo na história em que as pessoas eram escravas dos outros deste mesma forma. Antes do restaurante automatizado, as pessoas realmente desperdiçavam o seu potencial, esperando uns pelos outros e manualmente trazendo comida e recebendo pedidos. Mais uma vez, você fica feliz por ter nascido quando nasceu.

Dirigindo-se para fora você percebe que tem uma longa caminhada. Ponderando embarcar no carrinho maglev, que circula constantemente sobre a cidade como um verme gigante, você decide que provavelmente vai ser muito lento. Então, você caminha para a rua paralela, que é onde os carros automatizados zunem em seus trajetos personalizados. Usando o seu telefone celular, que tem uma aplicação especial vinculada ao sistema de transportes da região, um táxi branco percebe rapidamente a sua chamada e pára na esquina. Você entra na frente do táxi e descreve verbalmente o endereço. Uma voz confirma o seu pedido e você está a caminho. 

Chegando na estação de trem, você sai do táxi e começa a seguir o seu caminho. Enquanto caminha você nota uma pessoa com uma grande mala ao seu lado, carregando-a. Isto o deixa perplexo. Parece tão árduo e desnecessário. Você se pergunta por que alguém iria precisar de uma bagagem tão grande quando as coisas básicas, de que todo mundo precisa, podem ser encontradas em qualquer cidade do mundo, sob demanda. A ideia de bagagem parecia inadequada e estranha. No entanto, antes de você ter um momento para refletir sobre isso mais um pouco, o homem na sua frente, de repente, cai no chão.

Imediatamente uma grande multidão começa a se formar, para ver se podem ajudar. Sendo o mais próximo dele, você observa que as características parecem ser de um ataque cardíaco. Embora extremamente raro no mundo, naquela época, eles ainda ocorrem, ocasionalmente. Usando seu telefone, você tecla o número de emergência 331 com a palavra "médica". Isso envia uma notificação instantânea de emergência para uma equipe local de voluntários treinados na prática médica, juntamente com a localização, via GPS. Em poucos minutos, uma equipe chega e trabalha para salvar a vida do homem. Como o homem ainda respirava, ele é colocado em um veículo de emergência automatizado, que zune para o hospital local. Preocupado com o destino do pobre homem, você se recompõe e continua, ainda mais atrasado do que antes.

Finalmente chegando ao seu trem, você entra e senta-se. Dentro de instantes as portas se fecham e você respira um suspiro de alívio. Em seu assento existe um centro de entretenimento que tem conteúdos de mídia sob demanda. Quando o trem começa a acelerar, de repente você se lembrar que seu sobrinho produziu um longa-metragem sobre a migração de baleias, recentemente, mas você não consegue lembrar o nome. Dado que este centro de mídia tem um link para. literalmente. todos os conteúdos já produzidos na história humana, digitalizado e dentro de um banco de dados acessível, você declina da ideia de procurá-lo entre os milhões de filmes.

Em seguida, ele vem a você! Assim, você digita o título e lá está ele. No entanto, sua lembrança de que sua viagem é de apenas cerca de 275 milhas faz você perceber que você não vai chegar longe, já que este trem maglev move-se a cerca de 3.000 mph. Você vai ter sorte se você assistir 8 minutos do filme. Então, ao invés de estragar a experiência, você decide revisar por alto algumas notas que você trouxe para a conferência. O tema da conferência é terraformação. Grande interesse está sendo demostrado pela humanidade em continuar a explorar a ideia de habitar o espaço, e esta conferência irá abordar os potenciais atualmente disponíveis.

No entanto, antes que muitas reflexões possam ser feitas, você chega ao seu destino. Você sai do trem e entra na estação. Você percebe que você precisa de algum equipamento para algumas tarefas programadas que serão abordadas na conferência, assim você caminha para a biblioteca de tecnologia local. Você precisa de um laptop versátil e de uma série de cartões de armazenamento para redigir suas notas e trabalhar depois que isto for feito. Você entra na biblioteca e sente um zumbido em seu telefone. Você o puxa para fora e uma notificação curiosa dá boas-vindas ao centro de tecnologia dessa região e pergunta se você precisa de ajuda em sua busca.

Isto o deixa perplexo, no começo, mas então você se lembra que a rede de bibliotecas da região foi recentemente atualizada para permitir um sistema de reconhecimento universal, facilitado por um aplicativo de telefone que você tinha instalado antes, ao usar outra biblioteca, na mesma região, anos atrás . Você tinha se esquecido disso. "Que conveniente!", Você pensa. Você descreve o laptop e os cartões de memória e ele retorna os perfis dos produtos. Você acha que está correto. Uma vez confirmado, um mapa visual da biblioteca aparece que mostra a sua localização e a localização da área com os bens que você precisa. Você se move para essa área e recolhe os itens. Em seguida, você sai da biblioteca, acessa um táxi automatizado, e você está a caminho da conferência.

Um número de horas mais tarde, a conferência termina. Você está inspirado, exausto e com fome, depois de ter-se esquecido de comer a maior parte do dia. Você decide que uma refeição estilo italiano soa bem. Felizmente, você percebe um restaurante como esse a poucos quarteirões abaixo e começa a andar. O telefone toca. É um associado de sua cidade natal. Ele afirma que há um problema com um dos múltiplos produtores de alimentos e ele é incapaz de responder devido a uma emergência pessoal própria. Você afirma que você vai se colocar online e verificar o status do sistema e retornará para ele.

Você entra rapidamente no restaurante italiano e senta-se em uma pequena mesa. É uma noite muito ocupada, por isso é mais barulhento do que você preferiria. Você pega o laptop, que tem uma ligação à Internet por satélite, em todos os momentos, e navegue até os mainframes técnico de sua região para verificar se há erros de status. Com certeza, há um problema de energia, no setor cinco da estrutura da fazenda vertical automatizada, na região nordeste. Você acessa uma imagem digital do layout físico que, por um tipo de codificação de cores, revela uma linha rompida de cabo de um conversor de energia. Tendo visto este problema antes, uma vez que você tem sido supervisor da produção de alimentos de sua região, por cerca de oito anos, você tem uma sensação de alívio, já que o problema é muito simples de resolver.

Com poucos comandos, um robô modular CR9 está agora sob seu controle, na fazenda. Através desta capacidade de controle remoto você é capaz de guiar a máquina para a área do problema e explicar a questão. Este robô, como o do apartamento que você tinha antes, tem uma compreensão completa de todos os sistemas físicos e técnicos na operação. Um modelo 3D da planta e seu projeto de infra-estrutura é, literalmente, programado nesses CR9s e tudo o que é preciso é um pouco de orientação da equipe de gestão e ele rapidamente entra em ação para corrigir um problema. Uma vez no local, o CR9 entende rapidamente o problema, de forma clara, e move-se para substituir o cabo de alimentação ruim. Em poucos minutos, o problema está resolvido. Você chama seu parceiro e ele agradece gentilmente pela assistência.

Agora. com muita fome, você precipita-se sobre o menu do quiosque e encontra o maior prato de massa que você pode! Você entra seu pedido, juntamente com um coquetel forte e um pouco de água, e espera. Cerca de dez minutos depois, um mecanismo na mesa abre, a partir do lado, elevando a sua agora visualmente sedutora refeição à superfície, na sua frente. Você mergulha! Comendo próxima, você não pode deixar de notar uma mulher com feição gentil olhando para você, a partir do canto. Você sorri e ela vem. 

Ela pergunta: "Como está?" Você responde "Muito bom. Você é a gerente aqui? " Ela balança a cabeça. Você, então, segue descrevendo como o seu avô ajudou a projetar o sistema de cozinha que ela está usando. Ela se ilumina e diz: "Minha família tem alimentado as pessoas durante nove gerações. Às vezes eu retorno ao passado e cozinho a comida eu mesma, apenas para me divertir! " Ambos riem da nostalgia, comparando a ideia com aqueles que ainda consertam manualmente carros velhos, apenas por diversão.

Após a refeição e conversa, você decide que é hora de se retirar para dormir. Usando seu telefone, você localiza um quarto disponível a alguns metros. Você entra no edifício, obtêm um cartão-chave a partir de uma parede automatizada de chaves, sobe para o seu quarto e dorme. A vida segue em frente.

O texto acima foi extraído do seguinte capítulo, em revisão para publicação no site:

Ensaio 16: Estilo de Vida, Liberdade e o Fator Humanidade

Diagnósticos e soluções propostas no livro:

O MOVIMENTO ZEITGEIST-UMA NOVA FORMA DE PENSAR
A tradução (colaborativa) dos capítulos 1 a 11 está disponível no site (estamos trabalhando nos demais capítulos  - se desejar ajudar na tradução / revisão, veja como no link):


Apagão Elétrico: como a Lógica do Dinheiro (Eficiência de Mercado - Modelo Financista) impede a implantação de um Modelo Energético RESILIENTE (auto suficiência local com redundâncias regionais e globais, baseado em fontes renováveis)

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Fonte da imagem:  http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/167140/Blecaute-vira-apag%C3%A3o-com-torcida-por-racionamento.htm

Apagão de energia atinge dez Estados e o DF

Por iG São Paulo | 19/01/2015 16:33 - Atualizada às 19/01/2015 20:51

Corte na distribuição foi determinado pelo ONS, órgão do governo federal responsável pela coordenação e controle de geração e transmissão de energia elétrica no Brasil

Além da falta de água nas torneiras, a crise hídrica começa agora a afetar também a distribuição de energia elétrica no País. Cidades em ao menos dez Estados brasileiros –nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste – registraram cortes severos que chegaram a duas horas, na tarde desta segunda-feira (19), deixando residências e comércios totalmente no escuro.
O contratempo ocorreu devido a uma determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão federal responsável pela coordenação e controle de geração e transmissão de energia elétrica no País. Em nota divulgada horas após o apagão, o ONS justificou as quedas da seguinte maneira: "Restrições na transferência de energia das regiões norte e nordeste para o sudeste, aliadas à elevação da demanda no horário de pico, provocaram a redução na frequência elétrica."
(...)

Atrasos e superfaturamento de obras - que entregam menos (pelo preço de um Megawatt se disponibilizaria muitos mais Megawatts de energia) e muito mais tarde (aditivos de contratos = +$) - são decorrentes da 'concorrência de mercado' entre as empreiteiras que lucram com as obras do Sistema Interligado e Centralizado em Grandes Hidro e Termoelétricas. Será que estas empreiteiras, patrocinadas pelos políticos que financiam (de todos os partidos) - muitas as mesmas envolvidas nos escândalos de corrupção da Petrobrás - buscam a eficiência técnica em suas obras (otimizar o atendimento das necessidades dos cidadãos) ou a eficiência de mercado (otimizar o lucro)?

A mesma lógica se aplica à disponibilidade de transporte de massas em São Paulo - CPTM / Metro: (atrasos e superfaturamento de obras - que entregam menos (pelo preço de um quilometro de metro ou trem se disponibilizaria muitos mais quilômetros de metro ou trem) e muito mais tarde (aditivos de contratos = +$) - são decorrentes da 'concorrência de mercado' entre as empresas (de 'nível global') que lucram com este jogo combinado)
Um outro exemplo de que a 'mão invisível', da lei da oferta e procura, na verdade é uma 'mão visível' de grupos (cartéis / oligopólios) que manipulam a oferta e a demanda (via publicidade e outros meios):

.... os governos árabes jogaram o preço do petróleo para baixo para inviabilizar a exploração em vários países ( pre sal em águas profundas no Brasil, xisto betuminoso nos EUA, outras alternativas energéticas )?


O que temos que buscar - como cidadãos e consumidores de energia - para não continuarmos os grandes perdedores neste cassino da Economia de Mercado Capitalista:


(14) Fatores Econômicos Reais

O mundo mudou muito mais nos últimos 100 anos do que em qualquer outro 
século na história. A razão não é política ou econômica, mas tecnológica - 
tecnologias que fluíram diretamente de avanços na ciência básica. [751]
Stephen Hawking 

Visão geral

Em grego economia significa a gestão de um grupo familiar. [752] O atributo qualitativo definidor de uma economia é o seu nível de "eficiência". Ao contrário da prática da "eficiência de mercado" comum hoje em dia, esta forma de eficiência refere-se a sistemas físicos - e não às inter-relações do "dinheiro", do "mercado" e de outros artifícios indiscutivelmente culturais.[753] 

Neste processo de avaliação física, nós inevitavelmente chegamos a um conjunto de componentes inter-relacionados apropriadamente denominados fatores econômicos. Mais uma vez, estes componentes, diferentemente das grandes teorias financeiras em jogo no mundo moderno de hoje, não têm nada a ver com o ato de comércio ou similares. Ao contrário, eles influenciam nos processos técnicos reais, portanto, tendências, potencialidades e necessidades de medição necessárias para a organização do sistema otimizado de extração industrial, produção, distribuição, design, protocolos de reciclagem e afins. 

O texto acima foi extraído do seguinte capítulo, em revisão para publicação no site:

Ensaio 14: Fatores Econômicos Reais 

Diagnósticos e soluções propostas no livro:

O MOVIMENTO ZEITGEIST-UMA NOVA FORMA DE PENSAR
A tradução (colaborativa) dos capítulos 1 a 11 está disponível no site (estamos trabalhando nos demais capítulos  - se desejar ajudar na tradução / revisão, veja como no link):



(B) Sistemas em Pequena Escala e de Uso Total Misto 

A seção anterior descreveu o vasto potencial de aproveitamento de energias renováveis em grande escala, com Demanda Minima [N.T.: base-load - Exigência de carga básica (base-load) é o nível mínimo de demanda em um sistema de alimentação elétrica, ao longo de 24 horas. Fontes de energia de Demanda Minima são aquelas plantas que podem gerar energia confiável para atender de forma consistente uma demanda. Elas são a base de um sistema elétrico.]. Eólica, solar, água / hidro e geotérmica têm demonstrado que são capazes, isoladamente, de disponibilizar, ou vastamente exceder, o consumo energético anual global corrente de 0,55 ZJ, deste momento.

A verdadeira questão é saber como esses métodos serão colocados em prática de forma inteligente. Dadas as limitações regionais, associadas com outras questões nativas, tais como intermitência, uma iniciativa de design real necessita criar uma combinação viável de tais fontes. Algo como uma abordagem sistêmica é a solução real, harmonizando uma fração otimizada de cada uma dessas fontes de energia renováveis ​​para atingir a total utilização da abundância global.

Por exemplo, não é inconcebível imaginar uma série de ilhas artificiais, flutuando ao largo de locais selecionados, ao longo dos litorais, que são projetadas para, eventualmente, aproveitar, ao mesmo tempo, o vento, energia solar, diferenças térmicas, ondas, correntes de maré e do oceano - tudo ao mesmo tempo e na mesma área geral. Tais ilhas energéticas poderiam então enviar, via cabo, sua produção de energia de volta à terra, para uso humano. Várias combinações poderiam também ser aplicadas a sistemas baseados em terra, tais como a construção de combinações Eólica / Solar para contemplar o fato de que muitas vezes a energia eólica é mais presente durante a noite, enquanto a solar está disponível durante o dia.

Da mesma forma, a capacidade criativa no que diz respeito à forma como podemos combinar de forma inteligente vários métodos, também se estende ao que poderíamos considerar aproveitamento de energia local. Métodos renováveis, em ​​escala menor, que conduzam a estruturas individuais ou para pequenas áreas, atendem a mesma lógica sistêmica com respeito à combinação de fontes. Esses sistemas locais poderiam também, se fosse necessário, conectar-se aos sistemas maiores, de Demanda Minima [N.T.: base-load - Exigência de carga básica (base-load) é o nível mínimo de demanda em um sistema de alimentação elétrica, ao longo de 24 horas. Fontes de energia de Demanda Minima são aquelas plantas que podem gerar energia confiável para atender de forma consistente uma demanda. Elas são a base de um sistema elétrico.], assim, compondo uma rede total, integrada, de fontes mistas.

Um exemplo comum hoje em dia, é o uso de painéis solares de estrutura simples, tais como os de utilização doméstica. Enquanto a eficiência destes painéis ainda está em desenvolvimento, associado com limitações de custos impostas pelo mecanismo de investimento / lucro do mercado, a maioria das pessoas que utilizam esses sistemas de energia solar só são capazes de atender a parte do uso de eletricidade de sua casa, em vez de obter 100% de provimento. (Por exemplo, a maioria dos sistemas são aplicados para alimentar a casa durante o dia, enquanto obtém energia da rede regional de Demanda Mínima , durante a noite.) Este tipo de abordagem que busca maximizar as possibilidades locais, em primeiro lugar, antes de recorrer ao uso de energia em maior escala, em uma abordagem sistêmica, é a chave para a abundância prática de energia, eficiência e sustentabilidade.

Para entender a importância disto mais a fundo, vamos expandir o exemplo de aplicação doméstica de painéis solares para seu possível potencial teórico. Em 2011, o consumo anual médio de eletricidade de um cliente tipo unidade residencial (casa), nos EUA foi de 11.280 kWh. [681] Dados 114.800.000 domicílios, em 2010, [682] isto significa que 1.295 TWh / ano foram utilizados. O consumo total de energia elétrica, em 2012, para os EUA, foi de 3.886.400.000 MWh / ano. [683] Isso equivale a 3.886 TWh / ano. Isso significa que 33% de todo o consumo de energia elétrica ocorreu nas casas das pessoas, com a grande maioria desta energia proveniente de usinas de energia de combustível fóssil.

Se todos os lares nos Estados Unidos fossem capazes de alimentar-se de eletricidade usando painéis solares apenas, a utilização desta energia local, que é simplesmente desperdiçada, neste momento, a redução do estresse para o sistema de Demanda Mínima seria dramática. Ao contrário da crença popular, a partir de 2013 esta é uma possibilidade real, dado o estado de eficiência das células solares e tecnologias de armazenamento. [684] O problema é que a indústria de energia atual não está preparada para tal eficiência e os sistemas solares de consumo disponíveis sofrem de alta despesa financeira, como resultado de limitadas produção em massa e concorrência. E uma falta de iniciativa social para promover este avanço.

Vale a pena afirmar aqui que o sistema financeiro e os seus mecanismos orientados a preços existem como barreiras para o desenvolvimento de onipresentes e otimizadas residências solares, de modo amplo (bem como para todas as outras tecnologias em desenvolvimento, depois de um certo ponto de eficácia comprovada). Enquanto os defensores do capitalismo argumentam que o processo de investimento para o mercado, na disponibilização de um bem, com base na demanda, geralmente reduz o custo desse bem ao longo do tempo, tornando-o mais disponível para aqueles que não podiam pagar antes, esquecem-se que o processo inteiro é um artifício.

Se o preço e o lucro fossem removidos do sistema, focando-se apenas na tecnologia e seu mérito estatístico, tanto no momento atual como em suas tendências de eficiência (melhorias futuras), de longo prazo, estratégias apropriadas de alocação de recursos e pesquisas poderiam ser empregadas para prover tecnologias promissoras para a população muito mais rapidamente. No caso de painéis solares para geração de energia em casa, dada a incrível capacidade que tem para aliviar o stress de energia no sistema de Demanda Mínima e que, hoje, poderiam reduzir ainda mais as emissões e poluição de combustíveis fósseis, é uma circunstância muito infeliz que essa tecnologia e sua aplicação esteja sujeita aos caprichos do mercado. [685]

Se examinarmos a despesa comercial de um painel solar médio, em 2013, uma casa média, com 11.280 kWh por mês, exigiria cerca de 30 painéis, com uma eficiência de célula solar de cerca de 9-15% e um sistema de bateria para a noite. Isso custaria mais de US $ 20.000. [686] Tal despesa é inacessível para a grande maioria, mesmo com os materiais básicos utilizados em sistemas fotovoltaicos tradicionais sendo simples e abundantes, junto com a cada vez maior facilidade de fabricação.

Da mesma forma, é igualmente decepcionante perceber como a construção moderna de casas tem feito pouco ou nenhum uso de outros métodos renováveis ​​locais básicos, que poderiam facilitar ainda mais a capacidade do mundo real para colocar todas as famílias (não só nos EUA, mas em todo mundo) em uma situação de independência energética.

Observado o poder da energia solar, outras aplicações quase universais também se aplicam. De pequenos sistemas de captação de vento [687], aquecimento geotérmico e tecnologia de resfriamento [688], combinados com projetos arquitetônicos para uma melhor utilização da luz natural e eficiência de preservação de calor / frio [689], há um espectro de ajustes de design que poderiam tornar apartamentos e casas não só auto-suficientes, mas também mais ecologicamente sustentáveis. Associando isto com projetos de uso e reuso para a preservação da água, juntamente com outras abordagens para otimizar a eficiência de energia / recursos, fica claro que nossos métodos atuais são extremamente dispendiosos quando comparados com as possibilidades.

Estendendo para o exterior, para a infra-estrutura da cidade, vemos as mesmas falhas em quase toda parte no que diz respeito a aplicação de tais sistemas. Por exemplo, uma quantidade enorme de energia é usada no processo de transporte. Enquanto o veículo elétrico tem se mostrado viável para uso global pleno, os esforços de lobistas e outras limitações de mercado continuam a manter a sua aplicação bem atrás dos normais, alimentados a gasolina. Muitos métodos baseados em sistemas também continuam não explorados.

Além de uma necessidade geral de reorganizar ambientes urbanos para tornarem-se mais propícios para o uso de redes de transporte de massa, eliminando a necessidade de vários veículos autônomos, simplesmente reaproveitar os movimentos motorizados de todos os meios de transporte poderia aliviar significativamente as pressões de energia.

A tecnologia chamada de piezoelétrica, [690] que é capaz de converter a pressão e energia mecânica em energia elétrica, é um excelente exemplo de um método de reaproveitamento de energia com grande potencial. As aplicações existentes incluem a geração de energia por pessoas caminhando sobre pisos [691] e calçadas [692] piezo elétricos. Ruas que podem gerar energia quando automóveis trafegam [693] e os sistemas ferroviários que também podem capturar energia da passagem de trens, através da pressão . [694] O engenheiro aeroespacial Haim Abramovich afirmou que um trecho de estrada com menos de um quilômetro de comprimento, quatro pistas largas e trafegado por cerca de 1.000 veículos, por hora, pode criar aproximadamente 0.4 megawatts de potência, o suficiente para abastecer 600 casas. [695] 

Outras aplicações teóricas estendem-se a praticamente qualquer coisa que envolva pressão ou movimento, incluindo pequenas vibrações. Por exemplo, há projetos trabalhando para aproveitar produções de energia aparentemente de pequena escala, tais como: digitar mensagens de texto em um telefone celular em uma fonte para carregar o telefone, enquanto o telefone está simplesmente sendo tocado ou movido; [696] [697] aplicações para energia colhida de fluxo de ar a partir de aviões; [698] e até mesmo um carro elétrico que usa tecnologia piezo, em parte, para carregar-se à medida que viaja. [699]

Se pensarmos sobre a enorme energia mecânica desperdiçada por modos de transporte de veículos e centros de alto tráfego a pé, como as ruas do centro, o potencial dessa possível energia regenerada é bastante substancial. É esse o tipo de pensamento sistêmico que é necessário, a fim manter a sustentabilidade, enquanto perseguimos ativamente uma abundância global de energia.

O texto acima foi extraído do seguinte capítulo, em revisão para publicação no site:

Ensaio 13: Tendências Pós-Escassez , Capacidades e Eficiências 

Diagnósticos e soluções propostas no livro:

O MOVIMENTO ZEITGEIST-UMA NOVA FORMA DE PENSAR
A tradução (colaborativa) dos capítulos 1 a 11 está disponível no site (estamos trabalhando nos demais capítulos  - se desejar ajudar na tradução / revisão, veja como no link):


Ver também:

 Evidências de que a 'Escassez' de Água deve-se à Restrições Monetárias (Eficiência de Mercado - Modelo Financista) e não à Falta de Soluções de Engenharia (Eficiência Técnica). Local ou Globalmente.
#Capacidades, #Eficiência_Mercado, #Eficiência_Técnica, #Eficiências, #Movimento_Zeitgeist, #Pós-Escassez

Demonstração de como a EFICIÊNCIA DE MERCADO inibe e, muitas vezes, impede a EFICIÊNCIA TÉCNICA (respeito às Leis Naturais para atender as Necessidades Humanas)



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Evidências de que a 'Escassez' de Água deve-se à Restrições Monetárias (Eficiência de Mercado - Modelo Financista) e não à Falta de Soluções de Engenharia (Eficiência Técnica). Local ou Globalmente.



Antes de considerarmos o caso específico da 'escassez' de água uma pequena introdução à título de esclarecimento de mecanismos.

Reflexão provocada por:

Diante da crise da água em São Paulo, o coordenador geral da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis faz um apelo às autoridades e aos cidadãos para que assumam as devidas responsabilidades.
ALARME

(13) Tendências Pós-Escassez, Capacidades e Eficiências


A atual civilização industrial mundial é prejudicada pela coexistência de dois sistemas intelectuais universais, que se sobrepõem e são incompatíveis entre si: o conhecimento acumulado dos últimos quatro séculos sobre as propriedades e inter-relações da matéria e da energia; e a cultura monetária associada que evoluiu a partir de costumes de origem pré-histórica. [504]
- M. King Hubbert


Avaliando o Projeto

Examinando a superfície da Terra, hoje, percebe-se que uma camada de rede de comunidades, centros industriais, vias de transporte, áreas de recreação, sistemas agrícolas e afins dominam grande parte da paisagem. Independente de pretender ser, ou não, uma construção completa de um sistema, este resultado, em um determinado ponto no tempo, constitui a aparência de um projeto topográfico. 

No entanto, por outro lado, uma vez que o resultado deste "projeto" hoje é, na verdade, uma junção consequente, principalmente, das dinâmicas empresariais - movimentação do dinheiro em função de auto-interesse pessoal ou de grupo, baseada em mecanismos de tomada de decisão tais como lucro, custo-benefício e a lógica prevalecente das relações de propriedade - também se poderia argumentar que o que se manifestou não é na verdade um "projeto". Pelo contrário, se baseia em um mecanismo que criou a aparência de projeto ex post facto [505], uma vez que o reconhecido resultado estrutural não foi totalmente antecipado antes de sua construção, como um todo. 

Em outras palavras, a ordem técnica que vemos no mundo de hoje é principalmente o resultado de processos financeiros que têm pouca ou nenhuma percepção de resultados estruturais em maior escala. É mais um sistema de representação [N.T.: "sob mandato do mercado"] [506] e, embora existam algumas exceções relativas, como a colocação de estradas, oleodutos e similares por urbanistas financiados que simplesmente precisam ter uma visão física ampla para serem funcionais, e mesmo estas circunstâncias estão muitas vezes se desenvolvendo em torno de reivindicações de propriedade pré-existentes e outras formas de interferência que tendem a reduzir a eficiência do projeto como um todo. 

Esta é uma observação interessante, pois uma vez reconhecido que a nossa sociedade funciona sem uma preconcepção com seu próprio desenho físico, em larga escala, começa-se a perceber o nível enorme de desperdício e ineficiência técnica inerentes a um processo tão míope. 

Para compreender isso melhor, dois pontos merecem consideração:

a) Existência de Soluções Ainda Não Aplicadas

b) Concepção Ampla vs. Concepção Espontânea


a) Existência de Soluções Ainda Não Aplicadas: 

Este primeiro ponto diz respeito à tendência de que muitas inovações na resolução de problemas não são aplicadas dentro da tradição econômica atual. [507] Se métodos ou tecnologias adicionais de melhoria de vida não se incorporaram a um sistema, após uma quantidade de tempo considerável (caso aconteça), depois de uma validação geral, podemos assumir com razão que há ineficiências, senão deficiências, no próprio processo de incorporação e desenvolvimento econômicos. 

Em outras palavras, esse atraso na aplicação, no mundo real, de soluções comprovadas mede a capacidade do sistema socioeconômico de se adaptar adequadamente aos métodos e aplicações melhorados. Se, por algum motivo, a ordem social em questão não é capaz de incorporar esses novos meios que promovem o equilíbrio ecológico, melhoram a saúde pública, resolvem problemas e aumentam a prosperidade, então provavelmente há um problema estrutural inerente. [508] 

b) Concepção Ampla vs. Concepção Espontânea: 

Em segundo lugar, de um ponto de vista estritamente convencional, considerações diretas e totais acerca do sistema serão sempre mais eficientes e eficazes do que a geração "espontânea" através de processos cegos ao resultado final ou seu propósito. [509]

Em outras palavras, como indicado antes, um bem básico, como um carro, tem um projeto que é concebido com antecedência, antes da produção física. Assim que o desenho é concluído, em seguida, há a aplicação de materiais e processos reais para a criação do produto físico real. Isso pode parecer óbvio, para a maioria, como um processo lógico, mas a relevância de tal pré-concepção muitas vezes se perde quando se trata de contextos de ordem maior. 

Temos que nos perguntar qual seria o resultado se aplicássemos o processo pseudo-democrático de mercado, baseado em lucro a curto prazo, através de ofertas, compra e venda, caso possível em tal escala, na criação de sistemas de bens de alta integridade, como um avião, computador, carro, casa ou similares. Enquanto hoje os recursos, trabalho e sistemas sub-componentes desses itens estão certamente em jogo no livre mercado, o projeto em si não está.

O projeto é relegado, necessariamente, à disciplina de ciências em geral. Pode-se dizer que uma linha é intuitivamente delineada entre o que é suscetível à opinião monetária e o que é tangivelmente necessário para manter um nível básico de integridade técnica do sistema. (Por favor, note que esta noção de projeto não deve ser confundida com interesses "estilísticos" subjetivos. Projeto, como usado aqui, não é uma consideração estética, mas uma questão técnica.)

Imagine, hipoteticamente, se as pessoas fizessem suas "ofertas e sugestões" para o projeto físico de construção de uma casa nos seus pequenos detalhes físicos, ignorando princípios científicos. Em outras palavras, ao invés de referenciar as leis básicas da física e da ciência natural que definem a integridade estrutural nuclear de qualquer edifício, nós deixássemos o mercado decidir, com todos "comprando" e "vendendo" essas premissas em benefício pessoal, independente de conhecimento técnico. É claro que essa ideia é um verdadeiro absurdo em tal abstração e a maior parte dos leitores provavelmente não pode sequer imaginar uma dinâmica tão irracional.

No entanto, é exatamente isso que está ocorrendo, como resultado de nosso sistema econômico, em muitas outras formas menos óbvias . Por exemplo, em uma escala "macroeconômica", a rede comercial mundial criada pela globalização [510] - baseada no custo-benefício, que muitas vezes, dentre outras coisas, utiliza trabalho mais barato em regiões distantes [511], desperdiçando grandes quantidades de energia no deslocamento, de ida e volta, de recursos ao redor do mundo - revela bem esta perda de eficiência. [512]

(...)
Visão de Mundo Pós-Escassez 

Nesta seção, estatísticas básicas e tendências serão apresentadas para mostrar como podemos, como uma sociedade global, alcançar um sistema social "pós-escassez". [538] 

Enquanto a escassez em termos absolutos estará sempre com a humanidade, de uma forma ou de outra, neste sistema fechado de recursos terrestres, a escassez no nível das necessidades humanas e de sucesso material básico não é mais uma defesa viável dos métodos de alocação do sistema de mercado. [539] 

Como um breve aparte, uma defesa comum do sistema de preços e do mercado é que se existir alguma escassez, ela torna sem efeito qualquer outra abordagem. O argumento é que, uma vez que nem todos podem ter xyz, xyz é escasso e, portanto, as pessoas precisam de dinheiro (ou da falta dele) para filtrar quem ganha xyz e quem não ganha. 

O problema com essa hipótese é que ela ignora como certos recursos e, portanto, as mercadorias, têm mais relevância do que outros quando se trata de saúde pública. 

Comparar a escassez de um carro de luxo muito caro que satisfaz a necessidade de status de seu proprietário mais do que sua finalidade básica de ser um modo de transporte - com a escassez de alimentos, que é uma exigência central da vida para a saúde, não é legítimo em termos reais. O primeiro interesse, embora talvez importante para a satisfação do ego do proprietário, que provavelmente já tem suas necessidades básicas atendidas para poder pagar um produto desse tipo, não é equivalente ao segundo interesse, que corresponde àqueles que pouco ou nada têm para comer e, portanto, não podem sobreviver. Não se pode arbitrariamente confundir essas "necessidades" e "desejos", como se eles fossem simplesmente a mesma coisa, na teoria. Infelizmente, esta é a forma como o sistema de mercado se comporta. 

Da mesma forma, junto com uma grande desigualdade material e financeira [540] vem uma inevitável desestabilização social. Praticamente todas as dissidências populares e revoluções de grande escala dos últimos duzentos anos tiveram alguma base econômica, geralmente relacionada ao desequilíbrio e exploração sociais e à separação de classes.[541] E o mesmo é válido para as causas de crimes, terrorismo, vícios e outros problemas sociais. Praticamente todas estas tendências nascem da privação, seja absoluta ou relativa, e essa privação é inerente à natureza de uma sociedade baseada em competição e escassez. 

Assim, simplesmente reduzir a nossa realidade econômica ao mero comércio, alegando que algum grau de escassez justifica a utilização do mercado, dos preços e do dinheiro para realizar alocações, é ignorar a verdadeira natureza do que garante a harmonia social, a estabilidade e a saúde pública. Será que pareceria razoável ​​renunciar à capacidade técnica de, por exemplo, elevar 80% da humanidade a uma qualidade de vida, em termos materiais, atualmente mantida por apenas 10%, simplesmente porque "nem todos podem possuir uma mansão de 500 quartos"? Mais uma vez, torna-se bem claro o absurdo dessa objeção quando uma perspectiva sistêmica é adotada em relação ao que serve de base verdadeira à saúde pública e estabilidade social. 

Isto colocado, abaixo há uma lista das atuais realidades de suporte à vida disponíveis para a população mundial que não tem sido aproveitadas devido a fatores inibidores inerentes à economia de mercado. Cada ponto será tratado em uma subseção própria. 

1) Produção de alimentos: métodos atuais de produção já produzem mais comida do que o suficiente para alimentar todos os seres humanos na terra. Além disso, as tendências atuais de tecnologias e métodos agrícolas mais otimizados também mostram uma capacidade de aumentar ainda mais a eficiência da produção e a qualidade da nutrição para um estado ativo de abundância, com mínimo trabalho humano e cada vez menos necessidades de energia, água e terra. 

2) Água Limpa: atualmente existem processos de dessalinização e de descontaminação em um grau de aplicação tão vasto que nenhum ser humano, mesmo no estado atual dos níveis de poluição, precisaria estar sem água potável, independente de onde ele esteja na terra. 

3) Energia: Dentre as energias geotérmica, eólica, solar e hídrica, associadas a processos baseados em sistemas que podem recapturar a energia expelida e reutilizá-la diretamente, há uma abundância absoluta de energia, que pode prover muitas vezes as atuais necessidades da população mundial. 

4) Acesso/Produção Material: Desde edifícios e transporte até os bens comuns, o espectro de produção material tem experimentado um fusão poderosa de bens de capital, bens de consumo e trabalho humano. Com a apropriada incorporação sistêmica de cada gênero de produção, associada a processos otimizados de regeneração e com uma transformação total de um sistema de direito de propriedade para um de direito de acesso, torna-se claro que todas as funcionalidades conhecidas dos bens (na forma de produtos) podem ser utilizadas por 100% da humanidade, tendo por base as necessidades individuais e permitindo uma abundância de acesso.

Capacidade de Suporte

No entanto, antes que esses quatro temas sejam abordados em detalhe, faz-se necessária uma análise da "capacidade de suporte" da Terra. A capacidade de suporte é definida como "o número equilibrado e máximo de organismos de uma determinada espécie que podem ser sustentados indefinidamente por um determinado ambiente." [542] 

A especulação sobre a capacidade de suporte da Terra em relação aos seres humanos, ou seja, quantas pessoas a Terra e sua biosfera podem suportar, tem sido um assunto controverso por muitos séculos. Por exemplo, um relatório de 2001 das Nações Unidas disse que dois terços das estimativas que eles avaliaram naquele momento indicaram uma faixa de 4 a 16 bilhões, com uma mediana no valor de cerca de 10 bilhões de pessoas. [543] 

No entanto, a mudança tecnológica e sua capacidade de aumentar a eficiência na forma como os recursos são utilizados, [544] apresenta uma crescente interferência nessas tentativas de se obter um valor empírico tangível. A realidade é que o número de pessoas que a Terra pode suportar é altamente variável e baseado, em parte, no estado pontual da tecnologia em um determinado momento, e quanto mais a nossa compreensão científica e técnica progredir, maior a tendência do nosso planeta sustentar mais pessoas com menos energia e recursos. 

Evidentemente, isso não quer dizer que dentro de um sistema fechado como a Terra nós temos uma capacidade infinita de reprodução. Na verdade, destaca a relevância do que significa ser estratégico, inteligente e eficiente em nosso uso de recursos e, por extensão, no próprio processo industrial/econômico. 

Hoje, não há nenhuma evidência de que atingimos ou estamos perto de atingir a capacidade de suporte da Terra se levarmos em conta as tendências que revelam o nosso vasto potencial de "fazer mais com menos", aliado a um sistema de valores que reconhece claramente que nós, como espécie, ocupamos um sistema fechado da Terra, com limitações naturais totais, e que é nossa responsabilidade em relação a nós mesmos, aos outros e às futuras gerações manter um interesse em equilíbrio, eficiência e sustentabilidade. 

Este imperativo educacional sugere que uma cultura global consciente, informada, pode estabilizar sua taxa de reprodução, se necessário, sem forças externas, caso esta relação básica for bem compreendida. É claro que muito poderia ser dito sobre a influência de crenças tradicionais antigas, como as doutrinas religiosas que parecem sugerir que a procriação permanente e constante é uma virtude. Estes pontos de vista, que se originaram na ausência do conhecimento que temos hoje sobre a nossa existência compartilhada em um planeta finito, provavelmente serão superados naturalmente através da educação. [545] 

Da mesma forma, se as atuais regiões de crescimento populacional acelerado são analisadas, verifica-se que aqueles vivendo na privação e pobreza se reproduzem mais rapidamente do que aqueles fora dessas condições. Embora haja controvérsias a respeito do porquê da prevalência desses padrões, a correlação parece ser precisa. Esta evidência sugere que a elevação do nível de vida das pessoas pode reduzir suas taxas reprodutivas, o que estimula o imperativo social de criar um sistema de alocação de recursos mais justo.


No caso da água: 

(2) Água Limpa

Dado que o corpo humano só pode sobreviver alguns dias sem água potável, [583], tornar este recurso essencial disponível, em abundância, para todos, é fundamental. Da mesma forma, ele é a espinha dorsal de muitos métodos de produção industrial, incluindo a própria agricultura. A água doce é, naturalmente, a água que existe na superfície da Terra, em camadas de gelo, calotas polares, geleiras, icebergs, pântanos, lagoas, lagos, rios e riachos, e no subsolo como água subterrânea em aquíferos e rios subterrâneos. De toda a água na Terra, 97% é salgada e não diretamente consumível.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde: "Cerca de 2,6 bilhões de pessoas - metade do mundo em desenvolvimento - não têm nem mesmo uma "aperfeiçoada" latrina simples e 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso a qualquer tipo de fonte aperfeiçoada para beber água. Como conseqüência direta: 

- 1,6 milhões de pessoas morrem todos os anos devido a doenças diarreicas (incluindo a cólera) atribuíveis à falta de acesso à água potável e ao saneamento básico. E 90% delas são crianças com menos de cinco anos, a maioria em países em desenvolvimento;

- 160 milhões de pessoas estão infectadas com esquistossomose causando dezenas de milhares de mortes por ano. 500 milhões de pessoas estão com risco de ter tracoma, das quais 146 milhões estão ameaçadas pela cegueira e 6.000.000 são deficientes visuais;

- Helmintos intestinais (ascaridíase, tricuríase e ancilostomíase) estão assolando o mundo em desenvolvimento, devido à insuficiente de água potável, saneamento e higiene, com 133 milhões sofrendo de infecções intestinais de alta intensidade por helmintos; existem cerca de 1,5 milhões de casos de hepatite A clínica, a cada ano ". [584]

De acordo com as Nações Unidas, em 2025, cerca de 1,8 bilhões de pessoas viverão em áreas assoladas pela escassez de água, com dois terços da população mundial vivendo em regiões com problemas de água. [585] Tal como acontece com a maioria de todos os problemas dos recursos atuais do mundo, é uma questão de ambas: pobre gestão e falta de aplicação industrial. Do ponto de vista da gestão, a quantidade de água desperdiçada no mundo, devido à poluição, uso excessivo e infra-estrutura ineficiente, é enorme. Cerca de 95% de toda a água que entra na maioria das casas das pessoas vai embora, pelo ralo, em um instante. [586] 

Uma solução sistêmica para otimizar este uso é projetar cozinhas e banheiros para que eles recapturem água para diferentes fins. Por exemplo, a água que atravessa uma pia ou chuveiro pode ser disponibilizada para um banheiro. Várias empresas têm, lentamente, colocado essas idéias em prática recentemente, mas, em geral, a maioria das infra-estruturas não fazem nada do tipo, tanto quanto não usam sistemas de reutilização. O mesmo é verdadeiro para grandes edifícios comerciais, que podem criar redes de reutilização em toda a estrutura, juntamente com a captura de água da chuva para outros fins, etc 

A poluição da água é outro problema, o qual afeta tanto os países desenvolvidos quanto em desenvolvimento, em vários níveis. A Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA) estima que 850 bilhões de litros de esgotos não tratados (resíduos) fluem para corpos de água, por ano, contribuindo para mais de 7 milhões de doenças a cada ano. [587] O Centro do Terceiro Mundo para Gestão da Água estima que apenas cerca de 10 a 12 por cento das águas residuais, na América Latina, são tratados adequadamente. A Cidade do México, por exemplo, "exporta" suas águas residuais não tratadas para os agricultores locais. 

Enquanto os agricultores valorizam isso porque a água aumenta a produtividade das culturas, as águas residuais são altamente contaminadas com patógenos e produtos químicos tóxicos, o que representa um sério risco à saúde, tanto para os agricultores quanto para os consumidores dos produtos agrícolas cultivados nessa área. Na Índia, as principais cidades descarregam as águas residuais, sem tratamento, nos corpos de água que servem como fonte de sua água potável. Delhi, por exemplo, descarrega suas águas residuais diretamente no Rio Yamuna - a fonte de água potável para cerca de 57 milhões de pessoas. [588] 

As soluções para este problema, em parte, devem abordar a questão da grande ineficiência, provavelmente impulsionada pelas limitações monetárias da maior parte dos governos, para instituir sistemas de esgotos adequados, juntamente com um design industrial imperativo para incluir técnicas de sistema de reuso, para melhor preservar e utilizar nossos recursos existentes. 

Isso ao lado, da mais notável e ampla solução, para compensar esses problemas emergentes, a fim de facilitar não só um alívio dos problemas de água atuais, que afetam mais de 2 bilhões de pessoas, mas também para transcender para uma condição de relativa abundância de água fresca, para todos os seres humanos, que é utilizar modernos sistemas para (a) purificação e (b) dessalinização, em ambas as escalas, macro e micro-industriais. 

(A) Purificação: 

Avanços na purificação de água vem se acelerando, rapidamente, com muitas variações tecnológicas da abordagem. Talvez um dos mais eficientes hoje seja o que é chamado de "desinfecção ultravioleta (UV)". Este processo é altamente escalável, tem baixo consumo de energia e funciona rapidamente. 

Segundo o engenheiro Ashok Gadgil, inventor de sistemas UV portáteis, "Em termos de uso de energia, 60 watts de energia elétrica - o que é comparável à energia utilizada em uma lâmpada de mesa comum - é suficiente para desinfetar a água, a uma taxa de uma tonelada por hora, ou quinze litros por minuto ...Esta quantidade de água é suficiente para satisfazer as necessidades de água potável de uma comunidade de 2.000 pessoas". [589] Este dispositivo Gadgil desenvolvido para áreas pobres rurais, pode ser operado através de painéis solares, pesa apenas 15 quilos e não tem descarga tóxica. 

Claro, não há bala de prata. Enquanto a desinfecção UV funciona muito bem para bactérias e vírus, é menos eficaz para outros tipos de poluição, tais como sólidos suspensos, turbidez, cor ou matéria orgânica solúvel. [590] Em aplicações em larga escala, UV é muitas vezes combinado com tratamentos mais convencionais, como o cloro, como é o caso com a maior fábrica de desinfecção UV de água potável do mundo, em Nova York, que pode tratar 2,2 bilhões de galões americanos (8,3 milhões de metros cúbicos), por dia . [591] Isto é 3.029.500.000 [mais de 3 bilhões] de metros cúbicos, por ano. 

A pessoa média, nos Estados Unidos, usa 2.842 metros cúbicos, por ano. [592] Isso inclui a água doce utilizada para fins industriais, não apenas para o consumo direto (beber) . A média mundial é de 1.385 metros cúbicos, por ano. [593] China, Índia e Estados Unidos são atualmente os maiores usuários de água doce do mundo e a maioria desta água é utilizada na produção, principalmente na agricultura. [594] Na verdade, cerca de 70% de toda a água doce é utilizada na agricultura, globalmente. [595] 

Por uma questão de argumento de estatística pura, ignorando as revisões altamente necessários em relação ao uso estratégico da água, sistemas de reutilização e possibilidades de conservação através de aplicações industriais mais avançadas e eficientes, vamos avaliar a simples questão do que seria necessário para desinfetar (assumindo que fosse necessário) toda a água doce sendo usada atualmente no mundo, em média, por toda a população, em todos os contextos. Dada a média mundial de 1.385 metros cúbicos e uma população de 7,2 bilhões, chegamos a um consumo anual total de 9.972.000 milhões de metros cúbicos. 

Usando a capacidade de produção da planta UV de Nova York, de cerca de 3 bilhões de metros cúbicos, por ano, como uma base, por instalação, de uma usina desse tipo, descobrimos que 3.327 plantas seriam necessárias globalmente. [596] A planta de Nova York é de cerca de 3,7 hectares (160k de pés quadrados). [597] Isso significa que cerca de 12.309 hectares de terra são necessários, em teoria, a fim de instalar um processo de purificação de toda a água doce atualmente utilizada, globalmente, pela população. 

Claro, escusado será dizer, há muitos outros fatores "pegada" que entram em jogo, tais como as necessidades de energia, juntamente com a importância crítica de localização. 
No entanto, vamos colocar isso em uma comparação maior, mais reflexiva. O exército dos Estados Unidos, sozinho, com seus cerca de 845.441 edifícios e bases militares, ocupa cerca de 30 milhões de hectares de terra em todo o mundo. [598] Apenas 0,04% desta terra seria necessária para desinfetar o total de água fresca em uso, de todo o mundo, se fosse mesmo necessária esta escala, o que não é. 

(B) Dessalinização 

A possibilidade realista, de massiva purificação global de água doce poluída, colocada de lado, provavelmente o meio mais poderoso para assegurar água potável utilizável, é converter diretamente de uma fonte salina, ou seja, do oceano. Com um planeta composto principalmente de água salgada, esta técnica, se feita corretamente, garante, sozinha, abundância global. 

O método mais comum de dessalinização utilizado hoje em dia é o de osmose reversa, um processo que remove as moléculas de água a partir da água salgada, deixando íons de sal, em um subproduto de salmoura residual . De acordo com a Associação Internacional de Dessalinização: "Atualmente, a osmose reversa (RO) ... responde por cerca de 60 por cento da capacidade instalada, seguido pelos processos térmicos de flash em vários estágios (MSF), com 26 por cento e de multi-efeito de destilação (MED), com 8,2 por cento. " [599] Em 2011, havia cerca de 16.000 estações de dessalinização, em todo o mundo, e a capacidade mundial total de todas as plantas on-line (ou seja, em operação) era de 66,5 milhões de metros cúbicos por dia, ou cerca de 17,6 bilhões de galões americanos por dia. [600] 

Como em tudo que é tecnológico, muitos métodos em desenvolvimento, atualmente considerados "experimentais", sugerem um aumento poderoso em termos de eficiência conforme as tendências se desenvolvam. Um dos métodos chamado dessalinização capacitiva (CD), também conhecido como desionização capacitiva (CDI), tem mostrado uma operação com maior eficiência de energia, pressões mais baixas, não há componentes de membrana e não produz uma descarga de resíduos, como as práticas convencionais. Ele também pode ser facilmente escalado simplesmente aumentando o número de eléctrodos de fluxo no sistema. [601] 

No geral, se examinarmos os métodos existentes, juntamente com métodos emergentes, vemos uma tendência geral de aumento da eficiência na conservação e desempenho de energia. [602] Isto brevemente mencionado, o foco desta extrapolação para uma utilização "pós-escassez" de dessalinização irá considerar somente métodos atuais, comprovados, em uso, nomeadamente o sistema de osmose reversa.

A Usina Wonthaggi de Dessalinização é uma planta avançada de dessalinização, por osmose reversa, de água do mar, na Costa Baixa, perto de Wonthaggi, ao sul de Victoria, na Austrália. Foi concluída em Dezembro de 2012. Ela pode produzir, de forma conservadora, cerca de 410 mil metros cúbicos de água dessalinizada, por dia (150 milhões de metros cúbicos, por ano), [603] ocupando cerca de 20 hectares (cerca de 50 acres de terra). [604] Dado que, como observado anteriormente, o uso total de água, anual do mundo de hoje é de cerca de 9 trilhões, 972,000 milhões de metros cúbicos, isto significa que seriam necessárias 60.000 plantas [605] para processar todo o uso de água potável. Mais uma vez, esta extrapolação extrema é para construir um argumento relativo, uma vez que não precisamos dessalinizar tanta água na realidade. 

No entanto, supondo que necessitássemos dessalinizar a água do mar constantemente para corresponder ao uso global atual, 3 milhões de hectares de terras seriam necessários, no total. A Terra tem cerca de 217.490 [606] quilômetros de litoral, o que significa, utilizando livremente o modelo Wonthaggi, de cerca de 20 hectares (cerca de 50 acres) com 100 metros por hectare (ou 328 pés), assumindo a construção sendo de quatro hectares de profundidade e cinco hectares de comprimento, paralelo à costa, a planta iria ocupar 1.640 pés ao longo da costa. Isso significa que, assumindo 60.000 plantas da mesma dimensão, seriam necessários 98.400 mil pés ou 18.636 milhas de costa (8,5% do litoral do mundo). 

Claro, isso é uma grande quantidade de litoral e naturalmente muitos outros fatores entram em jogo quando se escolhe um local apropriado para tal planta. Mais uma vez, não é propósito deste extrapolação sugerir que estas estatísticas tenham qualquer outro uso além de medir, em um amplo senso, o que tais capacidades significam, tendo em conta as questões de escassez / estresse de água, que ocorrem hoje. No entanto, o fato é que ele está, claramente, dentro do alcance de aplicação para atender as necessidades das pessoas que sofrem de escassez de água, através da dessalinização, sozinha, juntamente com um sistema de infra-estrutura e distribuição para mover águas para o interior. 

Como exemplo final, vamos reduzir essa extrapolação abstrata mais ainda e aplicá-la a uma circunstância da vida real. No continente da África, por exemplo, que tem cerca de 1 bilhão de pessoas, a partir de 2013, [607] cerca de 345 milhões de pessoas não têm acesso suficiente à água potável. [608] Se aplicarmos a taxa média global observada de consumo, de 1.385 metros cúbicos, por ano, visando proporcionar a cada um dos 345 milhões de pessoas esta quantidade, precisaríamos de 477.825 milhões de metros cúbicos produzidos anualmente.

Usando a capacidade anual de Wonthaggi, de 150 milhões de metros cúbicos produzidos, como base, a África precisaria de 3185 plantas de 50 hectares, ao longo da sua linha de costa, para atender tal demanda, tendo cerca de 25.158 milhas (de costa na África) 5.223.400 pés ou 989 milhas. O que ocuparia apenas 3,9% da costa da África. [609]

No entanto, se dividirmos esse número pela metade, e usando sistemas de purificação de UV para uma parte e dessalinização para a outra, o processo de dessalinização necessitaria cerca de 1,9%, ou 494 milhas de costa para as instalações de dessalinização e apenas cerca de 296 hectares de terra para as instalações de purificação, o que é uma fração minúscula do total de massa de terra, da África (de cerca de 7 bilhões de acres). Isto é altamente factível e, obviamente, neste caso e em todos os casos, nós maximizaríamos, estrategicamente, processos de purificação, uma vez que é mais eficiente, enquanto usaríamos a dessalinização para a demanda restante. 



Tais estatísticas brutas revelam que entre UV e descontaminação tradicional, juntamente com os processos de dessalinização tradicional, tal como existem atualmente, mesmo ignorando os avanços rápidos que ocorrem em ambos os campos [610], que provavelmente vão ter um nível de avanço de eficiência, exponencialmente, nas próximas décadas, a ideia de permanente escassez de água no planeta Terra é um absurdo. Ambas estas extrapolações isoladas assumiram que apenas uma ou a outra foi aplicada, apenas na forma de grande escala, assumindo que não há outras fontes existentes de água potável. 

Na realidade, tendo em conta o atual nível de água doce ainda disponível, juntamente com uma simples e inteligente re-ordenação, de esquemas de rede de água para uso e reutilização, para preservar ainda mais a capacidade existente, associados com os processos tanto de dessalinização em pequena e larga escala, quanto descontaminação, conforme as regiões exigirem (muitos dos quais podem ser alimentados por processos de energias renováveis, que estão avançando rapidamente ​​também), nós temos a capacidade técnica para criar disponibilidade de água potável para a absoluta abundância global.


O texto acima foi extraído do seguinte capítulo, em revisão para publicação no site:

Ensaio 13: Tendências Pós-Escassez , Capacidades e Eficiências 

Diagnósticos e soluções propostas no livro:

O MOVIMENTO ZEITGEIST-UMA NOVA FORMA DE PENSAR
A tradução (colaborativa) dos capítulos 1 a 11 está disponível no site (estamos trabalhando nos demais capítulos  - se desejar ajudar na tradução / revisão, veja como no link):



Ver também:

Demonstração de como a EFICIÊNCIA DE MERCADO inibe e, muitas vezes, impede a EFICIÊNCIA TÉCNICA (respeito às Leis Naturais para atender as Necessidades Humanas)