Final dos 80 / 2014-2017 / 2021-2030 - Deflações de preços do Petróleo
ÉPOCA - 26 de jan de 2016 - (...) A última vez que o preço do petróleo teve uma queda significativa, no fim dos anos 1980, empurrou a União Soviética para o buraco e ajudou a desmoronar o império soviético. Agora, a queda deve causar solavancos políticos importantes – inclusive em países que são membros da poderosa OPEP, como Angola, Nigéria e Venezuela. A essa lista, podem ser acrescentados países que não fazem parte da organização, como Brasil e Rússia.
A crise econômica na Venezuela, que aos poucos tem levado o chavismo à derrocada, é efeito direto da queda do preço do petróleo. A receita da Venezuela depende em 96% da venda de petróleo bruto. Com ela, o país financia as importações de quase todas as outras mercadorias. Como as exportações de petróleo caíram, os venezuelanos sofrem agora uma severa crise de desabastecimento.
Assim como Hugo Chávez, na Venezuela, se beneficiou politicamente da alta dos preços do petróleo, a disparada da popularidade de Vladimir Putin, na Rússia, coincidiu também com o período em que o valor do barril do óleo chegou às alturas. Os resultados das vendas de petróleo e gás representam metade da receita do governo russo. Por causa da derrocada dos preços, a projeção para a economia russa neste ano é de uma contração de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Em um cenário de crise, só restará a Putin, para mostrar força interna, flexionar os músculos militares.
A queda dos preços deve ter também um efeito devastador na indústria de petróleo. Só em 2015, a indústria paralisou mais de 1.000 plataformas de perfuração e registrou um corte de gastos de US$ 100 bilhões. Uma análise da CreditSights, agência independente de pesquisas dos Estados Unidos, projeta que 20 empresas americanas do setor de petróleo deverão falir nos próximos meses. “Há uma total carnificina na indústria de petróleo no momento. Dezenas de pequenas companhias petrolíferas e empresas de perfuração nos Estados Unidos entraram com pedido de falência, e provavelmente haverá muitos mais para vir”, afirma Priest, da Universidade de Iowa.
Mesmo os gigantes petrolíferos estão sentindo os impactos negativos. Sete dos 20 maiores produtores de petróleo e de gás dos Estados Unidos e da Europa destacaram perdas no terceiro trimestre de 2015. “Quando o preço do barril estava alto, as petroleiras lançaram muitos projetos que não estavam maduros tecnicamente, pois o mais importante era garantir logo receita. Os erros de muitos projetos estão aparecendo agora”, diz Dario Gaspar, sócio e responsável pelo setor de óleo e gás da consultoria A.T. Kearney. Ninguém sabe quando os preços do petróleo voltarão a subir e muitos especialistas apostam que o atual ciclo deverá ter efeitos duradouros. Fontes renováveis de energia poderão ganhar mais espaço e investimentos, alternativas ao petróleo ganharão força e países que sempre dominaram o abastecimento mundial de energia – e por consequência determinaram seus preços – terão de se adaptar a uma nova configuração para se manter no mercado.
(...) Ao mesmo tempo, a produção total mundial de petróleo seguiu o caminho inverso – 7,5 milhões de barris a mais por dia, entre 2009 e 2014, segundo a Agência ... A crise econômica na Venezuela, que aos poucos tem levado o chavismo à derrocada, é efeito direto da queda do preço do petróleo.
O mundo está engasgando em petróleo. O preço do barril, cotado a US$ 100 em 2006, caiu quase 60% em dez anos – na quinta-feira, dia 21, mal passou dos US$ 29. O preço do petróleo é, fundamentalmente, o resultado de uma equação de oferta e de demanda. Quando o preço desaba ou dispara, cenários perigosos de desequilíbrio se formam – na economia e na geopolítica internacional.
A demanda por petróleo, nos últimos anos, caiu por causa do ritmo mais lento de crescimento das economias dos países grandes consumidores, como Estados Unidos, China, Japão e os países ricos da Europa. Ao mesmo tempo, a produção total mundial de petróleo seguiu o caminho inverso – 7,5 milhões de barris a mais por dia, entre 2009 e 2014, segundo a Agência Internacional de Energia (EIA, na sigla em inglês) –, a ponto de a oferta global, há dois anos, ter começado a ultrapassar a demanda." (...)
Eu disse que vai desmoronar para novos veículos porque precisaremos menos de novos veículos e, isso porque o EV dura mais... Essencialmente, a fabricação, a nova demanda por novos veículos estará caindo 70%! Então, precisamos de 80% menos carros, que duram mais, precisamos de 70% menos carros!
Então, essencialmente, o que isso significa para o petróleo, aqui está, sem mim, trata-se tudo da economia. Isso significa que - isso é tudo sobre a demanda econômica de petróleo - haverá um pico, em 2020. E, essencialmente, descerá a cerca de cem milhões de barris, por dia e vai cair, de novo, até cerca de 70 milhões de barris/dia, em 2030. 2030!
Então vai cair 30%, então, muitos dos investimentos que estão sendo feitos, agora, em petróleo, certo, os quais, bem, o óleo explosivo porque, em petróleo, no negócio, tudo o que você precisa, porque ele é tão elástico, tanto do lado da demanda quanto no da oferta, essencialmente, uma sobre oferta no mercado de dois milhões de barris, como nós aprendemos em 2014, pode provocar a ruptura do mercado!
Aquele crash dos preços ocorrerá do mesmo modo em 2021, assumindo que os veículos autônomos serão aprovados 2021. Então o preço de equilíbrio será de 25 dólares, de modo que qualquer óleo produzido, que não pode competir com US$25, essencialmente, é inviável.. Inviável. E ocorrerá que 'encalhará'. Qualquer óleo, que não possa competir à US$25 não será vendável! BOOM! Certo?
Agora, se você olhar para o petróleo sendo produzido, ele não pode competir. Essencialmente, os de águas profundas: acabou. O alvorecer dos óleos de xisto é interrompido porque eles não podem competir com US$25. Então, essencialmente, o óleo convencional será o único óleo que pode sobreviver nestas condições de mercado, porque pode competir à US$25. Então toda a geopolítica do petróleo irá mudar e, você sabe, dependendo de onde você está neste mercado....
Mas, essencialmente, a disrupção dos preços acontecerá tão cedo quanto 2021 ou 2022. E, portanto, todos os ativos, o que significa, todas as refinarias, oleodutos e assim por diante, associados aos óleos caros também serão inviáveis. Agora, quais seriam? (...)
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**** Trecho da Legenda em Português de:
DISRUPÇÃO LIMPA DE ENERGIA E TRANSPORTE - Tony Seba - A era industrial, na energia e nos transportes, acabará até 2030. Talvez antes. (Tradução da resenha do autor)
As tecnologias de melhoramento exponencial, como energia solar, veículos elétricos e carros autônomos (auto-condução) irão perturbar e varrer as indústrias de energia e transporte como as conhecemos.
Youtube: Evolução Exponencial => Disrupção em Energia e Transporte - 2025 a 2030!!:
- Baterias: eliminará o valor de pico para fornecedores de energia!
- Transporte como Serviço - em carros elétricos auto dirigidos: eliminará a vantagem de ser proprietário de um carro. Economicamente será 10x mais caro ter um carro do que usar Transporte como Serviço (algo como 'UBER sem motorista' rodando sempre e atendendo as necessidades de mais de 10 antigos motoristas')
BITCOIN E BLOCKCHAIN PARA CRÍTICOS LEIGOS EM ECONOMIA, EM TECNOLOGIA OU EM LAMBADA
Caio Almendra dez 4 * Recife
[Claudio Próspero: Um texto instigante para refletirmos sobre criptomoedas. E também sobre Economia e Descentralização]
Nada como o Natal para a gente ter tempo de fazer textão. Então, lá vai o meu sobre "bitcoin'.
Bitcoin é uma das aplicações atuais de uma tecnologia chamada "blockchain'. Blockchain é uma forma de descentralizar o registro de determinadas operações. E, já sai da sala a primeira leva de entediados e perdidos.
Vamos simplificar ao nível "armazém de cidade pequena". Suponhamos que o dono do único armazém em uma cidadezinha, chamado 'Shylock", registre todas as dívidas que as pessoas fazem com ele em um caderninho.
Ele decide quando cobra cada uma dessas pessoas, se cobra juros, se vai perdoar mais as dívidas ou se será mais rígido.
Essas decisões de Shylock interferem em toda a cidade. Se ele comegar a cobrar todas as dívidas, reduzirá a quantidade de dinheiro da cidade, dificultando as pessoas de comprarem coisas uma das outras. Se fizer o movimento inverso, a riqueza circulará mais.
Como a dívida de um é cobrada pelo outro, como na música 'O Malandro" do Chico Buarque, o maior caderninho de dívidas de uma cidadezinha influencia toda a sociedade local. Esse poder do caderninho de dívidas é um poder e tanto. E, em escala maior, é chamado de 'política monetária".
O controle sobre o valor da moeda, sobre as taxas de juros, é necessariamente um poder político. Vivemos em um mundo onde há toda uma pretensão de "apolitizar" as coisas. E nada mais falacioso que isso.
Não há "forma técnica" de condução da política monetária. A política monetária nasce de uma decisão política, posteriormente aplicada com técnicas diversas. As técnicas são metrificáveis, discutíveis a partir de objetivos. O direcionamento político originário, não.
Aqui é a seara dos valores, quais grupos sairão prejudicados, quem estamos penalizando e quem estamos beneficiando.
A "isenção" não é uma possibilidade: comprimir o crédito beneficia determinados setores, expandi-los beneficia outros.
Bem, o que é blockchain? Blockchain é uma tecnologia de armazenagem de dados horizontais. Em resumo, ela permite que, ao invés do Shylock registrar em seu caderno quais as operações, todos tenham os próprios cadernos. Os computadores de Fulano, Beltrano e Deltrano registram todas as dívidas que eles possuam. Se Albertano entra no sistema, seu computador também registra todas as dívidas.
No nosso exemplo do armazém da cidadezinha, ao invés de Shylock registrar todas as dividas, todos mantem livros criptografados com os registros de todas as dividas. Em uma cidade de mil pessoas pedindo fiado a Shylock, todas essas mil pessoas registrariam em seus livros quem deve a quem.
(É, por isso, que surgem diversos estudos sobre os gastos energéticos do bitcoin. Se todas as pessoas tem que registrar todas as operações do bitcoin, significa que todas as pessoas tem um caderno contábil em casa. Se esses cadernos fossem de papel, faltaria celulose no planeta. Ainda bem que eles são digitais mas mesmo o mundo digital tem um custo energético e de materiais, que costuma ser irrisório. Porém... registrar todas as operações financeiras de uma moeda com milhões de usuários em todos os computadores de todos os usuários transforma esse custo de irrisório para insustentável ambientalmente.)
Essa é uma tecnologia fascinante. Ela permite a desconcentração de poder político (e o poder financeiro é uma forma de poder político) das mãos de diversas empresas que realizam registros de informações, como bancos, seguradoras, operadoras de cartão de crédito, mega-varejistas e etc, etc, etc. Vou citar um exemplo óbvio:
Imaginemos um banco, digamos o Shylockbank, que pega emprestado dinheiro de pessoas a 0,5% ao mês, quando a pessoa A deposita na poupança e empresta a 5% ao mês, quando a pessoa B deve no cartão de crédito. O que permite ao banco esse poder exorbitante? Porque a pessoa A não empresta dinheiro para a pessoa B por menos e ambas saem na vantagem? Bem, porque o banco tem o poder exorbitante de ser o local onde se registram as operações financeiras. Registro dessas informações, assim, é um poder e tanto. E blockchain é uma tecnologia que permitiria horizontalizar tal poder.
Dito isso, o que é Bitcoin? Bem, bitcoin é uma moeda privada. E isso não é nada pioneiro: existem moedas privadas circulando aos montes no mundo. Seu vale-refeição é uma moeda privada, ações são moedas privadas, títulos de dívidas são moedas privadas. Qualquer título, a maioria fungíveis, é uma moeda privada. Se C deve a D e D tem o direito de vender a dívida de C para E ou qualquer outra pessoa, está formada uma moeda privada.
Como TODA moeda, as moedas privadas dependem de confiança dos seus usuários. Notem: mesmo as moedas estatais, as oficiais, com curso forçado e etc, dependem da confiança dos usuários. Em diversas situações, algumas presentes em nosso momento histórico, algumas moedas perderam de tal forma a confiança que deixaram de ser utilizáveis. Isso é especialmente comum em guerras: logo após a rendição alemã na Segunda Guerra Mundial, no interregno, não se sabia o que os aliados fariam dos reichsmarks (acabaram substituídos pelos deutchesmarks, ou "marcos alemães"). O resultado foi o fim do uso prático da moeda local, fotos incríveis de pessoas indo comprar pão com um carrinho de mão cheio de dinheiro. O mesmo acontece hoje com o dólar do Zimbabué.
Acontece que moedas privadas tem funcionamento diferente das divisas comuns, elas não tem um estado que busca garantir sua estabilidade. Elas oscilam de acordo com o mercado, logo, os maiores possuidores delas tem um poder político ainda maior que os maiores possuidores de moedas não-privadas. E elas entram em crise, como as crises do koku no japão do século XVII, ou a crise de um certo Antônio, cujos títulos lastreados no lucro de suas caravelas deixaram de ter qualquer valor quando suas caravelas afundaram. Ou a crise de 2008, quando um monte de moeda privada chamadas "CDO"s perderam por completo a confiança e valor e viraram pó, junto com boa parte da economia mundial.
Moedas, portanto, são entes que dependem da confiança da sua usabilidade para serem usáveis. Se olharmos bem, está longe de ser algo mágico. O FB só é usado porque seus usuários tem a expectativa de que seus amigos, familiares e conhecidos usarão o FB. Se, como em um livro do Saramago, todos simultaneamente desistissem de ir ao FB, um último usuário que não foi pego pela magia realista saramaguiana rapidamente notaria que a rede ficou inútil: ele seria o único a falar, completamente sozinho. O mesmo vale telefones, a internet como um todo. Praticamente, todos os produtos massificados hoje dependem, em certo nível, dessa relação social de confiança.
E, até aí, morreu o quico. O bitcoin, hoje, tem a mesma usabilidade das demais moedas, dado que há suficiente pessoas que confiam em seu valor. Até deixar de ter, como aconteceram com os tais CDOs em 2008.
E como saberemos? Bem, toda moeda tem um lastro de fundo. As moedas estatais tem o lastro garantidor do estado. As moedas privadas tem seus próprios lastros. Qual era o lastro dos CDOs? Dívidas imobiliárias norte-americanas. Quando o mercado imobiliário de lá aprofundou sua crise (com o crescimento dos juros daquele país), os CDOs deixaram de ter qualquer lastro e viraram pó.
O Bitcoin não é relacionado com um valor ou dívida concreta. Em parte, o que o lastreia é o próprio uso da tecnologia blockchain enquanto definidora de uma moeda. Isso estava até correndo bem até alguns anos atrás: mais pessoas acreditavam na necessidade de horizontalizar operações financeiras e mais operações eram realizadas.
Recentemente, houve um descolamento entre o crescimento do valor do bitcoin e o número de operações. Em outras palavras, o valor perdeu-se do lastro. E estamos, portanto, no estágio de "bolha".
E quando elas estouram, levam junto mercados nada ligados a elas mas que parecem estar. Existem criptomoedas com outros lastros. A mais curiosa é a PotCoin, cujo grande representante é o ex-jogador de basquete e eterno desmiolado Dennis Rodman. Ela supre uma necessidade direta: como a maconha nos EUA apenas são legais a nível estadual, os dispensários(locais de venda de maconha medicinal ou recreativa legalizados) não podem fazer operações bancárias. Se fizerem, são enquadráveis pelo FBI como lavadores de dinheiro ou como narcotraficantes.
Para poder comprar e vender insumos e etc, os dispensários criaram o PotCoin. Em suma, uma criptomoeda que pode comprar qualquer coisa mas que tem lastro em maconha entre os dispensários que a adotaram.
(Rodman foi vender a ideia da PotCoin para a Coreia do Norte (que, devido aos embargos econômicos norte-americanos, sempre foi vanguarda na utilização de criptomoedas), se tornou amigo de Kim Jong Un e, inacreditavelmente, participa do esforço diplomático de distensionamento entre os dois países)
O Bitcoin tomou um bom abalo recente. E aqui vale falar sobre games (já que já falamos sobre maconha). A Valve é uma produtora de jogos digitais que percebeu que o grande filão de mercado não estava em produzir jogos mas em vender a plataforma por onde as pessoas compram os jogos. Daí, ela inventou a Steam, a netflix dos jogos de videogame (na real, o Steam é anterior à netflix e essa denominação é um tanto injusta...). A Steam foi uma das primeiras empresas de grande porte a aceitar bitcoin. A Valve se interessou, lá pelas tantas, em estudar as moedas utilizadas dentro dos jogos de computadores.
Por incrível que pareça, jogar games sem o objetivo de vencer, apenas de acumular moedas virtuais para vender para jogadores preguiçosos movimenta uma quantidade imensa de pessoas. Os adolescentes norte-americanos e europeus valem-se da mesada dos pais para comprar o trabalho de milhares de jogadores de países pobres (em especial, dos asiáticos). Para estudar essas moedas e essa relação, a Valve contratou o economista Yanis Varoufakis, cujas pesquisas envolviam na época teoria dos jogos e natureza das moedas, como consultor. E lá ele ficou, até retornar à Grécia para ocupar cargos políticos.
Recentemente, Varoufakis percebeu a inversão gráfica do bitcoin, o crescimento de valor além do seu lastro. E resolveu contar tratar-se de uma bolha. A Steam conferiu as contas e parou de aceitar bitcoin. O número de transações caiu ainda mais... mas o valor segue subindo. Vai estourar.
Dito isso tudo, o que será dessa iniciativa inteira? Bem, eu acho que vivemos um momento de transformação intensa de nossa sociedade. As frações burguesas que dominaram o século XX estão em processo de substituição no século XXI. Século passado foi o século do banco, petróleo e mídia. As maiores empresas foram produtoras de petróleo, conglomerados de comunicação e bancos.
Nesse século, essa velha economia será derrubada pelo "Silício", as empresas de cunho digital. Para tanto, elas precisam da capacidade de substituir todas as atividades essenciais realizadas por empresas "tradicionais".
A primeira substituição foi no setor de consumo, com grandes varejistas perdendo espaço para "marketspaces", como a Amazon. O setor energético não será propriamente substituído mas há uma tendência de pulverização controlada pela tecnologia de redes. A televisão já perdeu espaço frente a internet faz tempo. E faltava o sistema bancário. Esse será o alvo do blockchain.
Nova sociedade? Sim, sem dúvidas. Melhor? Não sabemos. A descentralização, hoje, é uma possibilidade. Mas, o histórico recente é de iniciativas descentralizadoras, como o couchsurfing ou os apps de carona, serem cooptadas por empresas techs e se tornarem tão concentradoras quanto antes. Experimente ser expulso da Uber ou do AirBNB ou da Amazon ou ficar banido do FB.
Tudo isso nasceu como descentralização e hoje são apenas outra forma de verticalização. Talvez ainda pior, dado que há um monopólio ainda mais intenso, dado a natureza de concentração de confiança que a internet tem. Mas isso é para outro texto. Esse acaba aqui por falta de tempo.
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Carbono=>Hidrogênio - "É a economia, estúpido"
10 de junho de 2008 23:44 [Cópia da publicação no final desta [1]]
Energia solar já é mais barata que carvão em vários países. A previsão é que o mesmo aconteça no Brasil e nas demais nações que não possuem grandes reservas de carvão em 2020
Bloomberg
Em 2016, países como Chile e Emirados Árabes Unidos bateram recordes com negócios para a geração de energia solar por menos de US$ 0,03 por kilowatt-hora, metade da média global da energia gerada por carvão. Agora, a Arábia Saudita, Jordânia e México estão planejando leilões e licitações para este ano com o objetivo de derrubar ainda mais os preços.Quem está aproveitando essa oportunidade são empresas como a italiana Enel, e a irlandesa Mainstream Renewable Power, que ganharam experiência na Europa e agora procuram novos mercados no exterior por causa da redução de subsídios em seus países de origem.
Desde 2009, os preços da energia solar caíram 62%, com cada parte da cadeia de fornecimento reduzindo custos. Isso ajudou a reduzir os juros dos empréstimos bancários e elevou a capacidade de produção dos fabricantes de equipamentos para níveis recordes. Em 2025, o custo médio global da energia solar poderá ser menor do que o carvão, segundo a Bloomberg New Energy Finance.
“Esses são os números que estão mudando o jogo, e estão se tornando normais em vários mercados”, diz Adnan Amin, diretor geral da International Renewable Energy Agency, um grupo intergovernamental com sede em Abu Dhabi. “Toda vez que você dobra a capacidade de produção, você reduz o preço em 20%.”
A evolução tecnológica tem sido crucial no estímulo à indústria, desde o uso de serras diamantadas que cortam melhor as placas solares, até células que geram mais energia com a mesma radiação solar. Outro fator é a economia de escala e ganho de experiência dos fabricantes de equipamentos adquiridos desde que o boom no setor começou há uma década, dando à indústria uma vantagem crescente na competição com os combustíveis fósseis.
O custo de um sistema fotovoltaico com mais de um megawatt será de 73 centavos de dólar por watt em 2025, comparado com US$ 1,14 hoje, uma queda de 36%, projeta Jenny Chase, chefe de análise em energia solar da New Energy Finance. Isso está em linha com outras previsões, como a GTM Research, que estima que o custo será de 75 centavos de dólar por watt em 2021.
Efeito Walmart
A cadeia de suprimento desse setor está experimentando um “efeito Walmart”, com o crescimento de volumes e redução de margens, segundo Sami Khoreibi, fundador e CEO da Enviromena Power Systems, uma empresa de Dubai.
Energia Termoelétrica. O que é, vantagens e desvantagens, energia termoelétrica no Brasil, resumo, geração de energia.
O que é
Energia termoelétrica é aquela gerada a partir da queima de combustíveis fósseis (diesel, carvão mineral, gás natural, gasolina, etc.) realizada nas usinas termoelétricas.
Vantagens:
- Em comparação com usinas hidrelétricas, são mais rápidas para se construir, podendo assim suprir carências de energia de forma mais rápida;
- Podem ser instaladas em locais próximos às regiões de consumo, reduzindo o custo com torres e linhas de transmissão;
- São alternativas para países que não possuem outros tipos de fontes de energia.
Desvantagens:
- Como são usados combustíveis fósseis para queimar e gerar energia, há uma grande liberação de poluentes na atmosfera. Estes poluentes são responsáveis pela geração do efeito estufa e do aumento do aquecimento global. Portanto, este tipo de energia é altamente prejudicial ao meio ambiente.
- Outra desvantagem é que o custo final deste tipo energia é mais elevado do que a gerada em hidrelétricas, em função do preço dos combustíveis fósseis.
A energia solar pode ser até 95% mais barata que a energia hidrelétrica, segundo especialistas.!!!
A projeção do Ministério de Minas e Energia é de que, em 2018, o Brasil apareça na lista dos 20 países com maior geração de energia solar. A proporção de geração solar deve chegar a 1% do total.
De acordo com a publicação da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as condições de localização do país são favoráveis para isso.
“O Brasil está situado numa região com incidência mais vertical dos raios solares. Esta condição favorece elevados índices de irradiação em quase todo o território nacional”, explica o órgão. “A proximidade com a linha do Equador ainda faz com que haja pouca variação na incidência solar ao longo do ano. Dessa forma, mesmo no inverno pode haver bons níveis de irradiação”.
É mais barato?
A energia solar pode ser até 95% mais barata que a energia hidrelétrica, segundo especialistas. Entretanto, esta porcentagem pode variar de acordo com o consumo mensal da residência e o sistema de captação da luz solar, por exemplo.
Geralmente são utilizadas áreas não adequadas para agricultura. Vide imensas usinas solares em desertos. E consorciadas com pecuária: nova fonte de renda para fazendas de gado, nos EUA - por enquanto mais 'fazendas eólicas', mas painéis solares podem substituir árvores no sombreamento para o gado, por exemplo. Veja alguns casos:
A megausina de energia solar encravada no deserto que pretende abastecer a Europa Kevin Doyle Da BBC Future
O micro-ônibus atravessa um enorme planalto em uma estrada recém-pavimentada do deserto de Marrocos. O chão é de terra seca e está cheio de rachaduras.
Ainda assim, a região não parece tão desolada quanto já foi no passado. Neste ano, ela virou o lar de uma das maiores usinas solares do mundo.
Centenas de espelhos cruzados, cada um deles maior que um ônibus, estão enfileirados cobrindo 1,4 quilômetro quadrado de deserto, uma área do tamanho de 200 campos de futebol.
O enorme complexo está em um local ensolarado ao pé da cordilheira do Atlas, a 10 km de Ouarzazate, uma cidade cujo apelido significa "porta do deserto". Com cerca de 330 dias de sol por ano, é o lugar ideal.
Além de suprir as demandas domésticas de energia, o Marrocos espera um dia poder exportar energia solar à Europa. Essa usina tem o potencial para ajudar a definir o futuro energético da África e do mundo.
'O vento me dá dinheiro', diz dono de fazenda com torres de energia eólica Rio Grande do Norte é o maior produtor de energia eólica do Brasil. Proprietários de terras ganham até R$ 60 mil por mês com cata-ventos.
Quando o assunto é energia eólica logo vem a imagem do Nordeste brasileiro. Mas a energia proveniente dos ventos pode ser gerada de qualquer parte do país. O Brasil possui ventos de ótima qualidade, acima da média. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), enquanto o fator de capacidade mundial está de 20 a 30%, o brasileiro passa dos 50%.
[1] Carbono=>Hidrogênio - "É a economia, estúpido"
06/06/2008 - 16h10 - Atualizado em 06/06/2008 - 17h40
Preço do petróleo tem maior alta da história em um único dia
Barril fechou a US$ 138,54, contra US$ 127,79 da véspera.
Movimento é influenciado pela forte desvalorização do dólar.
O petróleo encerrou a sessão desta sexta-feira (6/6/2008) cotado a US$ 138,54 o barril, subindo mais de US$ 10 em relação a quinta-feira, alcançando o maior nível de lucro da história em um único dia.
Especialistas ouvidos pelo G1 divergiram sobre quais são as razões que explicam a alta recorde do petróleo registrada nesta sexta-feira (6) - a maior da história. Segundo eles, entre as causas estariam fatores geopolíticos, relatórios bancários e influências sazonais. No entanto, o consenso é que por trás dos aumentos no preço do barril nos últimos meses está o medo do esgotamento nas reservas naturais do produto.
---> Reversão instabilidade geopolítica por reverter dependência crescente de reservas de petróleo do Oriente Médio.
---> Possibilidade de democratização da produção e distribuição de energia se sociedades lutarem pelo conceito de HEW (Rede de Energia do Hidrogênio)
Alguns investimentos em curso:
---> Islândia + Royal Dutch/Shell Group + Daimler-Chrysler + Norsk Hydro estão implementando um plano para tornar a Islândia a primeira economia baseada no hidrogênio do mundo.
---> Carros a hidrogênio:
=====> Daimler-Benz US$350 milhões a partir de 1997 (100 mil unidades até 2010, 1/7 da produção anual). Com a adesão da Ford o investimento foi elevado para mais de US$1 bilhão.
=====> Toyota e GM esperam ter seus carros a H2 até 2010.
=====> Soma de investimentos planejados por Nissan, Honda e Mitsubishi chegam a outro US$ 1 Bilhão.
Disponibilidade geotérmica para produção de eletricidade:
De acordo com o Departamento de Energia dos EUA, calcula-se que as reservas geotérmicas só nos EUA excedam 70 milhões de quads. Isso é energia potencial suficiente para suprir o consumo humano de eletricidade por centenas de milhares de anos.
Os dados abaixo buscam demonstrar a necessidade de conversão da matriz de energia. A dúvida é se será feita de forma planejada para evitar crises ou se será uma transição dolorosa para atender interesses econômicos de curto prazo.
Estimativa de reserva total do mundo: 1.800 a 2.200 bilhões de barris.
Valor já consumido: 875 milhões de barris.
Algumas projeções de demanda:
---> Para a China igualar o consumo per capita para ter o padrão de vida dos EUA seriam necessários mais 80 milhões de barris de petróleo por dia – 10 milhões a mais do que toda a produção mundial de 1997.
---> Se China e Índia elevarem seu consumo per capita para média da Coréia do Sul consumiriam 119 milhões de barris / dia.
Isso é quase 50% superior à demanda mundial de 2000.
Estudos indicam que o pico da produção de petróleo ocorrerá entre 2010 e 2020. Isto é, dentro deste prazo metade das reservas recuperáveis terão sido processadas. Quando a produção global de petróleo atingir seu pico, os preços passarão a sofrer aumentos ininterruptos e contínuos, conforme os países, empresas e indivíduos competirem pela metade remanescente das reservas.
Metodologia de previsão: Curva de Sino de Hubbert (geofísico da Shell Oil Company que previu declínio da produção de petróleo dos 48 estados do sul norte-americano em 1956 (época de produção recorde)). Pico previsto para entre 1965 e 1970.
Pico real em 1970, quando produção passou a declínio contínuo. EUA deixaram de ser maior produtor mundial, mudança que ditou muito da geopolítica do globo desde então. A tese de Hubbert afirma que a produção de petróleo começa do zero, eleva-se, atinge o pico quando metade das reservas recuperáveis for processada, e então despenca, numa clássica curva em forma
de sino.
A produção per capita de petróleo já atingiu o pico em 1979, estando em declínio contínuo, segundo a British Petroleum. A causa é o aumento da população mais rápido que aumento da produção.
1930 => 30% do pico (aproximadamente 3,3 barris / ano / pessoa)
1979 => pico (11,15 barris / ano / pessoa).
Cálculo, segundo curva de sino:
2030 => 3,32 barris / ano / pessoa.
Importância e instabilidade do Oriente Médio.
Há mais de 40 mil campos petrolíferos conhecidos no mundo, mas 40 campos gigantescos-mais de 5 bilhões de barrisrepresentam mais da metade das reservas do mundo. Vinte e seis desses quarenta campos estão no Golfo Pérsico. Mais importante, enquanto os outros campos gigantes, como os dos EUA e da Rússia, já atingiram o pico e estão em declínio, os campos do Oriente Médio ainda estão subindo a curva.
A proporção entre reserva e produção (R/P) nos diz muita coisa. A R/P corresponde ao numero de anos que as reserva de petróleo durarão no atual ritmo de produção.
R/P para EUA ...................... = 10
R/P para Noruega ................ = 10
R/P para Canadá ................. = 8
R/P para Irã ......................... = 53
R/P para Arábia Saudita ...... = 55
R/P para Emirados Árabes... = 75
R/P para Kuwait .................. = 116
R/P para Iraque .................... = 526 (!)
Joseph Riva, ex-membro do Serviço de Pesquisas do Congresso dos EUA, adverte: "a expansão planejada na produção petrolífera (...) não chega à metade do que se necessita para atender à demanda de petróleo prevista pela Agência Internacional de Energia para o ano de 2010, mas custará mais de US$ 100 bilhões, além de um adicional de US$ 20 bilhões, destinado a modernizar e expandir as refinarias do Golfo Pérsico e atender à crescente demanda mundial. Um aumento além do planejado custaria ainda mais caro por barril, já que o petróleo remanescente se torna mais difícil de recuperar".
No centro do Petróleo e do Islã está a Arábia Saudita, dona das maiores reservas do mundo e terra sagrada do Islamismo (santuários de Meca e Medina). Embora alguns zombem da ideia de que Alá tenha conferido tamanha dádiva aos defensores da fé, ninguém se atreveu a rir quando Osama bin Laden conclamou seus seguidores em todo o mundo a reivindicar a sagrada terra saudita, fundar um estado islâmico universal e subir o preço do petróleo para US$ 144 o barril.
As cifras do petróleo são desconcertantes. A receita de petróleo da OPEP chegara a US$ 340 bilhões por ano após o embargo de 1974. Com a queda do xá do Irã em 1979 e o inicio da guerra Irã-Iraque em 1980, ela chegou a casa dos US$ 438,8 bilhões.
Apenas seis anos depois, esta receita despencou para menos de US$ 83 bilhões. A renda petrolífera da OPEP continuou baixa desde então. Nos anos de emergência a receita dos governos vinha do petróleo e não dos impostos.
Nesses países metade dos empregos são públicos. Muitos países do Golfo ofereciam educação pública gratuita até o nível universitário, serviços gratuitos de saúde, moradia subsidiada, apoio e empréstimos a baixos juros para a abertura de empresas e seguridade social para deficientes e idosos. A Arábia Saudita e o Kuwait chegam mesmo a oferecer alimentos subsidiados por meio de cooperativas financiadas pelo governo. A gasolina tem descontos, e serviços públicos como água, eletricidade e telefone são ou gratuitos ou subsidiados.
Em troca de seus cuidados com o povo, os governos do Golfo esperam lealdade absoluta e inabalável ao Estado. Discórdias políticas, ainda que moderadas não são admitidas. Os governos são geridos por elites hereditárias, deixando pouco espaço para que novas concepções políticas sejam manifestadas ou expressas publicamente.
Enquanto a receita do petróleo excedeu os gastos governamentais com serviços, as monarquias do Golfo puderam comprar a lealdade e obediência da maioria absoluta de seus súditos. Durante a última década, mais ou menos, as receitas decadentes do petróleo não puderam dar conta dos gastos cumulativos do governo. A crescente dívida pública e o corte progressivo dos serviços tornaram os países da região mais instáveis politicamente do que em qualquer época de sua história e muito mais vulneráveis à insurreição de movimentos fundamentalistas islâmicos.
Além disso, há uma "explosão demográfica" nessa parte do mundo: 40% da população tem menos de 17 anos. Hoje o desemprego entre as pessoas de dezoito a vinte e cinco anos é em média de 20%, o que constitui uma bomba-relógio política em todos os países. Em curto prazo, enquanto a Rússia e outros produtores fora da OPEP inundarem o mercado com petróleo bruto barato, a renda per capita real provavelmente continuará a cair. Nos países do sul do Golfo, a renda per capita real representa hoje 40% do que era no apogeu da emergência do petróleo, há 20 anos, e deve continuar caindo, criando assim um risco ainda maior de difundir a inquietação social e a revolta política.
Os árabe-sauditas gostam de dizer: "Meu pai andava de camelo, eu dirijo um carro, meu filho pilota um jato - e o filho dele andará a camelo". Embora um quarto das reservas remanescentes de petróleo esteja na Arábia Saudita, há uma sensação quase fatalista, entre muitos sauditas, de que constituem uma nação vivendo um "tempo emprestado". O uso que os sauditas fizerem deste empréstimo provavelmente determinará o modo como o mundo vai deixar a era do petróleo.
Energia nos EUA: um contra ponto.
O geólogo Walter Youngquist observa que, se quisermos ter uma idéia da quantidade de energia que flui diariamente pela sociedade americana, basta calcular quanto de energia cada individuo tem a disposição em termos de "pessoas-vapor".
Partindo do pressuposto de que uma "pessoa-vapor" é igual a 0,25 cavalo-vapor, a 186 watts e a 635 BTU/h. Se o atual consumo de energia nos EUA fosse calculado pelo número de pessoas-vapor necessárias para realizar a mesma quantidade de trabalho, o resultado seria aproximadamente o triplo da população do mundo. Em termos atuais, o consumo de energia do americano médio equivale ao que produziriam cinqüenta e oito escravos trabalhando continuamente vinte e quatro horas por dia. Se "comprássemos a energia contida num barril de petróleo pelo mesmo preço que pagamos pelo trabalho humano (US$ 5 por hora), ele custaria mais de 45 mil dólares", em vez dos 25 dólares atuais.
As idéias acima são um resumo de parte do conteúdo do livro A Economia do Hidrogênio, de Jeremy Rifkin – M. Books - 2003, cuja leitura eu recomendo para quem desejar ter um entendimento melhor dos acontecimentos e condicionamentos de nossa atual situação.
O diagrama anexo explora, graficamente, algumas possibilidades para uma Economia do Hidrogênio
Todo inverno, meus colegas e eu convidamos os CEOs de algumas das maiores empresas do mundo a se juntarem aos estudantes da Universidade de Stanford. Eles passam uma noite discutindo os desafios da ruptura digital conosco e alguns dos mais brilhantes estudantes de MBA do planeta.
Invariavelmente, cada CEO que hospedamos reconhece duas verdades: a disrupção digital remodelará sua indústria de uma forma ou de outra e eles devem encontrar uma maneira de abraçar essas mudanças.
No entanto, apesar do fato de todos os nossos convidados, em nossas 18 sessões (e contando), terem abraçado essas verdades, o resultado médio desses compromissos com a inovação parece ter sido tênue.
Para o estudante cotidiano da história comercial, isso pode não ser surpreendente. A disrupção é um problema sistêmico: Clayton Christensen esboçou em 1997 por que era tão difícil para qualquer empresa individual desarmar as ameaças disruptivas e abraçar tendências disruptivas. Mas todos os inovadores corporativos com que conversamos sabem disso. Eles leram o livro de Christensen, The Innovator's Dilemma.
Eles estão enfrentando seus desafios organizacionais de frente - e ainda assim conseguindo pouco.
Naturalmente, a questão é o porquê. Por que os executivos que fazem tudo o que fazem para atender as recomendações dos teóricos da inovação continuam a apresentar poucos sucessos?
A resposta pode ser que o dilema do inovador não é mais o único paradoxo emn jogo no gerenciamento da inovação.
O Antigo Dilema
Durante o meu tempo com o Fórum de Crescimento e Inovação da Harvard Business School, nos referimos regularmente à disrupção como um problema de contabilidade e design organizacional. Para os gerentes das organizações da era industrial, o resultado de investir em oportunidades disruptivas era vexante.
Os produtos e serviços perturbadores eram, por definição, mais baratos, de menor qualidade e menor margem. Se você estivesse operando um negócio rentável, com oportunidades de crescimento de uma base de clientes existente, era improvável que você priorizasse a criação de produtos de baixa qualidade para clientes com excesso de serviços, com margens mais baixas.
Tais investimentos reduzem a sua rentabilidade, não fazem nada para seus clientes mais leais e não conseguem usar suas capacidades técnicas conquistadas. Então, naturalmente, como gerente, você deixa essas inovações para novos participantes.
Ao longo do tempo, seus produtos e serviços se tornaram melhores e melhores, e esses participantes inovadores evoluíram para o mercado, aumentando lentamente o desempenho. Impulsionados por estruturas de baixa margem e novas arquiteturas tecnológicas que poderiam suportar custos mais baixos, os concorrentes que entraram em sua indústria puderam conquistar cada vez mais partes de mercado - acabando por convencer até seus melhores clientes a abraçar seus produtos e serviços.
Tal era a natureza da disrupção. Felizmente, para executivos seniores havia uma solução. Se uma organização pudesse isolar uma unidade e focalizá-la exclusivamente no mercado disruptivo, teria a oportunidade de ter sucesso. Os gerentes da nova unidade comercial ou organizacional teriam incentivos semelhantes aos de seus novos concorrentes. Eles começariam com um produto de baixo custo e um mercado engatinhando até, em última análise, canibalizarem os negócios de seus colegas. Não era fácil de fazer, mas era uma boa estratégia.
Para as empresas com habilidade para operá-lo, funcionou. Empresas como a IBM e a Apple foram capazes de enfrentar mudanças disruptivas em seus mercados, tomando um tal curso, criando equipes e unidades separadas focadas em novas inovações (PCs e smartphones, respectivamente). E todos os líderes industriais que se juntaram a nós em Stanford nos últimos anos tomaram tal curso.
Mas, apesar da execução digna de livros didáticos, parece que tais manobras já não são suficientes. Porque este desafio de design organizacional está se transformando um problema para os financiadores e acionistas públicos. Um problema em que a solução é menos visível .
O Paradoxo de hoje
Para entender o problema que enfrentam nossos líderes seniores hoje, é fundamental entender a natureza de nossos modernos disruptores.
Quando Christensen conduziu a pesquisa para o Dilema do Inovador, ele analisou as indústrias que eram de alto investimento. O equipamento de construção e a fabricação de unidades de disco requeriam máquinas pesadas, instalações de distribuição e quantidades imensas de capital de giro.
No mundo de hoje, as ameaças perturbadoras mais pontudas são diferentes. Eles não são donas de muitos ativos. Eles são leves de ativos. E, embora isso possa parecer atraente para os espectadores desprevenidos, pode ser o beijo da morte para um CEO enfrentando participantes disruptivos. Por quê?
Os negócios leves de ativos não são financiados com dívidas. Eles são financiados com equidade - em outras palavras, uma participação na empresa. Esse é um recurso que é muito menos dispendioso para as novas empresas, sem histórico que para as empresas estabelecidas com toda a credibilidade do mundo.
Considere fabricantes de automóveis como Ford, Daimler ou General Motors. Cada empresa tem um negócio central para operar e investidores para agradar. Cada empresa tem que lidar com novos modelos de mobilidade, condução autônoma e a eletrificação da frota.
E em cada um desses espaços, há concorrentes leves de ativos (como Uber, Cruise, Zoox) que podem obter bilhões em múltiplos de receita 10X-30X - enquanto a Ford, a Daimler e a GM teriam sorte em financiar seus próprios empreendimentos com os mesmos múltiplos em ganhos. Não é um campo de jogo nivelado.
E as perdas que devem ser absorvidas são surpreendentes. Um estudo feito por meus antigos colegas da Sapphire Ventures demonstrou que a empresa de software intermediária que alcançou uma escala significativa no mercado absorveu mais de 100 milhões de euros em perdas operacionais no caminho da significância . O investidor institucional clamaria por tais perdas? Por enquanto, múltiplas empresas desse tipo estão sendo construídas sobn o manto da transformação.
Na era precoce do dilema, esse desafio não existia. Quando você podia financiar o crescimento com dívidas, as grandes empresas tinham enormes vantagens se pudessem incentivar os gerentes a abrandar a disrupção (principalmente criando novas unidades de negócios).
Eles poderiam tomar emprestado contra os ganhos futuros de seus negócios principais e construir os novos negócios no período intermediário. Os seus credores precificariam o capital para os novos esforços, juntamente com os do núcleo. Seus investidores de capital viam um pequeno impacto. Se uma nova unidade de negócios falhasse, não era geralmente devido a desafios financeiros, mas a organizacionais: a estrutura organizacional errada, a estratégia errada, o talento errado ou uma organização pai aterrorizada com a auto-canibalização e, portanto, não queriam ou não podiam dar, à nova unidade de negócios, a liberdade necessária para ter sucesso.
Hoje, esse não é o caso: os desafios organizacionais ainda são difíceis de resolver, mas eles não são o principal motivo com o qual as empresas mais estabelecidas lutam para provocar a própria disrupção.
Na maioria dos casos, a criação de uma nova unidade de negócios, mesmo corretamente, deixará os líderes ainda alemados, porque não poderão investir capital a um ritmo semelhante aos seus concorrentes iniciantes. É principalmente um problema financeiro, não organizacional.
Nos próximos anos, acho que essa realidade se tornará cada vez mais evidente. As empresas que lutam contra os seus disruptores digitais serão criativas não apenas no seu design organizacional, mas também em suas estruturas financeiras e modelos legais. (O recente aumento de capital da WeWork de US $ 500 milhões para uma entidade focada na China - um exemplo perfeito de financiamento de empreendimentos de risco com a ajuda da inovação legal - se tornará mais comum.)
Com esses novos desafios, uma nova era de exploração e experimentação corporativa será vital para a renovação. Evitar a disrupção nunca é tão fácil quanto seguir um manual. Mas pode ser ainda mais difícil hoje do que era há vinte anos.
No momento em que acordaram em 31 de maio de 2017, 10 mil refugiados sírios estacionados no campo de Azraq, na Jordânia, receberam sua ajuda há muito esperada. Mas em vez dos típicos caminhões brancos e azuis do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PAM), o auxílio veio na forma de vouchers eletrônicos distribuídos por trás de uma tecnologia de rápido crescimento chamada blockchain, especificamente a cadeia de blocos Ethereum.
Graças ao sucesso ressonante deste empreendimento, várias agências da ONU tomaram conhecimento, levando a afirmações de que a cadeia de blocos não só poderia ser usada para distribuir ajuda a refugiados em todo o mundo, mas também para vários outros fins filantrópicos.
O que é o Ethereum Blockchain?
Ethereum é uma cripto-moeda, bem como o Bitcoin, mais popular. As cripto-moedas funcionam em grande parte como moedas tradicionais, mas são inteiramente digitais, altamente criptografadas e podem ser armazenadas e transferidas com dispositivos eletrônicos. Um dos principais pontos de venda é que eles não são controlados por uma autoridade central, como o Banco de Reserva Federal dos EUA, o que significa que o valor da moeda é estritamente limitado ao crescimento logarítmico predefinido e seu valor é inteiramente determinado pela demanda do mercado.
O risco de inflação ou deflação selvagens é minimizado e a moeda pode ser mais facilmente transferida através das fronteiras - embora isso possa permitir que os criminosos a utilizem, já que as transações financeiras não podem ser rastreados com a facilidade que podem, através do sistema financeiro tradicional, fortemente regulamentado.
A tecnologia subjacente às cripto-moedas é o blockchain, um livro de registros público que registra todas as transações e usa criptografia de chave privada e rede peer-to-peer para garantir uma distribuição descentralizada segura.
A ONU explica o blockchain como "um banco de dados distribuído que é continuamente atualizado e verificado por seus usuários. Cada bloco de dados adicionado é "encadeado" e faz parte de uma crescente lista de registros, sob a vigilância dos membros da rede. Essa tecnologia permite a transferência de ativos e a gravação de transações através de um banco de dados seguro ".
Os esforços de ajuda da ONU têm um problema histórico de fraude, má administração e burocracia, mas com a capacidade de evitar governos e instituições bancárias, transferir ajuda através da cadeia de blocos pode ser muito mais eficiente.
Isto é especialmente verdadeiro para o Ethereum blockchain. É Turing completo, o que significa que ele tem seu próprio código interno e pode executar qualquer algoritmo com tempo e memória suficientes. Isso o torna mais adaptável, permitindo que ele transfira quase qualquer coisa, não apenas crypto-moedas.
Como pode ser usado pela ONU?
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Auxílio de Distribuição
Como mencionado acima, o Programa Mundial de Alimentos já está usando a cadeia de blocos Ethereum em um programa piloto chamado Building Blocks para distribuir vouchers para alimentos aos refugiados na Jordânia. Há planos para expandir o programa para os refugiados nos outros oitenta países onde o PMA opera.
Mas este é apenas o começo. Os especialistas estão fazendo um brainstorming para aproveitar a adaptabilidade do Ethereum blockchain.
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Alterações Climáticas
Na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima em Bona, na Alemanha, em maio passado, o uso da cadeia de blocos Ethereum foi proposto para ajudar a combater a mudança climática. Alexandre Gellert Paris, um funcionário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, afirmou que "a cadeia de blocos poderia contribuir para um maior envolvimento, transparência e engajamento das partes interessadas e ajudar a trazer confiança e novas soluções inovadoras na luta contra as mudanças climáticas, levando a ações climáticas melhoradas. "
Mais especificamente, a cadeia de blocos poderia ser usada para facilitar o comércio de ativos de carbono, cujo proprietário tem o direito de emitir uma quantidade predefinida de gases de efeito estufa. As empresas podem comprar e vender esses produtos como qualquer outro bem, e esse mercado pode se beneficiar do aumento da eficiência e transparência da cadeia de blocos Ethereum. Na verdade, a IBM e uma nova organização chamada Energy Blockchain Lab estão atualmente tentando adaptar a cadeia de blocos ao mercado de comércio de carbono da China.
Além disso, alguns especialistas na Conferência do Clima da ONU sugeriram que o blockchain poderia ser usado para desenvolver plataformas de comércio de energia renovável peer-to-peer, onde governos, empresas e civis poderiam comprar e vender ativos digitais que representassem uma certa quantidade de produção de energia. Eles também propuseram que isso poderia facilitar o crowdfunding para projetos renováveis, bem como melhorar o rastreamento da redução de gases de efeito estufa de acordo com as contribuições nacionalmente determinadas, enunciadas no Acordo de Paris.
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Identidade
Atualmente, mais de um bilhão de pessoas não são oficialmente reconhecidas por um governo, o que significa que não podem desfrutar da proteção e dos serviços oferecidos aos cidadãos de um estado, como acesso à educação, assistência médica, votação, capacidade de abrir uma conta bancária, etc. A ONU considera este um dos principais problemas que o mundo enfrenta hoje, levando-a a iniciar medidas para "fornecer identidade jurídica a todos, incluindo registro de nascimento, até 2030." Até agora, isso provou ser mais difícil do que o previsto originalmente.
Mas a Aliança ID2020 - uma nova organização composta por agências da ONU, organizações sem fins lucrativos, empresas, governos e outras empresas - acreditam que podem atingir esse objetivo através da construção de uma rede de identificação digital tendo por trás a cadeia de blocos Ethereum. Durante a segunda cúpula da organização na sede da ONU em junho passado, a Accenture e a Microsoft apresentaram um protótipo que tornaria a identidade pessoal, persistente, portátil e privada. Ou seja, seria único para uma pessoa, viveria com uma pessoa do nascimento até a morte, seria acessível a partir em qualquer lugar, e só poderia ser distribuída com permissão.
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Remessas [de dinheiro entre países]
A ONU estima que cerca de 200 milhões de trabalhadores migrantes enviam dinheiro através das fronteiras para apoiar cerca de 800 milhões de membros da família, totalizando mais de 400 bilhões de dólares em 2016. De acordo com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) da ONU, isto é responsável por tirar milhões de pessoas da pobreza, conforme o dinheiro é gasto em necessidades como alimentação, saúde, habitação, educação e saneamento. Infelizmente, os custos de transação para enviar remessas atualmente excedem US $ 30 bilhões anualmente, com tarifas particularmente altas para os países mais pobres e áreas rurais remotas.
A cadeia de blocos Ethereum, sem autoridade central ou intermediário, permite transações gratuitas, eliminando assim esse fardo de bilhões de dólares. Ela também oferece maior velocidade, facilidade de uso e mais privacidade para remetentes e receptores. O FIDA e outras organizações das Nações Unidas que lidam com remessas pesquisam ativamente como aplicar a cadeia de blocos Ethereum.
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Contratos Inteligentes
O Fundo Internacional de Emergência da Criança da ONU (UNICEF) está considerando empregar a cadeia de blocos Ethereum para aumentar a transparência e reduzir o que eles chamam de "custo da confiança". Devido à dificuldade de rastrear transações internacionais e porque o UNICEF conduz muitas delas, elas sofrem algum grau de má gestão, incluindo o potencial de fraude.
Isso pode ser resolvido usando contratos inteligentes, como sugerido pela UNICEF Ventures, uma filial dedicada a melhorar a capacidade da organização de mover fundos. Os contratos inteligentes funcionam como um contrato normal, no qual duas ou mais partes entram em um acordo, mas em vez de ter um terceiro para executá-lo, o contrato é executado inteiramente no blockchain, tornando irrelevante um terceiro.
Por exemplo, se a pessoa A quer comprar a senha de um site da pessoa B, eles podem entrar em um contrato no qual a senha é liberada somente quando o montante acordado de crypto-moedas for transferido. A transação seria no livro razão público, dando-lhe muito mais transparência e tornando-a mais eficiente, ajudando o UNICEF a superar seu problema de transparência e a funcionar com mais facilidade.
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Mais por vir
Desde o seu lançamento em julho de 2015, a cadeia de blocos Ethereum obteve uma atenção significativa, já que pessoas e organizações de todos os tipos começaram a imaginar formas praticamente ilimitadas de tirar proveito da transparência, segurança e eficiência que oferece. A ONU, em particular, abraçou-a, com sete agências da ONU a investigando ou implementando para vários fins. Na verdade, uma cúpula importante está agendada para o início de Outubro, na sede da ONU, em Nova York, na qual o Digital Blue Helmets, especialista em tecnologia de tecnologia da ONU, deverá revelar algumas novas e excitantes aplicações da cadeia de blocos Ethereum.