quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Como Wall Street "empacotou e reempacotou" empréstimos imobiliarios, sem garantias reais, transformando-os, via Moody´s e Standard e Pools (ignorância ou corrupção), de BBB em AAA. Comissões para EXECUTIVOS. Prejuízos para CLIENTES.

De: Claudio Estevam Prospero
Enviada em: terça-feira, 21 de junho de 2011 12:15
Assunto: [SINAPSES] Como Wall Street "empacotou e reempacotou" empréstimos imobiliarios, sem garantias reais, transformando-os, via Moody´s e Standard e Pools (ignorância ou corrupção), de BBB em AAA. Comissões para EXECUTIVOS. Prejuízos para CLIENTES.

Para que servem mesmo as agências de AVALIAÇÃO DE RISCOS ???

Os Mercados Financeiros se transformaram, de Intermediários da Produção e Serviços (realocadores de Capitais entre Ciclos e Segmentos Econômicos), em uma Conspiração contra os Mercados Reais [1]?

Produzindo resultados astronômicos para poucos (Pirâmides) e prejuízos incalculáveis para as Sociedades?

[1] Mercados Reais: Comércio, Indústria e Serviços

CDOs ampliam crise imobiliária nos EUA
Valor Econômico - 03/01/2008

http://www.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/imagens/vazio.gif

Carrick Mollenkamp e Serena Ng, The Wall Street Journal
http://www.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/imagens/vazio.gif
Nos últimos anos, enquanto os Estados Unidos viveram um boom no valor dos imóveis e nos créditos imobiliários, os banqueiros encontraram maneiras cada vez mais astutas de empacotar trilhões de dólares em empréstimos, vendendo-os em fragmentos a investidores no mundo inteiro. Os financistas e as autoridades do mercado achavam que toda essa atividade dispersaria o risco e talvez até tornasse os mercados mais fortes e seguros.

Aí chegou a Norma. A Norma CDO I Ltd., seu nome completo,
é parte de uma nova linhagem de investimentos em hipotecas criados no crepúsculo do boom imobiliário americano. Em vez de diluir o risco de empréstimos imobiliários, esses instrumentos multiplicaram e concentraram os efeitos da crise das hipotecas "subprime", ou de alto risco. Eles estão por trás de dezenas de bilhões de dólares em baixas contábeis em alguns dos maiores bancos do mundo, como os US$ 9,4 bilhões anunciados no mês passado pelo Morgan Stanley.

A Norma mostra como investidores em Wall Street, no esforço de manter vivo um mercado lucrativo, deixaram que uma boa idéia fosse longe demais. Criado a pedido de um fundo de hedge do Estado americano de Illinois que buscava uma aposta sob medida em hipotecas subprime, o veículo de investimento foi criado pela Merrill Lynch & Co. e uma turma de sócios obscuros.

Ao usar esses novos derivativos, a Norma contribuiu para um mercado especulativo que superou o valor total das hipotecas subprime em que ele se baseou. Ela também integrava uma cadeia de investimentos ligados a hipotecas que assumiam fatias uns nos outros. A prática gerou comissões para um punhado de grandes bancos. Mas, dizem os críticos, ela criou pouco valor para os investidores de maneira geral.

"Todo mundo estava transferindo o risco para o próximo acordo e mantendo-o dentro de um sistema fechado", diz Ann Rutledge, dona da R&R Consulting, uma firma de Nova York focada em consultoria de finanças estruturadas. "Se você garante o meu risco e eu garanto o seu, nós podemos dar o valor que quisermos e gerar comissão em cima disso."

Apenas nove meses depois de vender US$ 1,5 bilhão em títulos para investidores, hoje a Norma vale uma pequena fração do seu valor original. As firmas de avaliação de risco, que antes aprovaram seus negócios, rebaixaram sua avaliação para alto risco.

O conceito por trás da Norma, conhecido como obrigação com dívida colateralizada, ou CDO na sigla em inglês, é usado desde os anos 80. Um CDO, numa definição ampla, é um meio de agrupar a renda de vários títulos de dívida, derivativos e outros investimentos. Um CDO de hipoteca pode conter pedaços de uma centena ou mais de outros títulos, cada um dos quais podendo conter milhares de hipotecas individuais. O ideal seria que essa diversificação deixasse os investidores em CDO menos vulneráveis ao problema de um único tomador de crédito imobiliário ou um só título de investimento.

O CDO emite uma nova série de papéis, cada um com um grau de risco diferente. As partes de um CDO com maior risco rendem mais. As fatias com risco menor, e nota de crédito mais alta, pagam menos. Quem investe nas fatias de risco menor recebe primeiro a renda dos investimentos da CDO; investidores com as partes de maior risco são os primeiros a levar prejuízo.

Mas a Norma e outros CDO semelhantes acrescentaram ao modelo mudanças sutis mas potencialmente letais. Em vez de diversificar seus investimentos, eles apostaram pesado em títulos com uma coisa em comum: estavam entre os mais vulneráveis ao aumento da inadimplência nos empréstimos "subprime", concedidos geralmente a tomadores com um fraco histórico de crédito. Embora isso tenha aumentando o retorno, também elevou as chances de os prejuízos atingirem os investidores duramente.

Esses CDOs também investiram em mais do que simples títulos garantidos por hipotecas. Eles tinham fatias uns dos outros, assim como contratos derivativos que lhes permitiam apostar em títulos garantidos por hipotecas que não detinham. Isso aumentou o risco. Os bancos de Wall Street puseram fatias grandes da Norma e de outros CDOs em seus balancetes, concentrando os prejuízos em vez de dispersá-los.

"É um novelo de riscos", diz sobre a Norma Janet Tavakoli, uma consultora especializada em CDO. "
Em março de 2007, qualquer investidor mais sagaz teria jogado isso (...) no lixo".

A Norma foi desenvolvida num pequeno edifício de escritórios na costa norte de Long Island, em Nova York. Lá, um atarracado administrador de recursos de 37 anos chamado Corey Ribotsky dirige uma empresa chamada N.I.R. Group LLC.

A N.I.R. e suas filiadas compraram fatias em 300 empresas.
A firma de Ribotsky chamou a atenção da Merrill Lynch & Co. em 2005. Principal subscritor de CDOs de 2004 a meados de 2007, a Merrill lucrou centenas de milhões de dólares montando e depois ajudando a distribuir CDOs garantidos por títulos imobiliários. Para cada CDO subscrito pela Merrilll, o banco de investimento ganhou comissão de 1% a 1,5% do valor total do negócio, ou até US$ 15 milhões num típico CDO de US$ 1 bilhão.

Para manter a receita das comissões, a Merrill contratava firmas de fora chamadas "administradoras de CDO". Ela as ajudava a levantar fundos, buscar os ativos para seus CDOs e encontrar investidores. Os administradores, por sua parte, escolhem os ativos e depois monitoram as garantias, ou colaterais, para os CDOs, embora muitos deles não precisem de um gerenciamento ativo.

A entrada de Ribotsky no mundo das administradoras de CDOs começou no Engineers Country Club de Long Island. Lá, em 2005, ele conheceu Mitchell Elman, um advogado criminalista de Nova York. Elman apresentou Ribotsky a Kenneth Margolis, um conhecido vendedor de CDOs no Merrill, segundo pessoas a par da situação. Elman não quis comentar.

Margolis, que em fevereiro de 2006 se tornou vice-diretor da divisão de CDO do Merrill, teve um papel importante na busca por firmas para administrar CDOs. Ele colocou Ribotsky em contato com algumas pessoas que tinham experiência no mercado de títulos imobiliários. Entre elas, dois ex-banqueiros do Wachovia Corp., Scott Shannon e Joseph Parish III, que saíram do banco e formaram sua própria firma de administração de CDOs.

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Merrill Lynch lucrou centenas de milhões de dólares montando e depois ajudando a distribuir CDOs
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Ribotsky decidiu se associar a Shannon e Parish. "Parecia interessante, e foi assim que entramos nessa", diz Ribotsky. Paris e Shannon não quiseram falar sobre detalhes da Norma. O trio abriu a N.I.R. Capital Management, que durante o ano seguinte assumiu a administração de três CDOs subscritos pela Merrill.

Em 2006, Ribotsky diz que a Merrill foi até à N.I.R. com uma nova proposta: um dos clientes do banco de investimentos, um fundo de hedge, queria investir na parte mais arriscada de um certo tipo de CDO. "Já estava tudo organizado quando foi apresentado a nós", diz Ribotsky. "Eles entrevistaram um monte de administradores e escolheram a nossa equipe."

O CDO se chamaria Norma, em homenagem a uma constelação do hemisfério celestial sul. Segundo pessoas a par da questão, o fundo de hedge era o Magnetar, que leva o nome de uma poderosa estrela de nêutrons. O Magnetar não quis comentar.

Em 7 de dezembro de 2006, a Norma foi registrada com sede nas Ilhas Cayman. A N.I.R., sua administradora, ganharia comissão de 0,1%, ou cerca de US$ 1,5 milhão por ano. A Norma pertencia a uma classe de instrumentos chamado de CDOs "mezaninos", porque investia em títulos com avaliações de crédito medíocres, na maioria BBB. Apesar dos riscos, as CDOs mezanino passaram por um boom nos estágios finais do ciclo de crédito, à medida que investidores buscavam seus gordos retornos. No primeiro semestre de 2007, os emissores lançaram no mercado US$ 68 bilhões em CDOs de hipotecas contendo títulos com uma avaliação média de BBB ou semelhante - a avaliação de risco mais baixa para grau de investimento - e até piores, segundo uma pesquisa da Lehman Brothers Holdings Inc. Isso foi mais do que o dobro do nível de um ano antes.

Para a Norma, a N.I.R juntou US$ 1,5 bilhão em investimentos. A maioria não era em títulos de dívida, mas derivativos ligados a títulos imobiliários com avaliação BBB. Chamados "swap de crédito inadimplente", esses derivativos funcionavam como apólices de seguro para os títulos atrelados a empréstimos imobiliários residenciais de alto risco ou aos CDOs que os continham. A Norma, agindo como a seguradora, receberia regularmente um prêmio que repassaria aos seus investidores. Quem comprava a proteção, inicialmente a Merrill Lynch, receberia pagamentos da Norma se os títulos segurados tivessem perdas. Não está claro se a Merrill manteve essa garantia, ou a repassou a outros investidores que estariam compensando sua exposição às hipotecas de alto risco ou apostando num colapso geral do mercado.

Muitos bancos de investimentos favoreceram CDOs que continham esses swaps de dívida inadimplente, porque eles não exigiam a aquisição dos títulos em si, um processo que geralmente leva meses. Com esses swaps, um CDO bilionário poderia ser montado em semanas.

A princípio, os swaps ajudaram os bancos e outros investidores a repassar os riscos que não queriam manter. Mas no caso das hipotecas de alto risco, os derivativos amplificaram o efeito dos prejuízos, porque permitiram a criação de um número ilimitado de CDOs ligados aos mesmos títulos garantidos por hipotecas. A UBS Investment Research, uma divisão do banco suíço UBS AG, calcula que os CDOs venderam proteção de crédito equivalente a três vezes o verdadeiro valor de face dos títulos "subprime" de avaliação BBB.

A Norma, por sua parte, comprou cerca de US$ 90 milhões em títulos garantidos por hipotecas, ou 6% de seus investimentos. Disso, algumas eram fatias de outros CDOs, a maioria subscrita pela Merrill, segundo documentos analisados pelo Wall Street Journal. Entre esses CDOs está a Scorpius CDO Ltd., administrada por uma divisão da Cohen & Co., uma firma dirigida pelo antigo chefe de CDOs da Merrill Cristopher Ricciardi. Depois, a própria Norma estaria entre os ativos da Glacier Funding CDO V Ltd., administrada por um departamento da corretora Winter Group, de Nova York. Um representante da Winter Group disse que a empresa não quis comentar, assim como a Cohen & Co.

No início de 2007, a Norma estava pronta para enfrentar as firmas de avaliação de risco. As diferentes fatias de CDOs recebem avaliações diversas porque algumas protegem as outras das perdas causadas pela inadimplência. Uma fatia "júnior" pode levar os primeiros US$ 30 milhões em perdas de um CDO de US$ 1 bilhão, enquanto uma fatia "sênior" com avaliação AAA só será afetada quando as perdas chegarem a mais de US$ 200 milhões.

Mas o sistema apenas funciona se os títulos do CDO não tiverem perdas todos ao mesmo tempo. Os títulos de dívida emitidos por empresas, por exemplo, tendem a ter uma correlação baixa porque as companhias que os emitem operam em setores diferentes, que geralmente não enfrentam dificuldades simultaneamente.

Os títulos imobiliários, por sua vez, acabaram se mostrando muito parecidos uns com os outros. Todos eles são ligados a milhares de empréstimos nos EUA. Qualquer coisa grande o suficiente para gerar inadimplência numa parte substancial desses empréstimos - como queda no valor dos imóveis em todo o país - também deve afetar os títulos num CDO. Isso é especialmente verdadeiro para os tipos de títulos em que os CDOs mezanino apostaram. Os títulos BBB normalmente dão prejuízo se as perdas causadas pela inadimplência no conjunto de empréstimos que os formam chega a 10%.

Entretanto, quando as firmas de avaliação de risco analisaram a Norma, estavam fixadas num cenário anterior, em que a ascensão do valor dos imóveis e o crédito fácil mantinham em baixa a inadimplência das hipotecas de alto risco. Os documentos de divulgação da Norma citam vários riscos para os investidores, mas também afirmam que os títulos CDO tinham um alto nível de estabilidade na avaliação de risco.

Além disso, as firmas afirmam que tinham razão para acreditar que nem todos os títulos iriam azedar ao mesmo tempo quando o mercado entrasse em baixa. Primeiro, cada título tinha hipotecas de várias financeiras, então os padrões de empréstimo poderiam variar de um título para o outro. Cada título também tinha seu próprio time de empresas cobrando os pagamentos
.

Em março, a Moody's Investors Services da Moody's Corp., a Standard & Poor's da McGraw-Hill Cos. e a Fitch Ratings da Fimalac SA deram sua aprovação à Norma. Em seu relatório, a Fitch citou preocupação com o setor de hipotecas de alto risco e o alto número de tomadores que obtiveram empréstimos sem comprovação de renda. Mesmo assim, todas as três firmas deram sua maior avaliação, AAA, para fatias que constituíam 75% do valor total dos CDOs.

Em setembro, a Norma apresentava problemas. Em meio ao declínio profundo do valor dos imóveis e à inadimplência crescente das hipotecas, o valor dos títulos garantidos por hipotecas subprime foi ao chão. Os analistas aumentaram suas estimativas do prejuízo total para 20% dos títulos garantidos por hipotecas emitidos em 2006.

Em outubro, a Moody's rabaixou US$ 33,4 bilhões em títulos garantidos por hipotecas, incluindo as seguradas pela Norma. Esse rebaixamento criou a base para uma revisão dos CDOs garantidas por esses títulos - e para novos rebaixamentos.

As firmas de avaliação de crédito dizem que seus relatórios em março representavam a melhor análise na época e classificaram a deterioração do mercado "subprime" como sem precedentes e inesperadamente rápida. 
REVISTA DO BNDES, RIO DE JANEIRO, V. 15, N. 30, P. 129-159, DEZ. 2008
Analisando a Crise do Subprime
RESUMO Desde agosto de 2007,com o início da crise imobiliária no segmento subprime nos EUA, houve um aumento da aversão ao risco no mercado financeiro internacional, com a concomitante deterioração das condições de crédito em escala global. A ampla liquidez existente nos EUA, fruto, em boa medida, da condução de sua política monetária desde 2001, foi responsável por gerar uma forte onda de valorização dos ativos imobiliários, que adquiriu contornos de uma bolha especulativa. A continuidade desse processo foi viabilizada pela atuação das instituições financeiras privadas mediante a utilização de produtos financeiros estruturados de derivativos de crédito. A despeito de os Bancos Centrais das economias desenvolvidas terem realizado inúmeras intervenções nos mercados desde o início da turbulência financeira, a falência do Lehman Brothers, em meados de setembro, agravou profundamente o andamento da crise.

Embora seu fim ainda esteja distante, já há, pelo menos, duas lições importantes a serem extraídas desse episódio.

·         A primeira é que o arcabouço regulatório em uso e em discussão – Basiléia I e II, respectivamente – precisa ser repensado, particularmente no que diz respeito à capacidade de auto regulação dos mercados.

·         A segunda é que haverá, certamente, maior intervenção do Estado na economia.

Ver os arquivo anexos:  

·         BNDES_Analisando_Crise_Subprime  (DEZ. 2008)

Trechos:
Portanto, o processo de transformação financeira, mediante a utilização de produtos financeiros estruturados – fundos CDOs e SIVs –, possibilitou, simultaneamente, a redução dos custos de captação das instituições financeiras com a venda de créditos de baixa qualidade no mercado de capitais e a proliferação de operações off-balance. Dessa forma, os bancos puderam não apenas ampliar seus níveis de alavancagem, contornando os limites impostos pelo Acordo da Basiléia, como também transferir os riscos de crédito para os mercados de capitais e patrimônio dos investidores. Assim, permitiu-se que as instituições financeiras originassem tais obrigações sem que isso gerasse uma piora sensível da avaliação de suas carteiras. Dessa forma, a cessão de créditos subprime constituiu-se em uma oportunidade de obter bons retornos com contrapartidas de risco inferiores àquelas que teriam de ser arcadas na ausência dos mecanismos de derivativos de crédito analisados.
(...)
Diante da falta de informações claras sobre o tamanho e a responsabilidade das perdas em curso, os investidores correram para resgatar suas aplicações em fundos imobiliários e, simultaneamente, pararam de renovar as aplicações em commercial papers lastreados em ativos emitidos pelas SIVs. A conseqüência foi a elevação
de suas taxas de captação em relação à taxa básica de juros da economia, os Fed Funds, indicando problemas de liquidez a curto prazo no sistema financeiro americano (Gráfico 7).

Isso deixou os grandes bancos americanos e europeus expostos ao risco imobiliário, uma vez que as SIVs passaram a fazer uso das linhas de crédito que mantinham com essas instituições, o que, na prática, representava a transferência de parte dos prejuízos. É importante destacar que as operações off-balance realizadas geraram não apenas uma alavancagem de crédito e descasamentos entre ativos e passivos sem precedentes, mas também balanços corporativos fictícios por parte das instituições financeiras.

A disseminação desses fatos levou alguns fundos de hedge, administrados por grandes bancos, a suspender os resgates de seus cotistas.
(...)
Nesse momento, os bancos viram seus custos de captação se elevarem, inclusive nos mercados interbancários. Esse foi o sinal para que os Bancos Centrais interviessem, oferecendo liquidez a taxas mais baixas, mesmo a instituições com carteiras de crédito problemáticas.

Até meados de outubro de 2008, os prejuízos trazidos a público decorrentes da crise do subprime alcançavam cerca de US$ 660 bilhões (Tabela 1).

Apesar de afetar um grande número de instituições, as perdas estão concentradas em alguns grandes bancos internacionais. Basta observar que os cinco mais afetados – Wachovia, Citigroup, Merril Lynch, Washington Mutual e UBS – responderam por mais de US$ 310 bilhões

No caso do Citigroup, maior banco norte-americano em volume de ativos, essa perda chega a mais de 70% relativamente às cotações de julho de 2007, enquanto no Wachovia, quarto maior banco americano, a perda de valor de mercado atinge níveis ainda mais elevados na mesma base de comparação.

A expectativa é de que as perdas continuem aumentando nos próximos meses, muito embora as previsões para os montantes dos prejuízos sejam amplamente díspares. As projeções iniciais menos pessimistas apontavam que os prejuízos poderiam chegar a US$ 600 bilhões, valor que já foi ultrapassado. De maneira surpreendente, o Fundo Monetário Internacional (FMI), usualmente  um organismo de opiniões conservadoras, foi autor, em abril de 2008, de uma das estimativas mais pessimistas para as perdas – aproximadamente, US$ 1 trilhão.7 Com o agravamento da crise, essa previsão foi revista no mês de outubro, atingindo cerca de US$ 1,4 trilhão.8 Entretanto, Nouriel Roubini, em seu blog, tem uma opinião ainda mais catastrófica, afirmando que as perdas decorrentes dos créditos subprime se aproximarão de US$ 2 trilhões.
(...)
Assim, o reconhecimento em balanço das operações já realizadas, bem como o fechamento do mercado de capitais, obrigou as instituições financeiras a honrar volumosos compromissos previamente assumidos. As dificuldades daí decorrentes levaram às crescentes intervenções dos Bancos Centrais nos mercados, tanto nos EUA como na Europa. Entretanto, diferentemente do que prescrevem os livros-textos de economia, os bancos centrais não atuaram comprando títulos públicos de bancos comerciais para ampliar, via multiplicador bancário, a liquidez da economia. As intervenções foram não-convencionais.

Como mostra o Gráfico 13, o ativo total do FED não apenas se elevou consideravelmente a partir de setembro, quando ocorreu o agravamento da crise, mas também mudou substancialmente de composição. Isso evidencia a natureza profunda que a crise adquiriu e o tamanho das intervenções do FED no sistema, com amplas injeções de liquidez.

Em agosto de 2007, no início da crise, o valor total do ativo do FED era de US$ 0,9 trilhão. Em meados de outubro de 2008, esse montante atingiu cerca de US$ 1,79 trilhão.
O mais impressionante é que, do final de agosto de 2008 até meados de outubro de 2008, os ativos totais da autoridade monetária norte-americana elevaram-se em mais de 90%. No entanto, as modificações tornam-se ainda mais drásticas quando se analisa a composição desse ativo. A participação dos títulos do Tesouro americano (U.S. Treasury) no total dos ativos do FED reduziu-se, nesse mesmo período, i.e., entre agosto de 2007 e meados de outubro de 2008, de 87% para 26,6%, enquanto os créditos ao setor privado se ampliaram de 3% para 45%.
(...)
Contudo, todas essas medidas de liquidez tornaram-se insuficientes diante do pânico que tomou conta dos mercados a partir da quebra do banco de investimento Lehman Brothers – evento catalisador do processo de agravamento  da crise. Após esse episódio, o FED não apenas estendeu algumas de suas linhas de crédito para instituições não-depositárias, mas realizou a operação de salvamento da AIG – maior seguradora dos EUA, e criou uma linha direta para a compra de commercial papers das empresas norteamericanas.

O Tesouro dos EUA preparou, também, um pacote de US$ 700 bilhões para a compra de ativos ilíquidos das instituições financeiras, os quais, em parte, serão utilizados para a aquisição de ações preferenciais dos principais bancos do país, em um processo parcial de nacionalização do sistema financeiro.

7. Conclusões
A crise do subprime vem despertando a curiosidade dos economistas no sentido do entendimento de sua origem, causas e conseqüências. Uma característica que vale a pena ser ressaltada é a oscilação das análises sobre suas eventuais repercussões no lado real da economia. Primeiramente, os diagnósticos mais pessimistas apontavam que a crise do subprime seria a mais grave e profunda desde a Grande Depressão de 1929. Todavia, a atuação pragmática do FED e dos demais Bancos Centrais, injetando liquidez nos mercados por meio dos mais variados tipos de instrumentos, foi fundamental para dissipar, pelo menos inicialmente, as expectativas mais catastróficas sobre a crise.

O desenrolar dos acontecimentos, no entanto, mostrou que inúmeras instituições financeiras estavam com suas carteiras de crédito amplamente comprometidas, colocando os bancos e, em última instância, todo o sistema financeiro internacional sob forte pressão. A falência do Lehman Brothers, ao potencializar a crise, provocou um amplo aumento da preferência pela liquidez dos bancos, prejudicando, até mesmo, o funcionamento dos mercados interbancários. Com a redução da liquidez na economia, os impactos recessivos já se tornaram consensuais entre as projeções dos analistas de mercado. As únicas incógnitas se resumem em saber o quão profunda será a recessão e quanto tempo ela durará.

Muito se especulou, também, sobre a natureza diferenciada da crise do subprime. Será, realmente, que ela tem alguma diferença significativa com relação às outras? A resposta aparente para essa pergunta é não. Na maior parte das vezes, as crises financeiras são compostas por dois tipos de fatores: os específicos e os  estruturais/fundamentais. Geralmente, os fatores específicos estão ligados às inovações financeiras contemporâneas ao período de análise, como é, atualmente, o caso da proliferação de produtos financeiros estruturados de derivativos de crédito – fundos CDOs e SIVs. Todavia, essas são apenas manifestações de causas mais profundas e recorrentes, presentes nos mais variados momentos de turbulência financeira. A agressiva e generalizada tomada de risco por parte dos agentes econômicos, seguida da
diminuição das margens de segurança por parte das instituições financeiras na concessão de recursos, é responsável por criar os desequilíbrios típicos de momentos de boom que antecedem o estopim das crises [Borio (2008)].

Nesse ponto de vista, a análise da crise do subprime nos remete ao instrumental teórico desenvolvido por Minsky (1982), no qual as relações entre a dinâmica macroeconômica e o padrão de financiamento dos agentes privados tornam-se fundamentais para explicar não apenas as flutuações do nível de atividade, mas também os ciclos econômicos e suas reversões [Wray (2007), Kregel (2008) e Penin e Ferreira (2007)]. A subida dos preços imobiliários proporcionava, simultaneamente, uma tomada de riscos maior por parte dos mutuários das hipotecas, que renegociavam seus financiamentos em melhores bases, assim como um relaxamento das condições
de concessão de crédito – verificação inadequada da qualidade dos créditos originados, elevação da relação risco/garantia e taxas de juros iniciais “atraentes” em hipotecas de juros flutuantes. Essas condições, acrescidas de um ambiente macroeconômico próspero, validavam tais posturas, disseminando, do ponto de vista sistêmico, os riscos dessas operações.

Muitos perguntam quando a crise financeira chegará ao seu final. Esse questionamento, a despeito de ser extremamente difícil, passa não apenas pelo fim da queda dos preços dos imóveis nos EUA, mas também pelo retorno do funcionamento normal do sistema financeiro internacional – especialmente dos mercados interbancários.
Enquanto o processo de deflação das residências não terminar, os financiamentos imobiliários continuarão retraídos, uma vez que o colateral das dívidas – o próprio imóvel – terá um valor incerto. Greenspan (2008), em artigo publicado no The Wall Street Journal (14.8.2008), afirma que os preços das residências começarão a se estabilizar em algum momento do primeiro semestre de 2009, ressaltando que: “A estabilização dos preços dos imóveis (...) é importante não apenas para os donos das casas, mas é condição necessária para um fim à atual crise financeira mundial.” Corroborando essa previsão, há estimativas apontando que os preços dos imóveis ainda estariam, em média, cerca de 14% acima de seus valores de equilíbrio [Klyuev (2008)]. Nesse sentido, a crise ainda está longe de seu final.

Porém, as condições financeiras dos bancos norte-americanos e europeus são, nesse momento, muito delicadas. Embora tenham ocorrido amplas injeções de liquidez das autoridades monetárias dos países desenvolvidos, os mercados interbancários continuam a não funcionar. Os bancos, com o agravamento da crise, estão relutantes em realizar empréstimos entre si, evidenciando sua preferência pela liquidez.

De qualquer modo, já há, pelo menos, duas lições importantes da crise.

A primeira é que o arcabouço regulatório em uso e em discussão – Basiléia I e II, respectivamente – precisa ser repensado, particularmente no que diz respeito à capacidade de auto-regulação do mercado. Os mecanismos de securitização dos créditos hipotecários por parte das instituições financeiras acabaram por gerar grandes níveis de alavancagem acompanhados de disseminação sistêmica de risco. Efetivamente, os instrumentos de regulação e supervisão disponíveis terão de ser inteiramente modificados.

A segunda é que haverá, certamente, maior intervenção do Estado na economia, especialmente no que tange ao funcionamento dos mercados e instituições
financeiras. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmou que o mundo precisa de uma nova arquitetura financeira internacional, ressaltando a necessidade de um novo Acordo de Bretton Woods.

Como é mesmo o MANTRA Neoliberal (repetido, à exaustão, pela Mídia Global) ? Que os Governos (“representantes” – corruptos e ineficazes, concordo - das Sociedades) “atrapalham o bom funcionamento dos Mercados (Financeiros ?)”

Privatiza-se para gerar LUCROS e Socializa-se para arcar com os PREJUÍZOS? (Para exorcizar o Demoníaco Risco Sistêmico – Cruz Credo - dos Novos Sacerdotes (os Fundamentalistas da Globalização Financeira) ? )

[SINAPSES] A Jogada do Século - The Big Short - Michael Lewis - descreve a combinação de ganância, falta de ética e incompetência que esteve na origem da maior crise económica e financeira desde a Grande Depressão dos anos 30

De: Claudio Estevam Prospero
Enviada em: terça-feira, 14 de junho de 2011
Assunto: [SINAPSES] A Jogada do Século - The Big Short - Michael Lewis - descreve a combinação de ganância, falta de ética e incompetência que esteve na origem da maior crise económica e financeira desde a Grande Depressão dos anos 30
















TERÇA-FEIRA, 14 DE JUNHO DE 2011
The Big Short - Michael Lewis

É um excelente relato da história da crise do mercado subprime nos EUA centrado no punhado de investidores que previram a catástrofe e que descreve a combinação de ganância, falta de ética e incompetência que conduziram ao colapso deste mercado que esteve na origem da maior crise económica e financeira desde a Grande Depressão dos anos 30.

Escrito num estilo de excelente jornalismo, este livro descreve a máquina que criou milhões de milhões de dólares de empréstimos de empréstimos subprime que depois eram "transformados" em activos supostamente sem risco com o beneplácito das autoridades de supervisão e a "cumplicidade"  das agências de notação [risco] que são descritas no livro como "morally banckrupt and living in fear of being actually bankrupt" [1] , cujos modelos inteiramente inadequados e um conhecimento limitado dos activos em que se baseavam os títulos - cujos riscos os próprios administradores dos bancos de investimento que os criavam eram incapazes de compreender - a que atribuíam notações que eram "colocados" junto de investidores que confiavam nesses ratings sem terem consciência dos riscos envolvidos conduzindo a um mundo em que "too many people were taking far too may financial statemens on faith". [2]

Confiança que se desmoronou quando o nível de inadimplência nos empréstimos subprime começou a aumentar e os CDO (Collateralized Debt Obligations)  baseados nesses empréstimos perderam a quase totalidade do seu valor, gerando perdas de centenas de milhares de milhões de dólares e forçando à intervenção maciça dos bancos centrais e dos governos para evitar o colapso do sistema financeiro.

[1] moralmente falidas e vivendo no medo de ser realmente falidas

[2] muitas pessoas estavam podendo contratar demasiados empréstimos apenas baseados em fé [de que o mercado imobiliário se valorizaria eternamente !!!]


Crise Financeira

Frente à gravidade da crise financeira planetária, e às inúmeras reações e análises que temos recebido, pareceu-nos útil organizar aqui um Dossiê da Crise, que permita aos pesquisadores e analistas terem acesso a alguns dos principais textos, tomadas de posição e estudos que surgem. Trata-se portanto de material de trabalho para quem queira acompanhar o assunto. E vale a pena, porque o assunto vai nos acompanhar, queiramos ou não.
Ver os textos em:



Goldman Sachs perde apoio oficial e poder nos EUA
Com influência histórica na Casa Branca, banco é acusado de enganar o Congresso americano e seus clientes após a crise financeira global
16 de maio de 2011 | 0h 00


Gustavo Chacra - O Estado de S.Paulo
CORRESPONDENTE / NOVA YORK





Brendan Mcdermid/Reuters-16/7/2010
Sem poder. Goldman Sachs perde prestígio que tinha junto ao governo americano desde 1932
Símbolo de Wall Street, o Goldman Sachs sempre teve reputação de ser uma das mais poderosas instituições financeiras do mundo, chegando a ser ironicamente apelidado de "Government Sachs", em alusão à sua influência na Casa Branca.
Desde sua fundação no século 19, superou várias crises, incluindo a depressão dos anos 30 e o colapso financeiro de 2008, que sugou o concorrente Lehman Brothers e enfraqueceu o Merrill Lynch. Agora, pela primeira vez, vê sua imagem se deteriorar e seu poder se esvair diante de escândalos, com seu presidente, Lloyd Blankfein, correndo riscos no cargo.
As ações do Goldman despencaram no último mês de US$ 184 para US$ 142 depois de o Senado publicar relatório de 640 páginas afirmando que o banco enganou o Congresso e seus clientes em apostas no mercado imobiliário, principal responsável pela eclosão da mais grave crise financeira dos Estados Unidos em sete décadas. A instituição nega.
Pesquisa da Bloomberg indica que 54% dos investidores americanos têm imagem negativa do Goldman. O banco foi alvo de críticas até mesmo no documentário vencedor do Oscar, Inside Job (Trabalho Interno, no Brasil) sobre a crise de 2008.
Para completar, há poucas semanas foi lançado o livro "Money and Power - How Goldman Sachs Came to Rule the World", do colunista do New York Times William Cohan. Ele mostra como nos últimos anos a instituição perdeu o apoio que costumava ter em Washington desde 1932, quando seus dirigentes estabeleceram relação de amizade com Franklin Roosevelt.
Em 2008, na administração de George W. Bush, o secretário do Tesouro era Henry Paulson, ex-presidente do Goldman. Outros antigos integrantes do banco ocupavam cargos de destaque, como Steve Friedman, presidente do Federal Reserve (Banco Central) em Nova York, que também dirigiu o Conselho Nacional de Economia, e Josh Bolten, chefe de gabinete de Bush.
Agora, nos anos de Barack Obama, segundo Cohan, "os amigos do Goldman no alto escalão, sempre tão fundamentais para o sucesso da empresa, estão abandonando o apoio à instituição. Para complicar, no atual clima político polarizado em questões socioeconômicas, o Goldman se sente cada vez mais isolado e demonizado".
O senador Carl Levin, presidente da comissão que investiga crimes financeiros no Congresso, é visto como o maior inimigo do Goldman em Washington. Ele admite que sua raiva é profunda. "Eles ganharam muito dinheiro através de apostas contra o mercado imobiliário e mentiram sobre isso. A cobiça deles é incrivelmente intensa". Acrescentou em depoimento que "as provas demonstram que o Goldman repetidamente colocou seus interesses acima dos clientes e das comunidades."
Lula-vampiro. Até na cultura popular o Goldman é atacado, como no filme em que Michael Moore visita a antiga sede do banco em Nova York para pedir de volta o dinheiro dos contribuintes - na verdade, o banco aceitou o dinheiro a contragosto, pois não precisava, e pagou integralmente o empréstimo no prazo e com juro.
O ataque mais duro veio na revista Rolling Stone, em reportagem dizendo que "a primeira coisa que as pessoas precisam saber sobre o Goldman Sachs é que eles estão em todos os lugares". Diz ainda que "o mais poderoso banco de investimentos do mundo é uma grande lula-vampiro ao redor do rosto da humanidade, sugando o sangue de qualquer coisa que cheire a dinheiro".
Em abril, o escritor Frederick Kayfman publicou artigo no site da revista Foreign Policy acusando o Goldman de estar por trás do aumento do preço dos alimentos. Vários economistas disseram se tratar de exagero.
Como não depende de marketing para vender seu produto, já que seus clientes se importam mais com o retorno financeiro, Blankfein deu umas escorregadas quando, ao sair de depoimento no Congresso, disse que "precisava fazer o trabalho de Deus".
Nos últimos meses, com os problemas do banco se acentuando, ele disse em entrevista à rede CNN que é "preciso recuperar a confiança do público, não temos outra opção". Alguns de seus aliados dizem se tratar de campanha populista de Washington, que precisa arrumar bode expiatório e a saída é sempre culpar o Goldman, que teve queda de 38% no faturamento em 2010. Blankfein conta com o apoio do bilionário Warren Buffett, principal investidor do grupo, mas está longe de ser a personalidade do ano do Financial Times em 2009 e o mais influente da Vanity Fair no mesmo ano.
No livro, um ex-sócio do banco, agora em nova sede ao lado de onde estava o World Trade Center, disse que "o Goldman é criticado por ser bem-sucedido. Se todos os bancos de investimento fizessem o mesmo, não teria havido crise financeira". Outro acrescentou que o "Goldman tem capacidade de mudar e continuar fazendo dinheiro". 



Livro derruba 23 mitos do capitalismo
Crítico do neoliberalismo adotado a partir dos anos 80, autor sul-coreano Han-Joon Chang diz que livre mercado não existe.
20 de outubro de 2010 | 7h 11


BBC Brasil
A crise financeira de 2008 expôs ao mundo as fraquezas de um ídolo que parecia indestrutível desde a queda do muro de Berlim: o capitalismo.
O economista sul-coreano Han-Joon Chang, da Cambridge University, na Inglaterra, é um dos mais eminentes críticos das políticas neoliberais em voga desde a década de 80.
Autor dos livros Bad Samaritans: The Myth of Free Trade and the Secret History of Capitalism (em tradução livre, Maus Samaritanos: O mito do livre comércio e a história secreta do capitalismo) e 23 Things They Don't Tell You About Capitalism (em tradução livre, 23 coisas que não te dizem sobre o capitalismo), publicados recentemente, Chang disse à BBC que não é um anticapitalista (veja no final do texto a lista de afirmações do livro).
"O capitalismo é o pior sistema, excluídos os outros", ironiza.
Chang disse que muitos dos críticos ou admiradores do sistema estão convencidos de que sabem o que é o capitalismo - mas estão enganados. O economista disse que o que tenta fazer em seus livros é mostrar que muitas das premissas usadas para definir o sistema são meias verdades ou puro mito.
"A idéia do livre mercado, por exemplo. O mercado livre não existe. Todo mercado tem regras e limites que restringem a liberdade de escolha."
Ele pergunta, por exemplo, por que um motorista de ônibus na Suécia ganha 50 vezes mais do que um em Nova Déli (na Índia).
"Porque o de Nova Déli não pode ir à Suécia, pois há limites ao fluxos migratórios."
Outro mito, ele explica, é aquele que propõe que quanto mais livre o mercado e quanto menos envolvimento do governo, maior a riqueza.
Segundo Chang, a coisa não funciona dessa forma. E para ilustrar sua tese, ele cita o caso da desregulamentação do sistema financeiro ocorrida desde a década de 80.
"Como se viu na crise financeira de 2008, (a desregulamentação) destruiu muita riqueza."
Desenvolvimento

Outro mito capitalista, na opinião de Chang, é a idéia do livre comércio. Países desenvolvidos dizem que as nações em desenvolvimento têm de permitir o livre fluxo de capitais e mercadorias para que possam se desenvolver.
Mas essa posição ignora a política adotada historicamente pelos próprios países desenvolvidos - ele diz.
"Tomemos o caso do Reino Unido, berço da Revolução Industrial. No século 17, Daniel Defoe, autor de Robinson Crusoé, além de empresário e espião, publicou uma história sobre o comércio inglês que mostra o protecionismo aplicado desde o século 15".
"Esta política segue até o século 19, quando o Reino Unido se tornou partidário do livre comércio porque já havia desenvolvido sua indústria e não precisava protegê-la."
Chang diz achar "curioso" que a Grã-Bretanha, ao abraçar a idéia do livre comércio, apaga sua própria história e prega algo que não praticou para se desenvolver, ou seja, exige que o resto do mundo adote o livre comércio.
Ainda ilustrando esse ponto, ele lembra que os Estados Unidos não adotaram a política de livre comércio defendida pelos britânicos.
"No século 19 e nas primeiras décadas do século 20, os EUA foram o país mais protecionista do mundo. E uma vez que desenvolveram plenamente sua indústria, exigiram do resto que se convertesse ao livre comércio."
Segundo Chang, a lista de países que usaram uma estratégia similar é grande: França, Japão, Alemanha, Finlândia, Itália, Noruega e Áustria, entre outros.
O economista cita ainda o caso de seu país natal, a Coréia do Sul.
Ele conta que nasceu em 1963, período em que a renda per capita na Coréia do Sul equivalia a menos do que a metade da de Gana.
Em 1977, a renda per capita havia subido para US$ 1 mil e o país se transformara em um grande exportador de automóveis, semicondutores e outros produtos de grande elaboração técnica.
"A Coreia do Sul aplicou todas as receitas que os países desenvolvidos dizem que não se deve aplicar: subsídios, protecionismo, planos estatais, intervencionismo...", enumera Chang.
"Não digo que essa política seja uma varinha mágica. O que digo é que se você estuda a realidade dos países em desenvolvimento no pós-guerra, a história oficial que prega o neoliberalismo, com o FMI e o Banco Mundial no comando, não condiz com a realidade."
Para Chang, o milagre japonês é um exemplo claro, assim como os casos da China e da Coréia do Sul.
Globalização

A idéia da inevitabilidade da globalização como resultado do advento da internet é, segundo Chang, mais um dos mitos do capitalismo.
O economista diz que a invenção do telégrafo, no século 19, produziu uma revolução nas comunicações muito maior do que a internet.
"Antes do telégrafo, demorava-se duas semanas para se transmitir uma mensagem transatlântica por barco. Com o telégrafo, isso foi reduzido para sete minutos."
"E se compararmos ambas as épocas, o mundo do barco a vapor e do telégrafo estava muito mais globalizado do que o dos anos 40, 50 e 60 no século 20, apesar da enorme diferença tecnológica."
Chang diz que as transações financeiras são feitas em segundos, mas lembra que elas só são possíveis porque os mercados financeiros foram desregulados.
"Recorrer à tecnologia é uma maneira de negar que, na realidade, trata-se de uma decisão política."
Veja a lista de afirmações do livro
1. Não existe livre mercado.
2. Companhias não deveriam ser administradas segundo os interesses de seus donos.
3. A maioria das pessoas nos países ricos ganha mais do que deveria.
4. A máquina de lavar mudou mais o mundo do que a internet.
5. Espere o pior das pessoas e você receberá o pior.
6. Maior estabilidade macroeconômica não tornou a economia mundial mais estável.
7. Políticas de livre mercado raramente tornam países pobres mais ricos.
8. Capital tem nacionalidade.
9. Não vivemos na era pós-industrial.
10. Os Estados Unidos não têm o melhor padrão de vida do mundo.
11. A África não está destinada ao subdesenvolvimento.
12. O governo pode escolher os ganhadores.
13. Tornar pessoas ricas mais ricas não enriquece o restante das pessoas.
14. Os salários de executivos americanos são altos demais.
15. As pessoas nos países pobres são mais empreendedoras do que as dos países ricos.
16. Não somos espertos o suficiente para deixar as coisas a cargo do mercado.
17. Mais educação, por si só, não vai tornar um país mais rico.
18. O que é bom para a General Motors não é necessariamente bom para os Estados Unidos.
19. Apesar da queda do comunismo, ainda estamos vivendo em economias planejadas.
20. Igualdade de oportunidades é desigual.
21. Um governo grande torna as pessoas mais - e não menos - abertas às mudanças.
22. Mercados financeiros precisam se tornar menos, não mais, eficientes.
23. Boas políticas econômicas não requerem bons economistas.
--
Atenciosamente.
Claudio Estevam Próspero 
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Crash - Uma Breve História da Economia - Da Grécia Antiga ao Século XXI - Como o dinheiro, a falta de dinheiro, a insanidade e a safadeza construíram o mundo mais próspero de todos os tempos. E muito mais, como você nunca leu.


De: Claudio Estevam Prospero
Enviada em: quinta-feira, 28 de julho de 2011 12:22
Assunto: ENC: [SINAPSES] Crash - Uma Breve História da Economia - Da Grécia Antiga ao Século XXI - Como o dinheiro, a falta de dinheiro, a insanidade e a safadeza construíram o mundo mais próspero de todos os tempos. E muito mais, como você nunca leu.


























Crash - Uma Breve História da Economia - Da Grécia Antiga ao Século XXI

Alexandre Versignassi

Como o dinheiro, a falta de dinheiro, a insanidade e a safadeza construíram o mundo mais próspero de todos os tempos. E muito mais como você nunca leu.

 

Leia o primeiro capitulo de "Crash" [ http://www.scribd.com/doc/59384371/CRASH-Capitulo-1 ]

 

Obra mostra a história da economia traçando paralelos inusitados entre o presente e o passado. E traduz os assuntos mais complexos dessa seara para uma língua inédita na literatura financeira: o português.

Mais uma contribuição para a ampliação do Conhecimento = "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará"

 

 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

LANÇAMENTO> EDITORA LEYA BRASIL LANÇA 'CRASH', DE ALEXANDRE VERSIGNASSI

 

http://napauta-to.blogspot.com/2011/07/lancamento-editora-leya-brasil-lanca.html

 

Obra mostra a história da economia traçando paralelos inusitados entre o presente e o passado. E traduz os assuntos mais complexos dessa seara para uma língua inédita na literatura financeira: o português.

Couro, peixe seco, sal grosso, pinga, tabaco. Tudo isso já foi moeda. Mas a que deu certo mesmo foi outra: o dinheiro falso – uma criação da Grécia Antiga que você carrega na carteira até hoje. Já o fenômeno que rouba a sua carteira, a inflação, é mais recente: cortesia dos romanos. As estratégias para enfrentá-la também vêm de lá: um César instituiu um congelamento de preços. Outro, um plano real.

Mas se inflação é ruim, deflação é pior. Quedas exageradas de preço destroem a grande propriedade do dinheiro: a incrível capacidade que ele tem de gerar mais dinheiro. É o que houve na Grande Depressão. E que quase aconteceu em 2008.

Crises econômicas, por sinal, não têm nada de novas. Elas existem desde antes da criação do dinheiro. Mesmo coisas que parecem absurdamente contemporâneas, como bolsa de valores, mercado de derivativos ou “títulos podres” têm uma história longa: nasceram nos becos das capitais européias do século XXVII. Uma história longa e que teima em se repetir: quanto maior a euforia econômica, quanto mais possibilidades de dinheiro fácil aparecem, maior a chance de queda. As bolhas financeiras são como uma lei da natureza: elas vão continuar aparecendo, vão enriquecer muita gente e fazer outros tantos perderem tudo. Não tem jeito: e a culpa é do nosso cérebro. Ele vem com um grande erro de fabricação: a incapacidade de pensar racionalmente quando o assunto é dinheiro.     
        
 É isso, enfim, que você encontra em Crash – um panorama da história do dinheiro, das crises financeiras e da especulação. Você vai saber:
- Como a crise das tulipas, da Holanda do século XVII, explicam a subida de 400% em cinco anos que a Bovespa viveu no início do século 21
- Como moedas falsas salvaram a Grécia antiga de uma tragédia e deram origem ao papel que você carrega na carteira
- Como um congelamento de preços arrasou o Império Romano e, dois mil anos depois, faria o mesmo no Brasil
- Como funcionam os Bancos Centrais, as bolsas de valores, a política monetária... Os assuntos mas áridos na linguagem mais acessível – e 100% livre de jargões.
CRASH, lançado em julho pela editora LeYa Brasil.
Sobre o autor
Alexandre Versignassi, 34 anos, é jornalista e editor das revistasSuperinteressante e Aventuras na História, ambas da Editora Abril. Foi finalista do Prêmio Esso em 2010 e ganhou duas vezes o Prêmio Abril de Jornalismo. Especializado em jornalismo científico, iniciou a carreira como repórter e colunista da Folha de S. Paulo e foi editor das revistas Sapiens e Flashback, também da Abril. Nos últimos anos, passou a aplicar o maior conceito que aprendeu com a divulgação científica ao jornalismo econômico: tornar interessante aquilo que é relevante e mostrar a relevância do que parece meramente interessante. CRA$H! segue essa premissa. E busca levá-la ao extremo.

Ficha Técnica
Título: CRA$H! Uma breve história da economia – Da Grécia antiga ao século XXI. Como o dinheiro, a falta de dinheiro, da insanidade e da safadeza construíram o mundo mais prospero de todos os tempos.
Autor: Alexandre Versignassi
Formato: 16 x 23 cm
Brochura
Nº de páginas: 320
Preço: R$39,90

Fonte> Ascom / Leya Brasil

 

 

DESCUBRA A EXPERIÊNCIA AGE!

Um blog para leitores e futuros escritores lerem e serem lidos. Ou apenas uma fonte de inspiração para sua criatividade através do ponto de vista de pessoas comuns que se encontram na literatura, na música e no cinema. Bem-vindo ao A GENTE ESCREVE!





A Editora LeYa, a equipe do Mob de Leitura (responsável pelo blog "Livros só mudam pessoas" [http://www.livrosepessoas.com/ ] ) e o blog colaborativo AGE - A GENTE ESCREVE oferecem aos leitores do AGE está super oportunidade de ganhar o livro "Crash - Uma Breve História da Economia - Da Grécia Antiga ao Século XXI" deAlexandre Versignassi.

Entender a economia hoje, não é só para profissionais do ramo financeiro. Alexandre Versignassi (editor da Revista Superinteressante) apresenta um painel histórico relevante para compreensão da crise financeira mundial, o papel do Brasil nesta nova economia e muito mais. Uma leitura necessária e imperdível!

Para concorrer é muito fácil!

Leia o primeiro capitulo de "Crash" [http://www.scribd.com/doc/59384371/CRASH-Capitulo-1 ] e deixe seu comentário aqui no AGE. O autor do melhor comentário, fatura o livro. Mas seja, rápido: está promoção vai até o dia 5 de agosto de 2011.



Lançamentos de Livros 31# + Promoção 5# - Crash

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj7G4Mo1yqP99qlKFYvKJh6ISrusSx_FQNAYEQfEzcLVsznz0o_3b5Zg_7h3ky0tcIhF8NuJ2SYb9l8qZJQwG8OcdMALSKsJxYKYbKfsCD8wj1D4E6WFOLCNHYhLpnp3E-QImqsUQ0-kDol/s0/date.png Sexta-feira, Julho 22, 2011 https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEibJA22GuCYUNj0dLLmwn-wK1lV_mRX4Q32z6NQgxzbVsIJNJgdvTOAij-9ob_-kyipq1m9Wjs42XHxQP9_YbZBEQJKX_ac1RzT7808FOnO-G-uy46PG0m8lwdcJErKdrvnt8YsEfmULOEe/s0/user.png @_ricbiazotto


Uma breve história da economia - da Grécia Antiga ao Século XXI -

Gosta de uma boa história? E que tal se essa história for sobre o nosso amigo e muitas vezes inimigo, o dinheiro? É isso que o livro Crash, que será lançado no próximo dia 25, do autor Alexandre Versignassi, nos conta. Diversas histórias curiosas sobre a economia, abrangendo desde os gregos, até nós brasileiros, que ficamos o maior período de inflação.

Sinopse - De onde vem o dinheiro? Quem o inventou? Por que hoje ele é tão importante na vida das pessoas? Como funciona o sobe e desce do valor do dólar? Por que isso ocorre? O que determina o valor de uma ação na Bolsa? Com que finalidade os papéis de uma empresa são negociados? De que maneira opera a Bolsa de Valores? Quem pode investir?   Em Crash!: Uma Breve História da Economia: Da Grécia Antiga ao Século XXI, o autor conta histórias curiosas e interessantes como a dos primeiros especuladores, que investiam em tulipas na Holanda, flor que caiu no gosto dos europeus no século XVII; a dos alemães, que precisavam sair carregados de dinheiro quando iam às compras, em meio a uma das maiores inflações que já existiram, perdendo apenas para a dos húngaros após a Segunda Guerra Mundial; e a dos brasileiros, que detêm até hoje o recorde de maior período de inflação da história.

Ficha Técnica
Editora: Leya
Autor: ALEXANDRE VERSIGNASSI
ISBN: 9788580442595
Origem: Nacional
Ano: 2011
Edição: 1
Número de páginas: 320
Acabamento: Brochura
Formato: Médio


Ver também:

 

SÁBADO, 26 DE MARÇO DE 2011

Sociedades Anônimas e Sociedades Autônomas - A verdade nua e crua - "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará"

http://reflexeseconmicas.blogspot.com/2011/03/sociedades-anonimas-e-sociedades.html

 

 

DOMINGO, 17 DE ABRIL DE 2011
Capitalismo Parasitário - Definição e Estratégias

http://reflexeseconmicas.blogspot.com/2011/04/capitalismo-parasitario-definicao-e.html

 

 

A Maior Fraude da História. A verdade sobre os Bancos Centrais. O poder dos 'moneymasters' e a crise econômica mundial de 2008 (reficação)

por Nehemias Gueiros, Jr.

“Deixe-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e não me importarei com quem redige as leis”. – Mayer Amschel [Bauer] Rothschild

“Todo aquele que controla o volume de dinheiro de qualquer país é o senhor absoluto de toda a indústria e o comércio e quando percebemos que a totalidade do sistema é facilmente controlada, de uma forma ou de outra, por um punhado de gente poderosa no topo, não precisaremos que nos expliquem como se originam os períodos de inflação e depressão”. – declaração do pres. americano James Garfield, 1881

Ler em:  
http://jusvi.com/artigos/36376

Nehemias Gueiros, Jr.



SÁBADO, 22 DE JANEIRO DE 2011

É voz corrente que o Banco Central do Brasil é eficaz e contribui fortemente para o equilíbrio econômico do país. EU DISCORDO.


“Novo Banco Central”  é mais do mesmo:

·      Aumento da despesa pública (mais de 50% do Orçamento da República é para atender uma divida que cresce exponencialmente)

·      Manutenção da maior taxa de juros real do mundo (o custo do dinheiro é o único preço da economia brasileira que não convergiu para a média mundial)